“Vós sois o sal da terra”
O nosso texto faz parte do Sermão da Montanha, cujos
princípios são resumidos nas Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12). Os versículos de
hoje se dirigiam às comunidades dos “pobres em espírito”, cuja proposta de vida
era a vivência do espírito das bem-aventuranças. Mateus usa as metáforas de sal
e luz para aplicá-las aos ouvintes do Sermão da Montanha.
O sal era de suma importância no Oriente Médio. Era
usado como tempero para dar sabor à comida e também para conservá-la. Também a
imagem do sal era usada para simbolizar a Sabedoria e a Lei. Mateus afirma que
os discípulos devem tornar saboroso o mundo em sua aliança com Deus, através da
vivência que nasce da sabedoria de Jesus e a nova Lei, o Sermão da Montanha. Se
não assumirem essa missão, servirão para nada e merecem ser jogados fora como
sal insosso. Essa missão se realiza através da vivência da plena justiça, muito
mais do que uma prática externa de leis: “Se a vossa justiça não for maior do
que a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu”
(Mt 5, 20)
As outras imagens também são tiradas da experiência da
Palestina do tempo de Jesus. Se a imagem da “cidade situada sobre um monte” foi
tirada da Galiléia, talvez se refira à cidade de Hippos, se não, poderia ser
Jerusalém. A imagem da lâmpada que ilumina todos na casa vem do fato de que a
casa normal de um pobre na Palestina consistia de uma sala só. Através da
prática dos discípulos, a luz de Deus deve iluminar a sociedade, desmascarando
as injustiças e apontando para a justiça do Reino do Céu.
O versículo 16 mantém um equilíbrio entre a prática
das boas-obras e o evitar do orgulho ou vaidade por causa delas. A vida do
discipulado descrita no Sermão não deve levar à arrogância, tão típica de
alguns “piedosos” ou “justos”; mas, à conversão de muitos ao Pai. Mateus se
refere a Is 42, 6 e 49, 6 que mostram que o Servo de Deus traz luz e salvação
para todos os povos.
Mais uma vez o Evangelho de Mateus enfatiza a missão
da comunidade cristã. Somos chamados a dilatar o Reino de Deus no mundo. Não é
possível sermos discípulos se mantermos uma vida individualista, fechada em nós
mesmos. A nossa maior pregação deve ser a nossa luta em prol do mundo que Deus
quer, para que “todos tenham a vida e a vida em abundância” (Jo 10, 10). Uma
vida cristã que não se engaja nisso, se torna como sal insosso, luz apagada,
que não serve para nada. Mas a motivação é clara - nada em benefício próprio,
mas tudo para que as pessoas cheguem a conhecer o nosso Pai amoroso e vivenciem
os valores do seu Reino.
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
Imagem Congregação do Verbo Divino - Curitiba Paraná - Brasil

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