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sábado, 26 de dezembro de 2015

Festa Da Sagrada Família (27.12.15) Lucas 2, 41-52

 Na Igreja Católica, hoje é celebrada a festa da Sagrada Família.  Portanto, o trecho de Lucas põe em relevo os três membros da família de Nazaré, - mas tem como o seu tema principal, um ensinamento sobre quem é Jesus, a sua relação ao Pai e à sua família humana.
            A história começa enfatizando a identidade da família humana de Jesus como judeus piedosos. Os regulamentos sobre as peregrinações ao Templo de Jerusalém, para a festa de páscoa, se encontram em Ex 23,17;34.23; Lev 23,4-14.  Como consequencia, entendemos que o ambiente em que Jesus cresceu - e em que descobriu a sua vocação e missão - é aquele dos “pobres de Javé”, os devotos que esperavam a libertação de Israel, através da vinda do Messias davídico prometido.  Esta viagem prefigura a grande viagem de Jesus à Jerusalém em Lc 9,51 - 19,27, que ela fará com os seus discípulos, e onde ele revelará por palavras e ações o seu relacionamento com o Pai - prefigurado aqui no versículo 49.
            O texto salienta certas atitudes de Jesus.  É bom prestar bem atenção aos verbos.   Lucas diz que Jesus estava no templo entre os doutores :“escutando e fazendo perguntas.” ( v. 46).   A atitude de Jesus é a de um aluno muito inteligente, e não de um mestre - ele não está “ensinando no Templo”, como muitas vezes dizemos em nossas tradições. Aqui Lucas antecipa para os doze anos o que realmente ocorrerá mais tarde, quando Jesus realmente ensina no Templo e sofre a rejeição e a perseguição por parte dos doutores de Lei e Sumos Sacerdotes.
            O ponto central do texto se acha em versículo 49: “Porque me procuravam?  Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?”
            Aqui Lucas relata as primeiras palavras de Jesus no seu Evangelho.  Agora não é Gabriel, nem Zacarias, nem Maria quem diz quem é Jesus, mas ele mesmo.  A palavra que nos traduzimos como “devo”, em grego “dei”, transmite o tema de “necessidade”, que aparece no Evangelho 18 vezes e nos Atos dos Apóstolos 22 vezes, e “expressa um senso de compulsão divina, frequentemente visto como obediência à uma ordem da escritura ou profecia, ou na conformidade de eventos com a vontade de Deus.  Aqui a necessidade consiste no relacionamento inerente de Jesus a Deus, que exige obediência.” (Marshall - “The Gospel of Luke”)
            Em versículo 50, fica claro que os seus pais não entenderam que o seu relacionamento com o Pai celeste tomava precedência sobre a sua relação com eles: “Eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer.”
            A “espada”- a dor de sentir este distanciamento sem poder compreendê-lo e da que falou Simeão em 2,35 - já começa a aparecer.  Maria não compreende plenamente - retomando o tema de v. 19 - e tem que continuar a sua caminhada de fé, meditando sobre o sentido e identidade do seu filho.  Fato encorajador para nós.  Quantas vezes acontecem coisas nas nossas vidas que não compreendemos, e nelas nem conseguimos ver a vontade de Deus.  Ao exemplo de Maria e José, aceitemos esta escuridão, continuemos a caminhada, mas nunca deixemos, com atitude de oração de contemplação, de “conservar no nosso coração todas essas coisas”!
Tomaz Hughes SVD

Imagem: Google – (evangelhosanto.wordpress.com)
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Missa da Noite do Natal Lc 2, 1-


Esta passagem é típica do estilo de Lucas e contém muito material peculiar a ele. Ele toma as tradições de que Maria e José eram de Nazaré e que Jesus nasceu em Belém, liga-as com as figuras de Augusto, Herodes o Grande e o Governador Quirino, e através destas figuras tece um texto que une oito dos seus temas favoritos: “comida”, “graça”, “alegria”, “pequenez”, “paz”, “salvação”, “hoje”, e “universalismo”. Lucas é um verdadeiro artista das palavras evangélicas!
Este trecho pode ser subdivido assim:
1) O contexto histórico e o nascimento de Jesus - 2, 1-7
2) Pronunciamentos angélicos explicando o sentido de Jesus - 2, 8-14
3) Respostas aos pronunciamentos dos anjos - 2, 15-20
A chave para a compreensão do texto se acha nos versículos 11-14. Aqui Lucas apresenta Jesus como o Messias davídico que trará o dom escatológico de paz, o Shalôm de Deus. Assim ele faz contraste com a figura de César Augusto. Na impotência da sua infância, Jesus é o Salvador que traz a verdadeira paz, em contraste com o poderoso Augusto, que era celebrado no culto oficial imperial como o fundador de um reino de paz, a “Pax Romana”. O “Shalom” é, na verdade, o contrário da “Pax Romana” como hoje seria o oposto da pretensa “paz” imposta pelos canhões e bombardeiros das forças militares prepotentes!. Essa revelação da parte dos anjos é recebida e aceita pelos humildes pastores e meditada por Maria, modelo de fé, e os discípulos, que terão que meditar e aprofundar o sentido de Jesus para eles, sem cessar!
Desde a Idade Média, o presépio tem mantido o seu lugar como um dos símbolos mais caros aos cristãos. Porém é bom não deixar que a cena do nascimento de Jesus se torne uma cena somente sentimental, com lembranças saudosas da nossa infância! O relato quer sublinhar a opção de Deus que se encarnou como pobre, sem as mínimas condições para um parto digno. Em nossos presépios até o boi e o asno tomaram banho! A realidade de nascer em uma gruta ou estrebaria era diferente! Jesus nasce em condições semelhantes a milhões de pobres e excluídos pelo mundo afora, nos dias de hoje! É mais uma manifestação da fraqueza de Deus, que é mais forte do que os homens! (I Cor 1, 25).
Diferente de Mateus - que tem outros interesses teológicos - os protagonistas dessa cena são os pastores. Na época eles eram considerados pessoas desqualificadas, marginais, sujas, ritualmente impuras. É para essa gente que os anjos revelam o sentido do acontecido e são eles os primeiros a encontrar Jesus recém-nascido. Assim, em Lucas, são pessoas à margem da sociedade que testemunham o nascimento de Jesus e igualmente são pessoas desqualificadas que são as testemunhas da Ressurreição - as mulheres! Lucas não perde oportunidade para destacar a opção preferencial de Deus pelos pobres e humilhados!
O trecho continua com mais três ênfases tipicamente lucanas - “não ter medo”, “sentir e expressar alegria” e o termo “hoje”. Os ouvintes poderão ter coragem e alegria, porque a salvação de Deus irrompe no mundo “hoje” - não em uma data futura distante. Esta idéia volta diversas vezes - na sinagoga, depois de fazer a leitura de Isaías, Jesus dirá que “hoje cumpriu-se essa passagem” (4, 21); a Zaqueu, Jesus afirma que “hoje a salvação entrou nessa casa” (18, 9); ao condenado na cruz, Jesus garante que “hoje estará comigo no paraíso” (23, 43). O Reino da Salvação está sendo inaugurado por Jesus, na fraqueza da exclusão social e não por César, com toda a pompa da corte e das armas! Em uma manjedoura e não em palácio imperial! Por parte de quem carece de força e prestígio e não pelos poderosos e fortes do mundo!
Os pastores não somente testemunham a presença do recém-nascido em Belém, mas anunciam o que disseram os anjos (v. 17). Essa Boa-Notícia complementa o que foi já anunciado à Maria em 1, 31-33, por Maria em 1, 46-45, e por Zacarias em 1, 68-79. É muito significativo o termo que Lucas emprega para descrever a reação de Maria: “Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19). Aqui Lucas retrata, através de Maria, a atitude do/a discípulo/a diante dos mistérios de Deus, revelados em Jesus - Maria não capta o significado pleno dos eventos e os rumina no seu íntimo. A idéia volta de novo em Lc 2, 51: “Sua mãe conservava no coração todas essas coisas”. É uma maneira de apontar para a caminhada de fé que Maria trilhou - e que todos nós, que não captamos o sentido pleno da ação de Deus em nossas vidas, teremos que andar.
O texto encerra afirmando que os pobres e marginalizados - personificados nos pastores: “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido” (v. 20). Qualquer celebração de Natal que não dê para os oprimidos motivo para alegria, coragem e louvor a Deus, pode ser tudo, menos uma celebração cristã!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br

