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domingo, 20 de agosto de 2017

*‪#minisermao* (20/08/17)

 Maria é rainha no céu porque foi serva na terra; quem promove o irmão é elevado no Reino de Deus. Reinar é servir. Na lógica do mundo reinar é dominar, é vencer, é enriquecer, é tirar o primeiro lugar. Jesus coloca em primeiro lugar os últimos, aqueles que são servos de todos, porque no Seu reino a lógica não é a da função, mas a da unção e Maria elevou a sua prima Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo, começou a louvar e depois cantaram juntas: "O Senhor derrubou do trono os poderosos e os humildes elevou!" Esta é a verdadeira festa da Assunção.
(Lc 1, 39-56)
Pe. Joãozinho, scj

Imagem:www.google.com.br

sábado, 19 de agosto de 2017

TERÇO EM LOUVOR A MEMÓRIA DO PE. PEDRO FUSS, PELOS 31 ANOS DE SEU FALECIMENTO

Dezenas de pessoas à 31 anos seguidos, participam da novena elaborada pelo movimento “Legião de Maria, Consoladora dos Aflitos”, da nossa paróquia, realizada no túmulo do saudoso “Pe. Pedro Fuss”, no Cemitério Central, pelo aniversário de seu falecimento, dia 29 de junho de 1985.
As pessoas ali presentes, em sua grande maioria, tiveram a grande alegria de o conhecer pessoalmente e ver seus grandes feitos em vida, tanto pelo nosso município quanto pela nossa paróquia.
Pudemos observar que aumentam a cada ano as placas de agradecimento pelas graças alcançadas, por intercessão do Pe. Pedro Fuss, coladas em seu túmulo.
O Movimento Legião de Maria agradece a presença de todos.
*Convite: Por iniciativa de um dos participantes da novena, todos os dias 29 de cada mês as 15:00hs, será rezado um terço no túmulo do Pe. Pedro Fuss, todos estão convidados.
Pe. Pedro Fuss, rogai por nós!
Foto: Maria Auxiliadora - Pascom
Fonte: Informativo da Paróquia São Cristóvão ( paróquia que foi fundada por ele, e que passou seus últimos anos de vida.  

domingo, 30 de julho de 2017

*‪#minisermao* (30/07/17)

Não despreze as coisas antigas; existem valores perenes. Os sábios não se apegam ao passado nem ao futuro. Vivem o presente. Como disse Jesus, numa frase quase enigmática: "O homem sábio tira do seu baú coisas antigas e coisas novas." Há pessoas apegadas ao passado, só tem valor a tradição, não querem nada de novo. Outras pessoas, só querem saber do que virá, vivem em busca de novidades, são gente de vanguarda. Alguns são tradicionalistas, outros progressistas. Os sábios escapam desses rótulos e vivem o passaso e o futuro no presente. 
(Mt 13,44-52)
Pe. Joãozinho, scj.🙌🏽
Abençoado dia do Senhor a todos!🙏🏽🌷

17º Domingo Comum - 30/07/2017

Primeira Leitura (1Rs 3,5.7-12)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis:
Naqueles dias, 5em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, e lhe disse: “Pede o que desejas, e eu te darei”.
7E Salomão disse: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. 9Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”
10Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. 11E Deus disse a Salomão: “Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, 12vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”.
- Palavra do Senhor.

Fonte: https://liturgia.cancaonova.com/liturgia/17o-domingo-comum-30072017/

sábado, 18 de março de 2017

3º Domingo da Quaresma (19/03/17)

