quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
Festa Da Sagrada Família (28.12.14) Lc 2, 22-40
“Ele
crescia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele”.
O
Evangelho da Festa da Sagrada Família, é tirado dos primeiros capítulos de
Lucas. Mais uma vez encontramos um tema
muito importante para esse Evangelho – o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança. Durante Advento, Lucas fazia paralelo entre
Isabel, Zacarias e João Batista, e Maria, José e Jesus. No texto de hoje, os justos da Antiga Aliança
são representados pelas figuras de Simeão e Ana, profeta e profetiza. Outros dois temas de Lucas também se destacam
nesse relato – o Espírito Santo e a opção pelos pobres.
Lucas
destaca que os pais de Jesus foram ao Templo conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para
oferecer o seu sacrifício – de dois pombinhos.
Na Lei, esse sacrifício era permitido aos pobres! Mais uma vez, continuando a lição da
manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus para os
pobres. Deixa bem claro que Maria, José
e Jesus eram contados entre eles – como aliás, era toda a população do Nazaré
de então!
Simeão e Ana representam, em quase os
mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salvação de Deus
– o grupo conhecido no Antigo Testamento como os “anawim”, ou “pobres de Javé”. É de notar que, no seu canto, Simeão proclama
que ele pode “ir em paz” -
simbolizando que as esperanças dos justos da Antiga Aliança agora serão
realizadas em Jesus. Como na visitação a idosa
Isabel, símbolo também dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com
Jesus, agora Simeão e Ana recebem com a mesma alegria a novidade da Nova Aliança,
concretizada em
Jesus. Mais uma vez
Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum nos seus escritos (cf. 4,
25-28; 4, 31-39; 7, 1-17; 7, 36-50; 23,55-24,35; At 16, 13-34). Assim, Lucas insiste que o homem e a mulher
se colocam juntos diante de Deus. São
iguais em dignidade e graça, recebem os mesmos dons e têm as mesmas
responsabilidades.
Como já fez em 2, 19 e fará de novo
em 2, 50, Lucas frisa que os seus pais não entenderam plenamente ainda o
alcance do mistério de Jesus. V. 33 insiste que “o pai e a mãe do menino estavam admirados do que se dizia dele”-
mais uma vez nos apresentando José e especialmente Maria como modelos de fé.
Apesar de qualquer revelação que eles tivessem, também tiveram que caminhar na
escuridão da fé, descobrindo passo a passo o que significava ser discípulo de
Jesus.
Jesus
“crescia e se fortalecia, cheio de
sabedoria e o favor de Deus estava com ele”. Mas esse crescimento foi gradual, como com todos nós, e a sua família
tinha um papel importantíssimo no seu crescimento. Se, como adulto, ele podia nos dar a imagem
de Deus como o amoroso Pai – tema tão caro a Lucas- era porque também aprendeu
isso através da experiência do seu pai adotivo, José. Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era
porque aprendeu isso desde o berço, junto com os seus pais. Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era
porque assim se aprendia no ambiente familiar.
Em um mundo como nosso, que desvaloriza a vida familiar, o texto de hoje
deve nos animar e desafiar, para que, como Maria e José, na claridade e na
escuridão da caminhada, criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde
os nossos jovens possam aprender, como
por osmose, a importância do amor nutrido em uma fé viva, na contramão da nossa
sociedade consumista e materialista, que vê na família unida uma ameaça aos
seus contra-valores.
Ninguém
ignora que hoje a família tradicional enfrenta enormes dificuldades. Diante dos problemas, respostas fáceis não
servem. Nem sempre é óbvio o caminho a
seguir. Novas dificuldades e novas perguntas
exigem um novo olhar da parte da Igreja.