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domingo, 20 de dezembro de 2015

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO (20.12.15) Lucas 1,39-45

“Bendito o fruto do seu ventre!”

Para entender bem a finalidade de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo da sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste, e também a continuidade,  entre a Antiga e a Nova Aliança.  A primeira está retratada nos eventos que giram ao redor do nascimento de João Batista, e tem os seus representantes em Isabel, Zacarias e João;  a segunda está nos relatos ao redor do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus.   Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada - os seus símbolos são Isabel, estéril e idosa, Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo, e o neném que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento.   Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus.  Mais adiante Lucas enfatiza este contraste nas figuras de Ana e Simeão, no Templo, (Lc 2, 25-38),  quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes  deixar o teu servo partir em paz.  Porque meus olhos viram a tua salvação”(2, 29)
Assim, não devemos reduzir o texto de hoje a um relato que pretende mostrar a caridade de Maria em cuidar da sua parente idosa e grávida.  Se a finalidade de Lucas fosse mostrar Maria como modelo de caridade, não teria colocado versículo 56, que mostra ela deixando Isabel na hora de maior necessidade: “Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa,” antes do nascimento de João.
Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos quatorze anos enfrentasse uma viagem tão perigosa como a de Galiléia à Judéia!  A intenção de Lucas é literária e teológica.  Ele coloca juntas as duas gestantes, para que ambas possam louvar a Deus pela sua ação nas suas vidas e para que fique claro que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria.   Por isso, Lucas tira Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente as suas personagens principais: de um lado, Isabel, Zacarias e João; do outro lado, Maria, José e Jesus.
O fato que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” no seu ventre, na tradução da Septuaginta de Gn 25,22.  O contexto, especialmente versículo 43, salienta que João reconhece que Jesus é o seu Senhor.  Com a iluminação do Espírito Santo, Isabel pode interpretar a “agitação” de João no seu ventre - é porque Maria está carregando o Senhor.  As palavras referentes a Maria: “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre”(v. 42) fazem lembrar mais duas mulheres que ajudaram na libertação do seu povo, no Antigo Testamento: Jael (Jz 5,24) e Judite (Jd 13,18).  Aqui Isabel louva a Maria que traz no seu ventre o libertador definitivo do seu povo.
Finalmente, vale destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” (v. 45): “Bem-aventurada aquela que acreditou.”  Maria é bendita em primeira lugar, não pela sua maternidade somente, mas pela fé - em contraste com Zacarias, que não acreditou.  Assim, Lucas apresenta Maria principalmente como modelo  de fé. Notemos que neste capítulo primeiro nós encontramos frases que podem fundamentar uma compreensão correta da visão bíblica da pessoa e função de Maria, que pode unir em lugar de dividir cristãos das diversas confissões: “Ave Maria” (1,28); “Cheia de graça” (1,28), “O Senhor é convosco”(1,28), “Bendita sois vós entre as mulheres”(1, 42), “Bendito o fruto do vosso ventre”(1,42). Lucas nos apresenta a mãe do Senhor como modelo de fé para todos nós!  Benditos somos nós, se realmente acreditarmos na Palavra de Deus!
Tomaz Hughes SVD
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 13 de dezembro de 2015

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO (13.12.15) Lucas 3, 10-18

 “Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo”