Jo 4, 5-42 “Aquele que beber desta água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede”
O texto de hoje, quase um capítulo inteiro, é tirado do Quarto Evangelho, e portanto, tem que ser interpretado levando em conta as características do Evangelho de João – entre eles, o uso de símbolos (pessoas, eventos, coisas e números) e de “mal-entendidos” para dar oportunidade para uma explicação mais profunda sobre a pessoa e missão de Jesus.
O capítulo é tão denso, que é impossível fazer jus ao seu conteúdo em uma curta reflexão. O relato vem da Comunidade do Discípulo Amado, onde certamente havia muitos samaritanos, vistos como impuros pelo judaísmo oficial. Embora os Sinóticos desconheçam qualquer ministério de Jesus entre os samaritanos, a Samaria foi palco de um dos primeiros trabalhos missionários da Igreja primitiva (At 1, 8; 8, 1-25). Os samaritanos eram descendentes da mistura entre os Israelitas do Reino do Norte e os migrantes pagãos, que foram levados à Samaria pelos Assírios, depois da queda do Reino de Israel em 721 a.C. O segundo livro dos Reis conta que os Assírios deportaram uma grande parte da população de Israel e levaram para lá gente de cinco nações pagãs (2Rs 17, 1-6. 24-41). Essas pessoas trouxeram a sua religião original, mas também adotaram o javismo como culto “ao Deus da terra”, formando assim uma religião com fortes traços de sincretismo. Os samaritanos aceitaram somente os cinco livros da Lei, rejeitando os profetas e toda a ênfase sobre o Templo de Jerusalém. Isso causou muito conflito com os Judeus, e no século antes de Jesus o Sumo Sacerdote de Jerusalém destruiu duas vezes o seu Templo no Monte Gazirim. Esse contexto histórico é essencial para entender o diálogo de Jesus com a mulher sobre os seus “cinco maridos”. Eles simbolizam os cinco Deuses dos povos que colonizaram Samaria e “aquele que você tem agora que não é seu marido” é o javismo sincretista dos samaritanos, pois “marido” é um símbolo profético para indicar Javé na sua relação com a sua esposa, o povo de Israel.
O diálogo segue a técnica típica joanina do ‘mal-entendido” (o diálogo com Nicodemos também). Falando da água, a mulher entende somente água natural; mas Jesus se refere à sua revelação divina e ao Espírito Santo, água viva que será dada a quem aceita Jesus. Pode-se entendê-lo também como símbolo da água do batismo, que confere o Espírito Santo, e que é “uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (v. 14).
No debate sobre o local de adoração de Deus, Jesus demonstra que no Novo Israel (a Igreja) a localidade não importa, porque o culto nascerá do Espírito de Verdade. Diante dessa nova revelação, outros debates casuísticos perdem o seu sentido! Uma lição para hoje, quando perdemos tempo discutindo inutilmente se se deve cultuar Deus na sábado ou no domingo, deste ou daquele jeito! Frequentemente partimos do que nos divide, muitas vezes coisas absolutamente secundárias, em lugar de olhar ao que nos une.
A mulher samaritana, diante do encontro com Jesus, torna-se missionária do seu próprio povo. A evangelizada torna-se evangelizadora. Não é possível encontrar-nos com a Vida Nova em Jesus sem que nos tornemos missionários – não proselitistas, angariando adeptos para a nossa confissão religiosa, mas missionários, alastrando a mensagem do Reino de Deus entre nós, na construção de um mundo onde todos “tenham a vida e a vida plenamente” (Jo 10,1 0).
É importante não reduzir este texto a uma leitura moralizante – como se a mulher fosse da má fama, e agora se convertesse para uma vida regular! É muito mais profundo. Quem faz a experiência de intimidade com Jesus, a encarnação do Deus da vida, necessariamente entre em um processo de conversão, no seguimento do Mestre, e torna-se missionário da Boa Nova. Nunca cansemos nessa busca da água viva, pois só ela pode nos satisfazer. Peçamos com a mulher “Senhor, dá-nos essa água para que não tenha mais sede”.
O texto mostra bem como a proposta de Jesus para os seus seguidores é inclusiva – a mulher representa os que são excluídos, por motivo de pobreza, gênero, raça ou religião. Jesus não aceita a exclusão de quem quer que seja. Até os discípulos se chocaram quando encontraram Jesus dialogando com a mulher, pois as suas cabeças ainda trabalharam com os conceitos de “puro e impuro”, de “eles e nós”. Jesus veio para acabar com essas divisões, muitas vezes criadas em nome da religião e de Deus, com consequencias desastrosas. O contato com a fonte de água viva nos impulsiona para a criação de comunidades alternativas, baseadas na vivência de solidariedade, paz e justiça, na dinâmica do Reino de Deus.
Tomaz Hughes SVD
thughessvd@yahoo.com.br
Fonte:matrizsaocristovao.com.br