Há pouco presenciamos algo – infelizmente - quase inédito na Igreja:– um
Sínodo sobre a família onde todos os participantes eram convidados pelo Papa a
expressar as suas opiniões abertamente e sem medo! Como a Igreja precisava disso! Houve divergências, obviamente, pois nem tudo
é claro. Há quem prefere ignorar a
realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam muitas vezes
muito sofrimento no seio das famílias, e refugiar-se em chavões legalistas em
lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situações. O Espírito Santo vai iluminar a Igreja e as
famílias se realmente buscarmos juntos as maneiras evangélicas a responder aos
novos desafios. Rezemos pelas famílias, pelas que estão bem firmes e pelas
desestruturadas, e rezemos pelo papa Francisco para que tenha a força e a saúde
para continuar a sua grande missão como representante de Jesus, compassivo e
misericordioso, nos nosso tempos.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Dia do Natal - Missa do Dia - 25 dezembro 2014 “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” João 1, 1-18
Comunicação
é atividade primordial de toda a humanidade, e o seu instrumento privilegiado é
a palavra. Diariamente somos sujeitados a uma enxurrada de palavras, que muitas
vezes servem para ofuscar a verdade, e desvirtuar a justiça, funcionando como
instrumento de opressão, em lugar de solidariedade humana. Assim, é bom iniciar
a nossa reflexão com uma consideração sobre o conceito que está atrás do termo
“Palavra”.
Obviamente,
a primeira referência para nós é a Palavra de Deus, com destaque para a sua
Palavra comunicada através da Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, o tema
da Palavra Divina não é objeto de especulação abstrata, como é o caso com
outras correntes de pensamento, por exemplo, o “Logos” dos filósofos
alexandrinos. É antes de tudo um fato experimental: Deus fala diretamente aos
homens e mulheres, ao seu povo e a toda a humanidade.
A
Palavra de Deus é comunicação, auto-expressão e acontecimento salvífico. Por
isso, podemos afirmar que a própria criação assinala o começo da história da
auto-comunicação e ação salvadora de Deus. Assim, podemos afirmar que a Palavra
de Deus pode ser considerada sob dois aspectos, indissociáveis mas distintos:
ela revela e ela age. Ela revela quem é o verdadeiro Deus, pelo que ele faz. O
Deus dos hebreus não é o deus dos filósofos, distante, imutável, objeto de
estudo e fria análise, mas um Deus que se revela na ação da sua Palavra
criadora, congregadora e libertadora. Isso fica claro no texto que podemos
considerar a chave de toda a Escritura, pois o resto da Bíblia é consequência
daquilo que ela revela: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no
Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos.
Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios” (Êx 3, 7-8).
Esse
“descer” do Deus bíblico tem seu auge na Encarnação, como lemos no Prólogo do
Quarto Evangelho, no nosso texto de reflexão: “No início era a Palavra, e a
Palavra estava com Deus... e a Palavra era Deus... e a Palavra se fez carne e
armou sua tenda no meio de nós” (Jo 1, 1.14).
O projeto de Deus acontece quando essa palavra
se fez homem, armou a sua tenda (ou acampou) entre nós. O verbo grego usado
“eskênôsen” deriva-se do termo “skêne, que significa uma tenda de campanha. Na
visão do Quarto Evangelho, a Palavra, o Verbo Divino, “armou sua tenda” no meio
da humanidade, não “ergueu o seu Templo!” Templo é fixo, tenda é móvel, ou
seja, aonde anda o povo, lá estará a Palavra Viva de Deus, encarnada na pessoa
e projeto de Jesus de Nazaré. Nele e por ele a Palavra age, operando a salvação
aqui na terra. Podemos afirmar que o mistério da Palavra tem agora como centro
a pessoa de Jesus Cristo, inseparável da sua missão e projeto.
Mas, essa encarnação tornou-se o divisor das águas para a
humanidade. Pois, “veio aos seus e os seus não a acolheram”. Assim o nosso
texto desafia qualquer acomodação que porventura possa existir entre os
cristãos, pois “acolher” a Palavra Encarnada não é em primeiro lugar uma crença
intelectual, mas o assumir de um projeto de vida, o seguimento de Jesus de
Nazaré. É uma adesão radical à pessoa e missão de Jesus, continuada em nós
hoje. Como diz o Evangelho de Mateus, “nem todo aquele que me disser “Senhor,
senhor!” entrará no reino de Deus, mas aquele que cumprir a vontade de meu Pai
do céu” (Mt 7, 21). O nosso texto nos anima para que não esfriemos no
seguimento de Jesus, e nos assegura: “Aos que a receberam, os tornou capazes de
ser filhos de Deus, os que creram nele, os que não nasceram do sangue, nem do
desejo da carne, nem do desejo do homem, mas de Deus” (Jo 1, 12s).