Esta passagem trata da pregação de João Batista, que: “Percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados”( v.3)
O início do texto, versículos 10-14, que constam somente em Lucas,  mostra bem a sua teologia e contexto - não são os líderes religiosos que estão prontos para arrepender-se, mas o povo comum e até pessoas que estavam à margem da sociedade - como cobradores de impostos e soldados.  Mais adiante no Evangelho são estas as pessoas que vão responder positivamente diante da pregação do próprio Jesus.  Escrevendo para as comunidades pelo ano 80-85 d.C., Lucas quer lembrar aos cristãos que eles também devam estar abertos para achar sinceridade e bondade fora das vias “aceitáveis” - como fizeram João e Jesus!
A frase lapidar do trecho é a pergunta que os diversos grupos formulam para João: “O que devemos fazer?”  Esta pergunta aparece mais vezes no Terceiro Evangelho, em Lc 10, 25 (na boca dum doutor da Lei) e Lc 18,18 (uma pessoa importante), e também nos Atos dos Apóstolos: At 2,37 (os judeus depois da pregação do Pedro), At 16,30  (o carcereiro gentio de Filipos), At 22,10 (Saulo, o perseguidor).  Usando este artifício, Lucas quer salientar que é uma pergunta que tem que ser feita constantamente durante a nossa caminhada.  Não há cristão que possa se dispensar de fazê-la sempre, por achar que já sabe a resposta.
É interessante que João, embora uma pessoa de cunho fortemente ascético, não exige sacrifícios ou práticas religiosos como jejum e abstinência.  Ela enfatiza uma exigência muito mais radical, que atinge o cerne do nosso ser - uma preocupação com os mais pobres, manifestada na busca de justiça e solidariedade.  As Campanhas da Fraternidade seguem esta linha de João - pois muitas vezes é mais fácil abster-se de uma carne ou uma bebida do que engajar-se na luta por um mundo melhor.
Este trecho traz à tona mais uma vez um dos temas principais do Evangelho de Lucas - o uso correto dos bens materiais.  No fundo, João aqui prega antecipadamente o que mais tarde Jesus vai ensinar - a partilha dos bens com as pessoas que sofrem necessidades, a justiça nos relacionamentos econômicos e políticos,  a conversão que se manifesta numa mudança radical da vida.
A segunda parte da passagem insiste que João é inferior a Jesus.  João batiza com água como agente de purificação, mas Jesus usará a força purificadora maior do Espírito Santo e do fogo.  Lucas vai mostrar em Atos 2 - na história de Pentecostes - como o fogo do Espírito Santo cumpre a sua missão nas pessoas.
O texto termina com a declaração que “João anunciava a Boa Notícia ao povo de muitos  outros modos”(v.18). O que João prega é tão semelhante ao que Jesus pregará que também merece ser taxado de “Boa Notícia”.  A boa notícia da chegada da misericórdia e da salvação de Deus de uma forma gratuita, mas que exige resposta decidida de cada pessoa.  É a crise existencial do mundo todo - aceitar ou rejeitar a salvação oferecida gratuitamente em Jesus.  Para Lucas esta decisão tem que ser renovada sempre, através da pergunta “o que devemos fazer”, enquanto continuamos andando “pelo caminho”!
Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
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sábado, 5 de dezembro de 2015

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO (06.12.15) Lucas 3,1-6

 “Esta é a voz de quem grita no deserto: preparem o caminho do Senhor”

Atrás das informações históricas deste texto, referentes às autoridades seculares e religiosas que teriam influência nos primórdios do cristianismo, jaz a realidade trágica da resposta negativa deles à Palavra de Deus e aos seus mensageiros, João o Batista, e Jesus, o Cristo!  Na pessoa do Pôncio Pilatos, a autoridade romana vai agir na decisão de assassinar o Messias;  entre os governantes da Palestina, Herodes Antipas aparece diversas vezes no Evangelho, sempre com juízo negativo, e será o responsável pela morte de João, além de estar presente no sofrimento  de Jesus na Semana Santa;  Anás (Sumo Sacerdote de 6 - 15 d.C) e o seu genro Caifás (Sumo Sacerdote de 18 -37 d.C) só funcionam porque os romanos permitiam e realmente foi a eles que serviam.  Os Sumos Sacerdotes sempre serão hostis a Jesus e à sua pregação e no fundo eram eles os responsáveis pela sua morte.
No meio deste elenco de poderosos corruptos e perseguidores, Deus manda João Batista, como arauto do novo tempo de graça e salvação. Deus não permite que a perversidade e a maldade tenham a palavra final na história da humanidade.  Essa será mais tarde a mensagem básica do Apocalipse - o mal já é um derrotado, e embora possa parecer diferente, é Deus e não a maldade que controla a caminhada da história.  Mensagem de conforto às comunidades sofridas do fim do primeiro século.  Mas esta vitória não se concretiza sem que haja luta, sacrifício, e cruz!
Lucas põe na boca de João um trecho de Isaías:
“Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas estradas.  Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados.  E todo homem verá a salvação de Deus”( v.4-6)
Sem dúvida, podemos entender este trecho com sentido metafórico, como descrição de uma mudança radical no estilo de vida de quem quer aceitar o convite à penitência e ao arrependimento.  Os vales a serem aterrados, as montanhas e colinas a serem aplainadas, os caminhos esburacados a serem nivelados, simbolizam os empecilhos em nossas vidas a um seguimento mais radical e coerente de Jesus. Quem aceita a sua mensagem terá que mudar radicalmente - isso é, na raiz - a sua vida.  Advento, embora não seja tempo de penitência no sentido que a Quaresma é, se torna tempo oportuno para uma revisão de vida, para descobrir quais são as curvas, montanhas, e pedras que teremos que tirar para que o Senhor realmente possa habitar nos nossos corações. O Papa Francisco indica um elemento a ser vivido mais profundamente na vida individual de todo cristão, e na comunidade da Igreja: A misericórdia, tema tão caro ao autor do Terceiro Evangelho, e algo que muitas vezes falta nas nossas relações em todos os níveis.
O último versículo:“E todo homem verá a salvação de Deus”( v. 6) faz eco ao tema lucano da universalidade da salvação, usando esta frase que não se encontra no texto paralelo de Mc 1,3.  Ninguém é excluída da mensagem e oferta da salvação.  Mas a resposta depende de cada um de nós!
Tomaz Hughes SVD
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

CAMPANHA DE EVANGELIZAÇÃO DE 2015



Clique no link, para ver o vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=PbFPyNpuY6Q

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO (29.11.15)
Lucas 21, 25-28.34-36