domingo, 26 de fevereiro de 2017

8º Domingo do Tempo Comum (26/02/2017) Mt 6, 24-34


“Ninguém pode servir a dois senhores” 
O texto nos mergulha de novo no espírito do Sermão da Montanha (Mt 5, 1 - 7, 27). Coloca os ouvintes diante da sua escolha fundamental na vida - a quem ou a que querem servir? - a Deus, vivendo os valores delineados no Sermão da Montanha, ou o Dinheiro, (que a Bíblia TEB escreve com “D” maiúsculo), ou seja, o Dinheiro como potência que escraviza o mundo a si?
Embora essa escolha seja exigência de todos os tempos e lugares, torna-se mais urgente ainda em nossa sociedade de consumo, de exclusão e de acumulação, que exclui a maioria absoluta da humanidade, condenando-a a uma vida de miséria e sofrimento. Jesus deixa bem claro que os seus discípulos/as não podem assumir esses valores consumistas e materialistas, se querem ser fiéis a Ele e ao seu projeto do Reino de Deus.  Esse princípio fundamental do seguimento de Jesus é enfatizado sem rodeios pelo Papa Francisco no seu documento de novembro 2013 Evangelii Gaudium ( A Alegria do Evangelho)  quando na secção que trata dos desafios do mundo atual ele insiste “Não a uma economia da exclusão e da desigualdade” (no. 53), “não à nova idolatria do dinheiro” (no. 55), ‘não a um dinheiro que governa ao invés de servir” (no. 57), “não à desigualdade social que gera violência” (no. 59).  Parece que hoje em dia, a tendência de alguns  líderes e países é de construir muros em lugar de pontes!  Há pouco anos, o Muro de Berlim era tido como vergonhoso, sinal de uma sociedade comunista decadente  Hoje, Israel e os Estados Unidos constroem muros, e são aplaudidos por muitos!  Duas medidas!
Como consequência desse princípio, Jesus continua: “por isso é que lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir”. Com certeza uma declaração que soa como estranha a quase todos nós, obrigados a lutar com insegurança para que as nossas famílias tenham o que comer e vestir. Como não se preocupar com essas coisas em um mundo de insegurança, de desemprego, de exclusão? Realmente seria no mínimo uma falta de sensibilidade proclamar aos famintos ou esfarrapados que não era para se preocuparem com a comida e a roupa. É só olhar a situação terrível de tantas famílias em tantas regiões do Brasil e do mundo hoje. Então o que quer dizer esse trecho?Essas palavras não são convite a descuidar dessas necessidades básicas, que seria um atentado contra a vida, e, portanto, contra a proposta de Jesus. A frase deve ser entendida no contexto da situação da comunidade mateana pelo ano 85 dC, que parece ter sido uma comunidade que tinha bastante gente próspera (p. ex., Mateus diz que são os “pobres em espírito” que são bem-aventurados, enquanto Lucas diz simplesmente “vocês, os pobres”!). O sentido do texto gira ao redor do sentido do verbo grego “meirmnao” que as nossas Bíblias traduzem como “preocupeis” (Pastoral, TEB, Jerusalém, Ave Maria). Isso, obviamente, não quer dizer não cuidar, zelar, ocupar-nos, mas não deixar que essas coisas nos absorvam de tal maneira que se tornem o absoluto da nossa vida. Assim, em lugar de usar essas frases para acalmar os que sofrem falta dessas necessidades da vida, esse texto implica uma denúncia de uma sociedade excludente como a nossa, que obriga a maioria das pessoas a dedicar-se totalmente à sobrevivência, esgotando as suas forças físicas, espirituais e psicológicas na luta diária para simplesmente sobreviver nesse mundo cruel. Seria beirando a blasfêmia usar essas frases para apaziguar os sofridos, falando chavões sobre a providência de Deus, enquanto apoiamos e nos mergulhamos nos valores materialistas da sociedade neoliberal, sem notar que essa mesma sociedade é a negação de tudo que o Sermão da Montanha ensina sobre simplicidade, solidariedade, justiça e o seguimento de Jesus. A chave da interpretação do ensinamento de hoje está em v. 33: “Procurai primeiro o Reino e a justiça de Deus, e tudo isso vos será dado por acréscimo” (trad. TEB). Pois, se criarmos um mundo ou uma comunidade que vive os valores do Reino e a justiça de Deus (não o que a sociedade considera “justiça” a partir de uma ideologia positivista que favorece os interesses da minoria dominante), então teremos solidariedade, que garantirá que todos tenham pelo menos o mínimo para ter uma vida digna dos filhos e filhas de Deus. Então, longe de ser “pano quente”, para que possamos ignorar com tranquilidade o sofrimento e carência de tantos, o texto nos desafia para que descubramos sinceramente quais são os nossos valores, os do Evangelho ou os do consumismo.  É impossível ser discípulos de Jesus sem nos interessar por uma sociedade humana que seja favorável a vida de todos. O Papa Francisco insiste em Evangelii Gaudium: “Ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos  pobres e pela justiça social: “A conversão espiritual, a  intensidade do amor a Deus e a próximo, o zelo pela justiça e pela paz, o sentido evangélico dos pobres e da pobreza são exigidos de todos”(EG 201).  É uma questão vital para todos e todas que querem ser seguidores/as de Jesus, pois “onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (Mt 6, 21).
Pe. Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughessvd@yahoo.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Órgão doado pelo Pe. Pedro Fuss