Porém,
a tomada de consciência de Jesus da sua missão, da sua identidade, não foi algo
automático. A Epístola aos Hebreus enfatiza claramente o processo pelo qual
Jesus passou, quando diz: “Embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente
através dos seus sofrimentos” (Hb 5, 8).
Vale
a pena lembrar que o sentido mais profundo do termo “obediente” vem do Latim
“ob-audire”, que é escutar ou ouvir a vontade e Deus - e pô-la em prática! Ou
seja, é mais uma obediência profética, (fazendo da vida de Jesus uma expressão
viva da Palavra e Vontade de Deus), do que meramente disciplinar, como muitas
vezes foi na prática nossa. Dentro desse processo, não há dúvida que a Palavra
de Deus nas Escrituras judaicas teve um lugar de destaque para Jesus. Durante
trinta anos, Jesus alimentou a sua espiritualidade, a sua fé, nas mesmas fontes
do povo sofrido do interior de Palestina - na espiritualidade dos “Anawim”, os
“Pobres de Javé”, que davam destaque especial para Segundo e Terceiro Isaías, e
Segundo Zacarias que fomentavam esperança e coragem, afirmando a presença de
Javé Libertador entre os pobres e aflitos, (p. ex: os Quatro Cantos do Servo de
Javé, Is 42, 1-9; 49, 49, 1-9ª; 50, 4-11; 52,13-53,12; Is 61, 1-11; Zc 9,9-11 e
Sf 3,11-13). Foi no confronto entre a Palavra de Deus, transmitida nas
escrituras através dessas vozes proféticas, e a realidade dura do seu povo
sofrido e explorado, que Jesus clareou e concretizou a sua identidade e missão,
fazendo com que, segundo Marcos, a prisão de João fosse o sinal para que ele
assumisse o manto profético messiânico, não conforme a expectativa da
sociedade, mas dentro da visão dos pobres de Javé: “Depois que João Batista foi
preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus” (Mc 1, 14s).
Assim, nós também temos que ler esse
e qualquer texto bíblico em diálogo com a realidade do nosso povo - mas de
maneira especial do povo excluído, sofrido e marginalizado, como Jesus fez. O
Verbo fez-se homem em Jesus de Nazaré para revelar o nome do Pai e anunciar o
Reino do seu amor. Esse amor sem limites Jesus fê-lo visível no mundo pecador
por sua incondicional doação a todos os homens, sobretudo aos sofredores. Pois,
a palavra escrita só se torna Palavra Viva, expressão do Verbo Divino, quando
encarnada na realidade do povo, seguindo as opções concretas de Jesus.
A nossa identidade de
discípulos/as-missionários/as, a nossa identidade de cristãos, a partir do
nosso batismo, brota desse exemplo do Verbo Encarnado, “que armou a sua tenda
entre nós”. A fonte da espiritualidade de Jesus de Nazaré foi mais em sintonia
com a espiritualidade do povo do “anawim”, do que com a visão centralizadora e
legalista do Templo e dos escribas. Jesus descobriu a sua missão e a colocou em
prática a partir da sua prática de diálogo - com o Pai, com o povo, com as
escrituras e com a situação real sócio-político-religiosa dos moradores de
Galileia. Ser cristão implica encarnar essa mesma prática em nossa obra
evangelizadora, onde estivermos. Longe de termos a atitude dos escribas e
fariseus, convencidos como eram de ter toda a verdade sobre Deus, temos que
cultivar a atitude de Jesus em diálogo com o pobre, com pessoas de outras
culturas e expressões religiosas - e em muitos lugares essas categorias serão
quase que sinônimas.