“A libertação de vocês está próxima”
            Neste primeiro domingo do Ano Litúrgico, Lucas nos mergulha em um dos discursos escatalógicos do seu Evangelho. Sendo assim, usa imagens e símbolos que não são da nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis a serem compreendidos pelos ouvintes de hoje. Porém, na literatura apocalíptica não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente - o mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro - não cada imagem e símbolo, mas a sua mensagem de conjunto.
            O texto nos apresenta a figura do “Filho do Homem” - o título que os Evangelhos mais usam para Jesus e que nós pouco usamos. Este título vem de um trecho do livro apocalíptico de Daniel: “Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha alguém como um filho de homem... Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído.” ( Dn 7, 13s)
            Jesus recorda aos seus discípulos a mensagem de ânimo que trazia o Livro de Daniel aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C. - que embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores, sejam mais fortes do que o poder de Deus, isso não passa de uma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, através do seu Ungido - o Filho do Homem - revelará o seu poder, e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. Isso acontece agora em Jesus!
            Qualquer interpretação de um texto apocalíptico que bota medo nos ouvintes que sofrem as consequências do reino opressor de qualquer época é necessariamente errada, pois a função da literatura apocalíptica é de animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central do nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e erguem a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima.” (v. 28)
            Este trecho tem uma dimensão fortemente cristológica - nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, tem em seu controle todas as forças, sejam elas de guerra (v. 9) ou do mar - símbolo de forças indomináveis na literatura judaica da época (v. 25). O versículo acima citado traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados (v. 26), os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem.
            Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que: “Os corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida.” (v. 34).     Pois é fácil assumir as atitudes do mundo, sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: “Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força” ( v. 36).
            O Advento é tempo oportuno para que examinemos a nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos o tempo todo para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos as nossas forças, para não cairmos na armadilha da “inatenção” no meio das preocupações e barulhos do mundo moderno, para que os nossos corações continuem “sensíveis” aos apelos do Senhor, através dos irmãos e irmãs, no nosso dia-a-dia!  Por feliz coincidência, esse Advento vai ser marcado pelo início do “Ano Jubilar de Misericórdia” e o Ano Litúrgico que hoje inicia usa nos Domingo Comuns o Evangelho de Lucas – o Evangelho da Misericórdia, por excelência!  Sejamos vigilantes para que a misericórdia seja característica das nossas relações e para que não caiamos nas ciladas de atitudes de violência, vingança e dureza de coração, típicas da nossa sociedade hoje, e tão propagadas pela mídia hoje.

Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristoao.com.br

sábado, 21 de novembro de 2015

FESTA DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO (22.11.15) Jo 18, 33b-37

“Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz”

Na Igreja Católica, hoje, último domingo do Ano Litúrgico, celebra-se a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.  A festa foi estabelecida na época dos governos totalitários nazistas, fascistas e comunistas, nos anos antes da Segunda Guerra, para enfatizar que o único poder absoluto é de Deus.  Nos dias de hoje, em que milhões padecem as consequências de um novo tipo de totalitarismo disfarçado, o do poder econômico inescrupuloso, torna-se atual a inspiração original da festa – que Deus é o único Absoluto.  Em um mundo que não ateu mas idolátrico, pois presta culto ao lucro, a festa de hoje nos desafia para que revejamos as nossas atitudes e ações concretas – para descobrir o que é para nós, na verdade, o valor absoluto das nossas vidas.
O texto é tirado da paixão segundo João – o diálogo entre Jesus e Pilatos sobre a verdadeira identidade de Jesus.  Com a ironia que lhe é típico, João faz com que Pilatos – o representante do poder absoluto da época, o Império Romano - apresenta Jesus como Rei, o que ele é na verdade, mas não da maneira que Pilatos pudesse entender. O Reino de Jesus é o oposto do Reino do Império Romano – não é opressor, nem injusto, nem idolátrico, mas o Reino da justiça, fraternidade, solidariedade e partilha, o Reino do Deus da Vida.
É exatamente por pregar e semear este Reino que Jesus deve morrer – aliás não morrer mas ser matado, o que é diferente.  Pilatos demonstra isso quando ele deixa claro quem entregou Jesus, pedindo a sua morte.  Não foi o povo, mas os sumos sacerdotes que o entregaram (v. 35).  É importante entender o que isso significa, pois se Jesus foi matado, houve algum motivo e houve alguém que o matasse.  Os sumos sacerdotes eram, no tempo de Jesus, todos nomeados pelos romanos, dentro do partido dos saduceus, o partido da elite jerosalemita, donos de terras e do comércio, e chefes do Templo.  O Templo funcionava como “Banco Central”, centro de arrecadação de impostos e lugar de câmbio monetário, uma vez que não se aceitava nele a moeda corrente.  Jesus, portanto, foi assassinado pelo poder político, econômico e religioso, coniventes com o poder imperialista, representado por Pilatos.  Pois o Reino de Deus se opõe frontalmente a qualquer reino opressor, como era o de Roma.
            A realidade vivida por Jesus continua hoje.  O seguimento de Jesus, na construção dum Reino de justiça e paz, do shalôm de Deus, necessariamente vai entrar em conflito com os reinos que dependem da exploração e da injustiça.  Normalmente, esses poderes primeiro vão tentar cooptar a igreja, para que, em lugar de ser voz profética diante das injustiças, torne-se porta-voz dos valores desses reinos. E não faltarão incentivos, monetários e outros, para que as igrejas caiem nesta cilada.  Por isso, como nos advertiram os textos nos últimos domingos, é necessário que fiquemos sempre vigilantes para verificarmos se a nossa vida prática está mais de acordo com o Reino de Deus ou o reino de Pilatos.
Para João, Jesus provoca a grande crise da história.  Diante da verdade, que é Ele, todos têm que se posicionar.  Ele, como todo profeta, não causa a divisão, mas desmascara a divisão que existe dentro da sociedade, a divisão entre o bem e o mal, entre um projeto da morte e um projeto da vida, uma divisão que permeia todos os elementos da sociedade.  Diante dele, não há lugar para meio-termo - todos têm que optar.  Por isso, a nossa festa de hoje, longe de ser algo triunfalista, nos desafia para que façamos um exame de consciência – tanto individual como eclesial e comunitário - para verificar se o nosso Rei é realmente Jesus, ou se, mesmo duma maneira disfarçada, continua sendo Pilatos!
Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
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sábado, 14 de novembro de 2015