A imagem pode conter: área interna
Esse órgão esta exposto no Museu de São José dos Pinhais - Paraná - Brasil.
 Ele foi doado ao Museu  pelo Padre Pedro Fuss!
Foto: Maria Auxiliadora

7º Domingo do Tempo Comum Mt 5, 38-48 (19/02/2017)

Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu”
Na verdade este texto, continuando o Sermão da Montanha (Mt 5-7), continua o tema da leitura do domingo passado. Mais uma vez enfatiza que atrás de todas as nossas ações existem sentimentos, ou disposições internos. Por isso Jesus dá o verdadeiro sentido à Lei, dizendo que o discípulo não pode se contentar em não agir mal, mas tem que mudar a sua maneira de entender o mundo, as pessoas e as relações.
Com autoridade, “Eu digo”, ele declara que não basta que os seus seguidores não ajam como o mundo age, mas que dêem uma viravolta nos valores da sociedade vigente. Enquanto “olho por olho, dente por dente” era, nos tempos idos, um grande avanço sobre a lei da vingança exagerada, Jesus exige que os seus discípulos vão adiante, tirando até o desejo de vingança e retribuição, assim desarmando o mal e criando uma sociedade de novas relações. Sem dúvida uma visão utópica; mas, utopia não é ilusão, é o ideal que nos norteia e encoraja até que finalmente, passo por passo, ela se concretize.
Esses versículos insistem que o modelo para a vida cristã e as suas atitudes não é a sociedade dominante, onde os cristãos muitas vezes se contentam em agir exatamente como os outros, dentro do que é aceitável em uma sociedade que não segue o Evangelho. É só verificar quantos cristãos apoiam as atitudes nefastas de Donald Trump, por exemplo, e comparar as suas atitudes com as de Jesus! Ele insiste aqui que ser cristão não é simplesmente ser como qualquer um (“os pagãos”), mas é ter outros valores e outra visão. E qual é o fundamento desses valores, desse modo de agir? Não é o exemplo da sociedade e do mundo, mas o exemplo do nosso Pai. Jesus não deixa por menos: “sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”. Obviamente nunca poderemos ser “perfeitos” como o Pai do céu, no sentido de não termos defieots ou fraquezas.. Essa frase relembra Dt 18,13 onde a Lei recomenda ao povo de Israel que seja perfeito na sua adesão ao Senhor. O Evangelho de Lucas explicita melhor ainda o sentido dessa frase quando ensina: “sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso” (Lc 6, 36).
Sem rodeios esses versículos nos levam a examinar as nossas atitudes e ações, especialmente em relação à vingança, ao ódio, à dureza de coração, à compaixão e à misericórdia. A nossa medida nesses aspectos é a nossa sociedade, ou o nosso Pai? Se nós agimos e pensamos como qualquer outro, o que fazemos de extraordinário?
Pe. Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughessvd@yahoo.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 29 de janeiro de 2017