Temos o desafio de cultivarmos a
espiritualidade da “tenda” mais do que do “Templo” - nem sempre fácil em uma Igreja cada vez
mais clericalizada nas últimas décadas (uma situação combatida pelo Papa
Francisco) e onde frequentemente a identidade dos leigos é relegada a um nível
secundário. Com a atitude do Verbo que
se encarnou, é obrigação inerente na nossa identidade cristã viver em diálogo
com todos, cultivando o respeito às experiências de Deus nas outras culturas e
expressões religiosas, em uma atitude de verdadeiro diálogo, que não é uma
atividade a mais, mas “uma atitude de “solidariedade, respeito e amor” (Gaudium
et Spes 3), que deve permear todas as nossas atividades”.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
NATAL: MISSA DA NOITE - 24 dezembro 2014 Lucas 2,1-20
Esta passagem é
típica do estilo de Lucas, e contém muito material peculiar a ele. Ele toma as
tradições de que Maria e José eram de Nazaré e que Jesus nasceu em Belém,
liga-as com as figuras de Augusto, Herodes o Grande e o Governador Quirino, e
através destas figuras tece um texto que une oito dos seus temas favoritos:
“comida”, “graça”, “alegria”, “pequenez”, “paz”, “salvação”, “hoje”, e
“universalismo”. Lucas é um verdadeiro artista das palavras evangélicas!
Este trecho pode
ser subdivido assim:
1) O contexto
histórico e o nascimento de Jesus - 2, 1-7
2)
Pronunciamentos angélicos explicando o sentido de Jesus - 2, 8-14
3) Respostas aos
pronunciamentos dos anjos - 2, 15-20
A chave para a
compreensão do texto se acha nos versículos 11-14. Aqui Lucas apresenta Jesus
como o Messias davídico que trará o dom escatológico de paz, o Shalom de Deus.
Assim ele faz contraste com a figura de César Augusto. Na impotência da sua
infância, Jesus é o Salvador que traz a verdadeira paz, em contraste com o
poderoso Augusto, que era celebrado no culto oficial imperial como o fundador
de um reino de paz, a “Pax Romana”. O “Shalom” é na verdade o contrário da “Pax
Romana,” como hoje seria o oposto da pretensa “paz” imposta pelos canhões e
bombardeiros da força militar prepotente - a “Pax Americana!”. Esta revelação
da parte dos anjos é recebida e aceita pelos humildes pastores, e meditada por
Maria, modelo de fé, e os discípulos, que terão que meditar e aprofundar o
sentido de Jesus para eles, sem cessar!
Desde a Idade
Média o presépio tem mantido o seu lugar como um dos símbolos mais caros aos
cristãos. Porém, é bom não deixar que a cena do nascimento de Jesus se torne
uma cena somente sentimental, com lembranças saudosas da nossa infância! O
relato quer sublinhar a opção de Deus que se encarnou como pobre, sem as
mínimas condições para um parto digno. Em nossos presépios, até o boi e o asno
tomaram banho, antes de serem colocados! A realidade de nascer em uma gruta ou
estrebaria era diferente! Jesus nasce em condições semelhantes a milhões de
pobres e excluídos pelo mundo afora, nos dias de hoje! É mais uma manifestação
da fraqueza de Deus, que é mais forte do que os homens! (1Cor 1, 25).
Diferente de Mateus - que tem outros
interesses teológicos - os protagonistas desta cena são os pastores. Na época,
eles eram considerados pessoas desqualificadas, marginais, sujos, ritualmente
impuros. Mas é para essa gente que os anjos revelam o sentido do acontecido e
são eles os primeiros a encontrar Jesus recém-nascido. Assim, em Lucas, são
pessoas à margem da sociedade que testemunham o nascimento de Jesus, e
igualmente são pessoas desqualificadas que são as testemunhas da Ressurreição -
as mulheres! Lucas não perde uma oportunidade para destacar a opção
preferencial de Deus pelos pobres e humilhados!
O trecho continua
com mais três ênfases tipicamente lucanas - “não ter medo”, “sentir e expressar
alegria” e o termo “hoje”. Os ouvintes poderão ter coragem e alegria, porque a
salvação de Deus irrompe no mundo “hoje” - não em data futura distante. Esta
ideia volta diversas vezes - na sinagoga, depois de fazer a leitura de Isaías,
Jesus dirá que “hoje cumpriu-se essa passagem” (4, 21); ao condenado na cruz,
Jesus garante que “hoje estará comigo no paraíso” ( 23, 43). O reino da
salvação está sendo inaugurado, e por Jesus, na fraqueza da exclusão social, e
não por César, com toda a pompa da corte e das armas! Em uma manjedoura, e não
em um palácio imperial! Por parte de quem carece de força e prestígio, e não
pelos poderosos e fortes do mundo!