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM (15.11.15) Mc 13, 24-32

 “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”


Este texto nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos, e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas das quais desconhecidas para nós.  Porém a sua mensagem central fica clara – o triunfo final do Filho do Homem, mandando por Deus para estabelecer o seu Reino.  A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas em um contexto novo, em que a vinda escatalógica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central.  A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus – e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatalógico de Marcos.
Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10, Ez 32,7; Am 8,9; Jl 2,10.31; 3,1`5; Is 34,4; Ag 2,6.21;  Mas em nenhum lugar no Antigo Testamento se refere à vinda do Filho do Homem – é uma novidade do Evangelho.  A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final.  A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7,13, mas aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel.  A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2,10.  Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30,4; Is 11,11.16; 27,12. Ez 39,7 etc. – mas nunca no Antigo Testamento é o Filho do Homem que faz esse trabalho.
A segunda parte do texto consiste em uma parábola (vv. 28-29), um ditado sobre a hora do fim (v 30), sobre a autoridade de Jesus ( v. 31) e de novo sobre a hora (v 32).   Nem sempre fica claro a que se refere – o que se fala sobre essas coisas acontecerem “nessa geração” tem como contrabalanço o v. 32 que diz que somente Deus sabe a hora exata.  A parábola sobre os sinais claros da chegada do fim (vv. 28-29) tem em contraposição a parábola da vigilância constante (vv. 33-37).   Mas continua clara a mensagem básica – a vitória final do projeto de Deus, concretizada através de Jesus, o Filho do Homem.  Mas a certeza dessa vitória não dispensa a atitude de vigilância constante por parte dos discípulos, para que não se desviem do caminho.
Pode parecer confuso o nosso texto – e para nós hoje, de uma certa forma o é.  Mas, inserido no contexto do Discurso Escatalógico (referente aos tempos finais) do Evangelho, nos traz uma mensagem de esperança e uma advertência.  A esperança nasce do fato de que a vitoria de Deus é garantida – um elemento fundamental em todo apocaliptismo.  A advertência está na necessidade de vigilância constante, para que não percamos a hora do Filho. Em um mundo de desesperança e falta de ânimo por parte de muitos, o texto convida nós, os discípulos, a uma atitude positiva que nos leva a um engajamento maior em prol da construção do Reino entre nós.  Mas também nos desafia para que estejamos sempre vigilantes para não sermos cooptados pela sociedade vigente, opressora e consumista, que muitas vezes se baseia em princípios contrários aos do Reino de Deus.  As palavras de Jesus têm um valor permanente, para que possamos julgar as diversas propostas de vida que o mundo nos apresenta.  “O céu a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.
 Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Agradecimento Por Graças Alcançadas

Placas, colocadas em agradecimento à graças alcançadas, por intercessão do Padre Pedro, no seu túmulo, no Cemitério Central de São José dos Pinhais.
Foto: Maria Auxiliadora

Você Sabia - Faz Parte de sua História

Você Sabia!!!
Que Padre Pedro Fuss, quando era Paróco da Matriz de São José dos Pinhais, em São José dos Pinhais, hoje Catedral, promovia mensalmente um jantar e convidava às pessoas mais esquivas à igreja, para participarem. Oportunamente aproveitava, durante o jantar para realizar ensinamentos da fé cristã. Certa ocasião um juís, após ouví-lo, confessou tempos depois, a grande influência que ele, Pe. Pedro, teve sobre suas deliberações no tribunal.
Fonte:Jornal Folha de São José, de 26.06 à 10.07 de 1991
Foto: Arquivo pessoal de Tile Angel

sábado, 7 de novembro de 2015

TRIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM (08.11.15) Mc 12, 38-44

“Esta viúva pobre depositou mais do que todos os que depositaram dinheiro”

No Evangelho de Marcos, uma das poucas coisas positivas que Jesus encontrou na sua última semana de vida em Jerusalém foi o gesto do viúva pobre que depositou duas das menores moedas da época no cofre do Templo!  Ela aparece no texto de hoje em contraste com um certo tipo de liderança religiosa da época.  O texto relata dois acontecimentos (vv. 38-40; vv. 41-44). O primeiro condena os escribas hipócritas, que concretizam tudo que Jesus quer que os seus discípulos evitem  Ele adverte contra o sua anseio de prestígio  e honras (vv. 38b-39) – perigo constante para os líderes religiosos de todos os tempos e de todas as religiões! – e o fato de eles esgotarem os recursos das viúvas enquanto demonstravam a aparência de piedade (v.40).  Embora essa passagem seja muito mais suave do que Mateus 23, também tem sido usada historicamente para atacar os judeus.  Mas ele não critica todos os escribas, muito menos todos os judeus, mas somente um tipo de escriba (vv. 28-34), os que desviavam o verdadeiro sentido do seu serviço religioso.
Na antiguidade os escribas podiam servir como administradores dos bens das viúvas.  Muitas vezes cobravam uma parte dos bens como pagamento – e um escriba com fama de piedade tinha muitas possibilidades de ganhar clientes!  Por causa da sua avareza e hipocrisia, esses escribas receberão uma condenação severa no Dia do Juízo, o tribunal mais alto que existe!
Do outro lado, a viúva pobre, embora contribua com quase nada em termos monetários, representa a verdadeira espiritualidade dos seguidores de Jesus.  Pois ela contribui com tudo o que ela tinha para viver, e não com o supérfluo! (v.44).  Ela simboliza o grupo dos “pobres de Javé” - os que depositavam toda a sua confiança em Deus e não nas riquezas nem no poder.  Já em outros textos (cf. Mc 10, 17-30) Jesus enfatizou que era difícil para um rico entrar no Reino de Deus – pois facilmente ele confia nas suas riquezas e não no poder de Deus.
A viúva anônima demonstra o fundamento da espiritualidade dos “pobres de Javé” - gratuidade e doação total, aliadas a uma confiança absoluta em Deus.  Contrastando a sua ação com a atitude dos ricos, Jesus implicitamente condena o sistema do Templo, pois explorava os mais pobres, exigindo até a oferta dos seus parcos recursos, para que pudessem ter acesso a Deus!  Assim, Jesus mostra que Deus rejeita qualquer religião que explora e se enriquece às custas dos pobres.  Hoje não é raro encontrar grupos religiosos que exploram os mais pobres em nome de Deus, com falsas promessas.   O texto de hoje nos convida para que nos examinemos a nós mesmos, para verificar se as nossas práticas religiosas estejam revelando o rosto verdadeiro do Deus dos pobres e para que evitemos totalmente quaisquer projetos – mesmo em nome de Deus – que tiram dos mais necessitados o pouco que eles ainda têm.  Também somos convidados a evitar os critérios humanos em julgar as pessoas, pois pode acontecer que alguém doe muito, sem que lhe custe nada, pois vem do seu supérfluo, enquanto frequentemente a “moeda da viúva”, oferecida pelos pobres, tem muito mais valor diante do Senhor.  Somos convidados a olhar e enxergar as coisas com os olhos de Deus e não da sociedade materialista e consumista de hoje.
Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