QUARTO DOMINGO COMUM (29.01.17) Mt 5, 1-12a

“Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”
Esses primeiros versículos doi Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e como resumo do Sermão da Montanha. Nos apresentam um retrato das qualidades do(a) verdadeiro(o) discípulo(a), daquele e daquela que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente - tanto a do tempo de Jesus, como de hoje. Embora com uma linguagem menos contundente do que Lucas (Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver.  Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente - o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça - na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”, e que é verdadeiramente pobre em espírito se empenha na construção de uma sociedade justa. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas quem luta pela justiça será perseguido - e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”.  As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. Isso deve questionar a indiferença de muitos cristãos que, embora frequentem a Missa, não se comovem com o sofrimento de milhões, se compactuam com uma política e um sistema econômico que promovem a cultura de exclusão e tornam a religião uma mera fachada de consolações pessoais. É manso, não no sentido de passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos.  Tem fome da Justiça dde Deus, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino.  Jesus deixa clara a consequência de assumir esse projeto de vida - a perseguição! Pois um sistema baseado em valores antievangélicos não pode aguentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso Continente testemunha muita bem. Qualquer Igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônico precisa se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (= testemunho) é pedra-de-toque dessa fidelidade. Com muita justiça, foi lembrada a atuação profética do falecido Dom Paulo Evaristo Arns, quando faleceu em dezembro.  Mas devemos também lembrar como ele foi perseguido e caluniado, pelos arautos da ditadura e pela ala conservadora dentro da própria Igreja. Continua válido para todos nós, como indivíduos e como comunidades, o desafio de estar “na contramão, com Jesus”, como diz Frei Carlos Mesters. Não somente na contramão da sociedade, mas com uma proposta de construção de uma sociedade fundamentada nos princípios do Sermão da Montanha, os de solidariedade, justiça, fraternidade e paz. No mundo onde estas metas e princípios são chamados da “ladainha dos perdedores”, cabe aos cristãos descobrir meios práticos de concretização desta utopia, a utopia de Deus, que impelia Jesus a doar a sua vida. É o grande desfio de sermos “no mundo, mas não do mundo” como dizia Jesus (Jo 14) e por isso temos que ser “vigilantes” (outro tema do evangelho de Mateus), para que não assumamos os princípios anti-evangélicos do neoliberalismo selvagem, quase por osmose! O mundo é o palco da nossa missão (Jo 16, 18), mas uma missão transformadora, norteada pelas Bem-Aventuranças.
Tomaz Hughes SVD
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 22 de janeiro de 2017