Os pastores não
somente testemunham a presença do recém-nascido em Belém, mas anunciam o que
disseram os anjos (v. 17). Essa Boa-Notícia complementa o que foi já anunciado
à Maria em 1, 31-33, por Maria em 1, 46-45, e por Zacarias em 1, 68-79. É muito
significante o termo que Lucas emprega para descrever a reação de Maria:
“Maria, porém,
conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19)
Aqui Lucas
retrata, através de Maria, a atitude do/a discípulo/a diante dos mistérios de
Deus, revelados em Jesus - Maria não capta o significado pleno dos eventos e os
rumina no seu íntimo. A ideia volta de novo em Lc 2, 51:
“Sua mãe
conservava no coração todas essas coisas”.
É uma maneira de apontar para a caminhada
de fé que Maria trilhou - e que todos nós, que não captamos o sentido pleno da
ação de Deus em nossas vidas, teremos que andar.
O
texto encerra afirmando que os pobres e marginalizados - personificados nos
pastores - “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam
visto e ouvido” (v. 20). Qualquer celebração de Natal que não seja para os
sofridos motivo para alegria, coragem e louvor a Deus, pode ser tudo, menos uma
celebração cristã!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
sábado, 20 de dezembro de 2014
QUARTO DOMINGO DO ADVENTO (21.12.14) Lc 1, 26-38
“Faça-se em mim segundo a tua palavra”
Maria de Nazaré é a terceira figura importante nas leituras
do tempo do Advento. O texto de hoje é riquíssimo, e mereceria um tratamento
muito mais pormenorizado. É essencial para entendermos a figura de Maria tal
como apresentada nas Escrituras.
No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe
àquela feita a Zacarias (Lc 1, 5-22). Ambos os textos seguem os passos
costumeiros da forma literária “anunciação” j;a conhecida no Antigo
Testamento. Há muitas semelhanças (Anjo Gabriel, confusão na parte do/a
recipiente, anúncio de um nascimento, perlexidade etc), mas no primeiro relato,
é feita a um sacerdote, idoso, no Templo. No texto de hoje, à uma moça, jovem,
no dia-a-dia de um lugarejo, Nazaré. O sacerdote duvidou e ficou mudo,
simbolizando que os ritos do Templo não têm mais nada a dizer! Maria acredita e
é proclamada “bendita entre as mulheres” (1, 42).
Infelizmente, muitas vezes este trecho é interpretado de
maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão – e
ideologicamente foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja,
deveriam ficar passivas e sem expressão! Tal interpretação distorce totalmente
o que Lucas quer nos dizer!
Maria, embora não entenda plenamente (Lc 1, 29; 2,19; 2,
50s) aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser
protagonista da realização desse plano divino. A frase “faça-se em mim” não
deve ser interpretada de uma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de
quem quer ser colaboradora na realização do projeto que Deus tem para o mundo.
Não se refere somente ao fato de engravidar – isso seria muito pouco – mas à
grande visão de Deus para os seus filhos e filhas. Um pouco adiante Lucas vai
mostrar o alcance dessa frase, quando na boca de Maria ele coloca o grande
canto de libertação, que é o Magnificat! Não é possível entender a profundidade
da frase de Maria na anunciação sem ler também o Magnificat (1, 46-55). O que é
que Maria quer quando ela pede que seja feita a vontade de Deus nela? Ela quer
a realização da vira-volta no mundo que é o Advento do Reino de Deus, quando
Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos
dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os
ricos de mãos vazias” (1, 51-53).
Em um mundo onde a realidade é a prepotência e a violência
dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres muitas vezes estão
na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da
concretização do Reino. Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no
Natal deve comprometer-se de uma maneira concreta na construção de um mundo
novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje em tantos
lugares, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
Parabéns Papa Francisco Pelos 78 anos de vida – Deus o abençoe e Proteja!