VOCÊ SABIA!!!

Você sabia!!!
Que Padre Pedro Fuss, assumiu suas funções na Paróquia de São José, (Em São José dos Pinhais, hoje Catedral), em 13 de maio de 1956 (dia da Aparição de Nossa Senhora de Fátima), e que suas principais funções foram assumidas em datas alusivas à Maria Santíssima, por quem tinha especial devoção?
Fonte:Folha de São José de 26.06 à 10.07 de 1991
INFORMAÇÕES TIRADAS DESTE BLOG

PAPA FRANCISCO









Fonte: www.google.com - catequizzar.blogspot.com

sábado, 24 de outubro de 2015

Você Sabia!!!

Que foi Padre Pedro Fuss, foi quem em 1971, realizou a primeira Campanha da Fraternidade, no Município de São José dos Pinhais - Paraná
Fonte:Jornal Folha de São José, de 26.06 à 10.07 de 1991 - Dados fornecidos por Rosi e João Moro.




TRIGÉSIMO DOMINGO COMUM (25.10.15) Mc 10, 46-52

“E seguia Jesus pelo caminho”
Estamos no fim da caminhada de Jesus de Cesaréia de Felipe até a sua morte e ressurreição em Jerusalém. No texto de hoje, Marcos encerra o bloco todo da caminhada com o último milagre de Jesus que ele relata - a cura do cego Bartimeu.
O texto começa com um senso de urgência - chegaram a Jericó e logo saíram. Parece que Jesus tem pressa para caminhar até Jerusalém. E lá está o cego Bartimeu. Onde? Sentado à beira do caminho! Enquanto Jesus está “a caminho” com os discípulos d’Ele, o cego está à beira do caminho, sentado! Simboliza todos os que não conseguem caminhar no discipulado e estão parados, à beira do caminho do seguimento de Jesus.
Este texto está bem carregado de sentido. Logo que Bartimeu ouve que é Jesus que passa, ele grita fortemente! “Filho de Davi, tem piedade de mim!” É de novo um dos temas centrais da Bíblia - o grito do pobre e sofrido! Desde o grito do sangue de Abel, passando pelo grito do Êxodo, de Jó, dos pobres nos Salmos, de Bartimeu, de Jesus na Cruz, dos martirizados do Apocalipse, o tema do grito do sofrido perpassa toda a Escritura, com a garantia de que Deus ouve esse grito. Mas, a reação dos transeuntes é típica - mandam que Bartimeu se cale! O poder dominante sempre quer abafar o grito do excluído! Isso não mudou até os dias de hoje! É só verificar o pouco caso que a nossa sociedade faz diante da opressão e massacre dos povos indígenas, diante de sofrimento dos excluídos e marginalizados pela sociedade de consumo. Até nas Igrejas existe quem não queira ouvir o grito, e faz de tudo para abafar qualquer iniciativa popular. Mas Deus ouve!
Com um fino toque de ironia, o texto mostra como, por causa da atitude de Jesus, os mesmos que o mandaram calar, agora têm que convidá-lo para falar com Jesus. Porém para isso Bartimeu tem que lançar fora o manto - a única coisa que ele possuía, a sua única segurança. É a sua roupa, o seu cobertor à noite, o que ele usa para recolher as esmolas. Ele o joga fora, embora seja cego, e não tem certeza que vai ser curado. Como os primeiros discípulos no lago (Mc 1, 18.20), ele aprende que não é possível seguir Jesus sem deixar algo, sem arriscar a segurança humana para experimentar a mão de Deus.
É bom notar que Jesus não parte imediatamente para a ação. Ele respeita a liberdade do cego e pergunta “o que quer que eu faça por você?” (v. 51). Pois, Jesus não obriga ninguém a se libertar - há quem prefira ficar sentado à beira do caminho, no seu comodismo, quem não opte pela libertação. Mas, Bartimeu quer ver de novo.  Diferente do cego de Jo 9 - cego de nascença - ele via anteriormente e tinha perdido a visão. Aqui ele simboliza a comunidade marcana pelo ano 70, que tinha perdido a clareza da fé, e que precisava o toque de Jesus para que voltasse a ver claramente.
Curado, Bartimeu recebe licença para ir, para seguir a sua vida. Mas, ele faz uma outra opção: “no mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho” (v. 52). Ele usava para Jesus um titulo não muito adequado “filho de Davi”, pois em Mc 12, 35-37, Jesus fez muitas restrições a este título messiânico, mas ele tem a prática certa - segue Jesus pelo caminho. Aqui Marcos faz contraste com a figura de Pedro, que tinha o título certo “Tu és o Messias” (Mc 8, 29), mas a prática errada! Não quis que Jesus caminhasse para a doação total da sua vida, n Cruz! Aqui o modelo de discípulo não é Pedro, mas, Bartimeu! Pois mais importante do que os títulos e expressões teológicas, sem negar a sua importância relativa, é a prática do seguimento de Jesus! Um alerta para todos nós, para que a nossa prática seja coerente com a nossa fé, no seguimento de Jesus, em favor do Reino de Deus e seus valores!
Tomaz Hughes SVD
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 18 de outubro de 2015

VIGÉSIMO NONO DOMINGO COMUM (18.10.15) Mc 10, 35-45

“Quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos.”