Fonte: http://www.verbodivino.com.br/

TERCEIRO DOMINGO COMUM (22.01.17) Mt 4, 12-23

“Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo”
 O texto começa situando a pessoa e a missão de Jesus no seu contexto concreto, histórica e geograficamente. A mudança de Jesus para a Galiléia tem sido interpretada tanto como um assumir corajoso da sua missão profética, diante da prisão de João, como uma busca de maior segurança. O verbo usado para “retirou-se” em v. 12 costuma ser usado por Mateus para indicar o recuo diante de um perigo (2, 12.13.14.22;12, 15;14, 13;15, 21). Porém o autor quer não somente apontar o lugar geográfico da missão de Jesus mas também a sua natureza profética. Por isso cita, com grandes modificações, o texto de Is 8 23-9,1. Mateus condensa o texto da forma que só sobram as referências geográficas, que apontam para o Norte da Galileia e Transjordânia, conquistadas pelos pagãos assírios em 734 a.C. Ao passo que a maioria dos profetas e messias do seu tempo se retiravam para o deserto (p. ex. os Essênios de Qumrã e João, o Batista), ou agiram na capital, Jerusalém, Jesus se retira para a periferia, Galileia, cercada pelos gentios. A esperança da salvação inicia-se exatamente em uma região da qual nada se espera. No tempo de Mateus uma grande parte da população da Galileia era gentia, ou seja, pagã. Por isso, escolhendo este lugar como palco da sua missão, o ministério de Jesus vai entrar em contato com “todas as nações” (Mt 28, 19).  V. 17 inaugura solenemente a missão de Jesus, a de anunciar a presença do Reino de Deus entre nós. Esta é a mensagem central de Jesus, e junto com a Ressurreição, formava a base e o objetivo da esperança cristã. Usando a visão noturna de Daniel (Dn 7, 13-14), o Reino representa a salvação futura e definitiva de toda a humanidade, socialmente, politicamente e espiritualmente, através do exercício da soberania de Deus, estabelecendo o "Shalom”, a paz que vem pela justiça, na terra como no céu. Como Mateus escreve para uma comunidade basicamente de judeu-cristãos, ele obedece o costume de não pronunciar o nome de Deus, e por isso, usa a frase “Reino dos Céus” no sentido de “Reino de Deus”. Infelizmente, esta convenção nascida do respeito pela transcendência de Deus, levou muitas pessoas a identificar, erroneamente, o Reino como algo pertencente somente ao céu, diluindo a sua força transformadora. O primeiro passo de Jesus é chamar um grupo de discípulos, começando com os pescadores do Lago de Genesaré. Nos Evangelhos Sinóticos, Jesus rompe com o costume rabínico, pois ele mesmo chama os seus discípulos. Em Mateus, Jesus muda a prática rabínica também em outros pontos - os discípulos não serão meros ouvintes do ensinamento do Mestre, mas colaboradores na sua missão; as multidões também seguirão Jesus, buscando n’Ele algo que não encontravam nos mestres oficiais das sinagogas (Mt 4, 25; 8, 1; 12, 15; 14, 13 etc); em um segundo momento, Jesus vai fazer uma crítica a este seguimento, mostrando que segui-Lo vai muito além do que os discípulos e as multidões tinham imaginado - será tomar sobre si a sua cruz (16, 24).  É interessante observar os detalhes do chamamento dos primeiros discípulos para serem “pescadores de homens”, (“pescador” é uma das duas principais imagens para o ministério no Novo Testamento. A outra, a de pastor, tem menor conotação missionária) - dois estavam lançando as redes e dois estavam consertando-as. Assim o evangelho mostra a dinâmica da vida cristã - tem hora para lançar redes (a ação missionária) e hora para consertá-las (cuidar mais da vida interna das pessoas e da comunidade). Os dois elementos têm que ser integrados na vida dos discípulos e das comunidades.  A rede pode significar a comunidade dos discípulos. Com o tempo, as redes dos pescadores se rompiam, por causa dos detritos apanhados, e precisavam ser consertadas, pois rede rompida não pega peixe. O mesmo acontece com a vida cristã, tanto no nível individual como comunitário - com o tempo podemos romper as redes, enfraquecendo a nossa missão. Consertar as redes simboliza o refazer dos elos de união entre nós e Deus, entre os próprios irmãos e irmãs, e com a criação. Mas, como rede consertada também não apanha peixe se não for lançada, assim a comunidade cristã não pode ficar voltada sobre si mesmo, em uma vida somente interna; mas, esta vida forte de união interna deve levar de volta à missão. É notável como as homilias do Papa Francisco batem muito nessa tecla, recusando de aceitar que a Igreja fecha-se em si mesma, e nos convidado a estar sempre “em saída” – em diálogo profético com o mundo, com os que não tem fé ou buscam a fé, com os marginalizados e excluídos, com pessoas de outras culturas e tradições religiosas.  As imagens do chamamento nos advertem contra dois extremos que distorcem o seguimento de Jesus - um ativismo desenfreado, só voltado para fora, e que descuida da vida interior das pessoas e das comunidades, de um lado, e uma vida só voltada para dentro, do outro, fazendo da experiência espiritual algo intimista e individual, que não leva à missão. Para o cristão, a missão brota da intimidade com Jesus e leva a aprofundar esta intimidade. A intimidade com Jesus leva de volta à missão e é alimentada pela experiência da missão. Todos os cristãos e cristãs são chamados a serem “pescadores de homens”, colaboradores na construção do Reino de Deus, que já está no meio de nós.
Tomaz Hughes SVD