No esquema do Evangelho de Marcos, o texto de hoje situa-se quase no fim da caminhada de Jesus com os seus discípulos para Jerusalém, o lugar do desfecho de toda a missão d’Ele. Pela terceira vez, Ele tem dado aos seus mais íntimos colaboradores o anúncio sobre a sua paixão e morte: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar d’Ele, cuspir n’Ele, vão torturá-lo e matá-lo”. Novamente uma colocação mais do que clara sobre o que significa ser o Messias (Cristo em grego) de Deus, mas que não surte efeito - os discípulos, cegados pela ideologia dominante, não são capazes de entender o sentido da vida de Jesus, e, por conseguinte, o sentido de ser discípulo d’Ele. Como Pedro depois do primeiro anúncio, e todos os Doze depois do segundo, João e Tiago conseguem resistir ao ensinamento de Jesus, numa tentativa de impor a sua própria agenda!
Apesar de ouvirem que Jesus veio para dar a sua vida em serviço de todos, os irmãos pedem os primeiros lugares quando Jesus entrasse na sua glória. O desejo de dominar estava muito enraizado neles. É tão gritante o descompasso entre o ensinamento de Jesus e os desejos dos dois irmãos, que Mateus, relatando a mesma historia, suaviza o texto de Marcos, fazendo com que a mãe deles fizesse o pedido! (Mt 10, 20). A queixa de Deus no Antigo Testamento de que o seu povo era um povo de “cabeça dura” se atualiza nos Doze!
Não devemos pensar que eram somente os dois filhos de Zebedeu que sentiram o gosto pela dominação. É interessante notar a reação dos outros dez diante do pedido feito: “Quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João” (v. 41). Por que ficaram com raiva? Não porque achavam sem sentido o pedido dos dois, mas porque, no fundo, cada um deles queria ter o lugar de honra e poder! O vírus de dominação é mais do que contagioso!
Mais uma vez, Jesus demonstra paciência histórica com os seus seguidores. Contrasta o sistema de organização da sociedade com aquele que queria para a comunidade dos seus discípulos: “entre vocês não deve ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servo de vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos” (vv. 43-44). E deixa bem claro o motivo - não por causa de uma humildade qualquer, mas porque Ele nos deu o exemplo: “porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (v. 45). Ser discípulo de Jesus é ter o mesmo ideal, a mesma prática que Ele!
            O texto torna-se muito atual para os dias de hoje. Infelizmente, o contraste feito por Jesus entre os seus seguidores e o sistema da sociedade secular nem sempre se verifica. Existe, nos últimos anos de forma mais acentuada, uma busca de status e do poder dentro do seio das igrejas, talvez especialmente entre o clero mais jovem. O Papa Francisco não cansa de combater essa tendência.  Mas, ninguém pode se achar imune diante desta tentação, pois está bem enraizada dentro de todos nós. Somente uma mística bem cultivada do seguimento de Jesus, fundamentada na Palavra da Escritura, poderá nos ajudar para que realmente construamos uma Igreja onde se demonstre que “entre vocês não deve ser assim”.
 Tomaz Hughes SVD

Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br

domingo, 11 de outubro de 2015

VIGÉSIMO OITAVO DOMINGO COMUM (11.10.15) Mc 10, 17-30

“Como é difícil entrar no Reino de Deus”

            O nosso texto inicia-se com a frase: “Quando Jesus saiu de novo a caminhar”. Novamente estamos na caminhada com Jesus, uma caminhada que é uma aprendizagem para o discipulado, uma caminhada que o leva cada vez mais perto a Jerusalém, lugar da crise definitiva da sua vida. Ao longo dessa caminhada, Jesus luta com a incompreensão dos seus discípulos, até dos mais chegados a Ele, pois a mentalidade deles era formada pela ideologia dominante, e assim tinham a maior dificuldade em apreciar a reviravolta de valores que Jesus e a sua mensagem significavam. Nos domingos anteriores, vimos essa tensão no trato das questões do poder, do divórcio, das crianças. No nosso texto de hoje, Jesus põe em cheque o ensinamento comum sobre a riqueza e a pobreza.
A cena é muito conhecida - um homem pede orientação sobre como entrar na vida eterna. Em um primeiro momento, Jesus coloca diante dele a exigência conhecida por todo judeu piedoso e ensinada pelas escolas rabínicas - o cumprimento dos mandamentos. Mas o homem - sem dúvida um praticante piedoso da Lei - sente que isso não é o suficiente, pois é o mínimo. Assim, Jesus põe diante dele as exigências do Reino - o seguimento d’Ele, o despojamento dos bens, a partilha e a solidariedade. Isso o homem é incapaz de aceitar. Estava amarrado aos seus bens, pois era muito rico (v. 22).  Fez a sua opção - optou por uma vida “regular” que não exigisse partilha nem despojamento, e como consequência foi embora “muito abatido” - pois tinha colocado bens secundários acima do bem maior.
O centro do relato está no debate entre Jesus e os seus discípulos. O Mestre afirma que “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!” (v. 25). Muitas vezes gastamos muita energia em debater o que significa “o buraco da agulha” (quase sempre tentando diminuir o seu impacto!) e deixamos de lado o aspecto mais importante - a reação dos discípulos! Eles ficaram “muito espantados” quando ouviram isso e se perguntaram “então quem pode ser salvo?”. Por que ficaram espantados? O que houve de espantoso na colocação de Jesus? Aqui está o âmago da questão.
O espanto dos discípulos - também todos judeus praticantes e piedosos - era causado pelo fato de que, na ideologia religiosa vigente, a riqueza era considerada sinal da bênção de Deus e a pobreza como sinal da maldição (uma ideia presente em certas seitas hoje e que às vezes infiltra certas pregações sobre o dízimo na própria Igreja Católica!). Para eles, quem não iria se salvar era o pobre, pois o rico era abençoado. Aqui é bom lembrar que se trata de “entrar no Reino de Deus”, o que não é sinônimo de salvação eterna. A salvação depende da gratuidade e misericórdia de Deus, e diante de tal mistério só cabe à gente calar-se. O Reino de Deus deve ser uma experiência já existente entre nós, mesmo que não em plenitude, e que significa experimentar na vida os valores do Reino. O rico dificilmente entra nesta dinâmica porque normalmente é auto-suficiente, atrelado a um sistema classista e injusto e com grande dificuldade para partilhar e de sentir a sua dependência de Deus.
A proposta de Jesus desafia as ideologias, disfarçadas de teologia e espiritualidade, que vêem a riqueza como sinal da bênção de Deus. A proposta d’Ele não é a riqueza, mas a partilha; não é a acumulação, mas a solidariedade e a justiça, para que todos possam ter o suficiente. O texto deixa claro que quem quer viver esta proposta vai sofrer, pois o mundo não vai aceitá-la. Quem segue Jesus na prática da solidariedade, encontra uma felicidade mais duradoura, mas com perseguição; porém, já vive a certeza da plenitude do Reino que virá (v. 29-31).
Tomaz Hughes SVD

Imagem: www. google.com - www. diocese-sjc.org.br

domingo, 4 de outubro de 2015

Se vivo fosse hoje complearia 105 anos

Nascido em 04/10/1910, se vivo fosse hoje estaria completando 105 anos.
A comunidade não o esquece, todos sempre estão lembrando dele, e aprendendo a viver com sua saudade.
Deus o tenha, estimado Pe. Pedro Fuss!
Foto: Acervo pessoal de Tile Engel

VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO COMUM (04.10.15) Mc 10, 2-16



“O que Deus uniu, o homem não deve separar”

Durante a caminhada d’Ele rumo a Jerusalém, onde o poder central religioso-político vai condená-Lo à morte, no intuito de acabar não somente com a pessoa d’Ele, mas com o seu projeto, Jesus, no texto de hoje, entra primeiro em controvérsia com os fariseus, os guardiães da prática fiel da Lei. Esses, que gozavam de muito prestígio diante da população mais simples, se outorgavam o direito de serem os únicos intérpretes autênticos da vontade de Deus, através da sua interpretação da Lei. Por isso entram em conflito com Jesus, não na busca de conhecer melhor a vontade do Pai, mas, como ressalta o texto “para tentá-lo” (v. 2). O campo de batalha escolhido era o debate sobre o divórcio. O texto de referência para eles era Dt 24, 1-4, onde não se trata da legitimidade do divórcio, mas, dos critérios para que possa acontecer.
O Evangelho de Mateus, no Capítulo 19, deixa mais claro do que Marcos o sentido do debate (veja Mt 19, 1-9). O pano de fundo eram os critérios necessários para que um homem pudesse divorciar a sua mulher (nem se cogitava a mulher pudesse divorciar o marido, pois a mulher era considerada “objeto” que pertencia ao homem!). No tempo de Jesus havia duas tendências, simbolizadas pelas escolas rabínicas dos grandes fariseus Hillel e Shammai. Uma escola, mais laxista (Hillel), ensinava que se podia divorciar a mulher por qualquer motivo, mesmo dos mais banais. A escola mais rigorosa - do Shammai - só permitia o divórcio por motivos muito sérios. Por isso, em Mateus a pergunta se define melhor: “é permitido divorciar a mulher por qualquer motivo que seja?” (Mt 19, 4).
Em ambos os evangelhos, Jesus se recusa a entrar no debate de casuística que cercava a questão e se limitava a reafirmar o projeto do Pai para o casamento: “Portanto, o que Deus uniu o homem não deve separar”. Jesus reafirma com toda firmeza o ideal do casamento cristão - uma união permanente, baseada no amor, e fortalecida pela graça do sacramento. Seria inútil buscar nesse trecho uma teologia mais desenvolvida do casamento, muito menos orientações pastorais para os problemas práticos de casamentos malsucedidos, pois, isso não foi a intenção do autor. Marcos simplesmente reafirma o princípio de que “o que Deus uniu, o homem não deve separar”. Deixa em aberto a questão de quando é que Deus realmente uniu o casal! Será que, só porque passaram por uma cerimônia validamente celebrada na igreja, um casal é necessariamente unido por Deus? Os problemas reais são muito mais complexos, angustiantes e difíceis de serem solucionados, como reconhece claramente o Papa Francisco, bem como qualquer pessoa com coração pastoral.  Por isso mesmo devemos rezar para que o próximo Sínodo seja iluminado pelo Espírito, para que possa indicar pistas para o tratamento misericordioso e compassivo de quem se acha nessas situações difíceis.
            O trecho continua com a questão das crianças. A questão aqui não é a criança como símbolo da inocência mas de dependência. As crianças e os que se assemelham com elas vivem essa situação de dependência, de “sem-poder”. Quem quer entrar no Reino de Deus terá que abrogar-se de todo poder dominador, tornando-se como criança.
            Recusando-se de aceitar a situação em que a mulher era simples objeto de posse do homem e assim passível de ser divorciada, e propondo o fraco e dependente como modelo em uma sociedade que valorizava o prepotente, Jesus mostra que os valores do Reino de Deus estão na contra-mão dos valores da sociedade do seu tempo - e de hoje. Propõe uma igualdade de dignidade entre homem e mulher, uma fidelidade e compromisso permanentes, e a busca de uma vida de serviço e não de dominação! Realmente, uma proposta no contrafluxo da sociedade pós-moderna que nega o permanente, perpetua o machismo e admira o poderoso e dominador! O texto de hoje nos convida para que entremos “com Jesus na “contramão” e para que criemos uma sociedade baseada em outros valores do que os que estão hoje em vigor, às vezes até no seio das próprias igrejas.
Tomaz Hughes SVD

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