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SEGUNDO DOMINGO COMUM (15.01.17) Jo 1, 29-34



“Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”
 O texto de hoje é tirado do Quarto Evangelho, o da Comunidade do Discípulo Amado. Escrito muito depois dos Sinóticos, o Quarto Evangelho tem como uma das suas características o uso abundante de símbolos, e uma cristologia bastante diferente dos outros três evangelhos. O texto de hoje situa-se no contexto de 1,19 - 2,12, onde, num cenário de sete dias, o autor descreve os sete dias da nova criação, que se dá em Jesus, fazendo paralelismo com o relato de Gênesis. Diante das dificuldades em explicar o sentido do Batismo e Jesus,  João omite o evento, mas descreve a descida do Espírito Santo sobre Jesus. Usando um símbolo muito conhecido dos primeiros judeu-cristãos, João Batista proclama Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, na verdade  uma expressão pós-pascal de fé.. O texto evoca ecos de duas imagens do Antigo Testamento - Jesus é o Cordeiro Pascal da Páscoa cristã, que, pela sua morte, acontecida no exato momento em que os cordeiros pascais estavam sendo abatidos no Templo (Jo 19, 14), salvou o mundo do pecado, da mesma maneira que o sangue do cordeiro pascal original salvou os israelitas do anjo destruidor (Êx 12, 1-13). Em segundo lugar, Jesus é também o Servo de Javé, descrito por Deutro- Isaías, o Servo Sofredor, que “brutalizado, não abre a boca; como uma ovelha emudece diante dos tosquiadores...carregou o pecado das multidões e intercede pelos transgressores” (Is 53, 7-12). João Batista também proclama que Jesus existia antes dele - um tema tipicamente joanino, o da preexistência do Verbo.  Como o Batista batizava com água, Jesus batizará com o Espírito Santo. Embora talvez o Batista se referisse ao Espírito purificador de Deus, de que falavam os profetas como purificador dos corações nos últimos dias (Is 4, 4; Ez 36, 25s; Zc 12, 10; 13, 1;), o evangelista quer que o leitor veja uma referência ao Espírito Santo, dado por Jesus e pelo batismo cristão. Diferente dos Sinóticos, em João não se fala de uma voz celeste no momento do batismo. Substituindo-a, o próprio Batista dá testemunho: Jesus é o “Eleito” de Deus, sobre quem o Espírito de Deus desceu e permaneceu! Aqui temos mais uma referência ao Servo do Senhorr de Isaías (Is 42, 1). A ênfase sobre o fato que o Espírito “permaneceu” sobre Jesus é peculiar ao Quarto Evangelho. O autor quer ressaltar o relacionamento permanente entre o Pai e o Filho, e entre o Filho e os que n’Ele acreditam. Aqui, o Espírito de Deus permanece com Jesus, que o Evangelho vai mostrar ser aquele que o dispensa aos que crêem (Jo 3, 5. 34; 7, 38-39; 20, 22). Assim, logo no início do Quarto Evangelho, temos toda uma cristologia, através do testemunho do Batista referente a Jesus: Ele é aquele que sempre existia, que morrerá como o Cordeiro Pascal e como o Servo Sofredor pelos pecados das pessoas, para depois derramar o Espírito Santo sobre o Novo Israel, a comunidade dos discípulos. O Quarto Evangelho, neste texto, faz do seu jeito o que os Sínóticos fazem com os seus relatos do Batismo de Jesus - proclama Ele como o Eleito do Pai, o Servo de Javé, que manifesta em sua vida a vontade do Pai e que, dando a sua vida, dá a vida eterna para todos os que n’Ele acreditam.
Tomaz Hughes SVD
FONTE:http://www.verbodivino.com.br/
Imagem: www.google.com.br

sábado, 7 de janeiro de 2017

EM SUA JUVENTUDE COM COM SEUS FAMILIARES NA ALEMANHA

Foto: Acervo pessoal de Tile Engel.

PE. PEDRO EM SUA TERRA NATAL NA ALEMANHA


Foto: Acervo pessoal de Tile Engel.

FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR (08.01.17) Mt 2, 1-12

“Ajoelharam-se diante dele e lhe prestaram homenagem”

            Hoje celebramos uma das grandes festas do Ciclo de Natal - a Manifestação do Senhor (“Epifania” em grego), onde comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado não somente ao seu próprio povo, mas a todos os povos, representados pelos Magos do Oriente. Mais importante do que a sua grande popularidade folclórica, a festa celebra uma grande verdade da fé - que a salvação em Jesus é destinada a todos os povos, sem distinção de raça, cor ou religião. Retomando a grande intuição do profeta Terceiro-Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus.
            O texto de hoje é altamente simbólico - usa uma técnica da literatura judaica chamada “midrash”, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las. Assim, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento. Por exemplo:
Vêm os magos (nem três, nem reis, segundo o texto!) buscando o Rei dos Judeus. Esses magos nos lembram os magos que enfrentavam e foram derrotados por Moisés (Êx 7, 11.22; 8, 3.14-15; 9,11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por Ele.
A estrela é sinal da vinda do Messias, prevista na profecia de Balaão (Nm 24, 17).
O menino nasce em Belém, segundo a profecia de Miquéias (Mq 5, 1).
Os presentes lembram as profecias de Segundo-Isaías sobre os estrangeiros que viriam a Jerusalém trazendo presentes para Deus (Is 49, 23; 60,5; também Sl 72, 10-11).
Herodes é o novo Faraó, que também massacra os filhos do povo de Deus (Êx 1, 8.16).
O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do acontecido. Os que deveriam reconhecer o Messias - pois são versados nas escrituras - ficam alarmados, pois para eles, opressores do povo através do abuso da religião e da política, Jesus e a sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus, e entregam-lhe presentes, sinais da partilha que será característica do Reino que Jesus veio pregar.
Hoje em dia verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e do seu Evangelho. Podemos pensar nas críticas ao estilo de vida e mensagem do Papa Francisco da parte de setores ultraconservadores da Igreja, pois a sua mensagem e vivência ameaçam o poder desses grupos.  Também a reação de crítica de defensores do capitalismo selvagem, diante da análise feita pelo Papa do sofrimento de tanta gente, por exemplo nas suas homilias e na sua Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”.  Os nossos canais de televisão e rádio estão infestados com “pregadores do Evangelho” que frequentemente distorcem a Boa Nova para se enriquecerem, explorando a ingenuidade de tanta gente através d a sua oratória demagógica e manipulante.
Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico com shows e cantos, mas que de forma alguma devem questionar a nossa sociedade e os seus valores. Para outros, o menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todas as pessoas de boa vontade têm que se unir, seja qual for a sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer.
Jesus não precisa de presentes, mas sim do nosso esforço na vivência do seu Reino. Não paremos em uma explicação sentimental dos eventos das narrativas da Infância de Jesus, mas procuremos penetrar no seu sentido mais profundo. Pois, na prática, temos que optar, ou pela a vivência religiosa vazia, como a de Herodes e dos Sumos Sacerdotes, ou pela mensagem libertadora do Menino de Belém, que convoca a todos, representados pelos magos, para a construção do mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente.” (Jo 10, 10).
A festa de hoje é altamente missionária, pois é a manifestação de Jesus às nações. É uma boa oportunidade para retomarmos os apelos do Documento de Aparecida, que conclama a uma missão renovada, onde todos os cristãos saem dos limites das suas comunidades de fé, para levar o Evangelho especialmente aos mais afastados. Temos muito a caminhar ainda, mas o início foi feito, para que cheguemos a um Brasil não somente de batizados, mas de discípulos-missionários.
Tomaz Hughes SVD

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Fonte: www.matrizsaocrisovao.com.br