Um mês de comemorações para o Papa Francisco que, nesta
quarta-feira, 17, celebrou 78 anos de vida e no último sábado, 13, comemorou
seu aniversário sacerdotal.
Cardeal Jorge Mario Bergoglio, SJ, arcebispo de Buenos
Aires, Argentina, nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires. Ele
foi ordenado pelos jesuítas, em 13 de dezembro de 1969, durante os estudos
teológicos na Faculdade de Teologia de San Miguel.
Ele era noviço-mestre em São Miguel , onde também
ensinou teologia. Foi Provincial da Argentina (1973-1979) e reitor da Faculdade
de Filosofia e Teologia de San Miguel (1980-1986). Depois de completar sua tese
de doutorado na Alemanha, serviu como confessor e diretor espiritual em
Córdoba.
Em 20 de maio de 1992, Bergoglio foi nomeado bispo titular
de Auca e Auxiliar de Buenos Aires; recebeu a consagração episcopal em 27 de
junho do mesmo ano.
Em 3 de junho de 1997, foi nomeado Arcebispo Coadjutor de
Buenos Aires e sucedeu o Cardeal Antonio Quarracino, em 28 de fevereiro de
1998. Foi Relator-Geral Adjunto da Assembleia Ordinária da 10º Sínodo Geral dos
Bispos, em outubro de 2001.
Bergoglio atuou como presidente da Conferência Episcopal da
Argentina a partir de 8 de novembro de 2005 até 8 de novembro de 2011.
Criado e proclamado cardeal pelo beato João Paulo II, no
Consistório de 21 de fevereiro de 2001, com o título de S. Roberto Bellarmino
(Santo Roberto Belarmino).
Membro de:
– Congregações para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos, para o Clero, para os Institutos de Vida Consagrada e as
Sociedades de Vida Apostólica;
- Conselho Pontifício para a Família;
- Pontifícia Comissão para a América Latina;
Fonte: Site
Oficial Santa Sé
Fonte:noticias.cancaonova.com ( www.matrizsaocristovao.com.br)
domingo, 14 de dezembro de 2014
TERCEIRO DOMINGO DE ADVENTO (14.12.14) Jo 1, 6-8. 19-28
“Aplainai o caminho
do Senhor”
Novamente
a figura central do Evangelho de um domingo do Advento é o Precursor, João
Batista. Essa vez, em um texto tirado do Evangelho do Discípulo Amado, o
Batista é apresentado como testemunha de Jesus. Ele assume a identidade de quem
veio gritar “Aplainai o caminho do Senhor”, usando uma frase tirada de Isaías
40, 3. No texto de Isaías, essa frase é usada para preparar o Novo Êxodo, a
volta dos exilados do cativeiro na Babilônia, no início do tal chamado “Livro
da Consolação de Israel” (Is 40-55). A mensagem de João Batista também prepara
o povo para um evento de grande alegria - a vinda do Messias, Jesus de Nazaré! Um novo, e mais definitiva Êxodo acontecerá
através do evento salvífico de Jesus.
Nesse
texto, já no primeiro capítulo do Evangelho de João, entram em cena os que
serão mais tarde os adversários de Jesus - as autoridades dos judeus. Embora,
às vezes, no Quarto Evangelho o termo “os judeus” designe o povo de Israel em
geral (Jo 3, 25; 4, 9.22 etc), aqui, como na maioria das vezes, o termo
significa os representantes de um mundo que não compreende, e eventualmente
hostiliza, Jesus. Nesse sentido, ele caracteriza especialmente as autoridades
religioso-políticas do judaísmo da época - os sacerdotes, fariseus e escribas.
Nunca devemos usar este Evangelho, como foi feito com certa frequencia no
decorrer da história, para hostilizar o povo judeu como tal
Atrás do
texto também dá para entrever a tensão que existia no ambiente em que se
escreve o texto entre os seguidores de João Batista e de Jesus. Por isso, a
insistência no texto em informar que João “não era o Cristo”, mas testemunha do
fato de que Jesus era o enviado de Deus.
No mais, o
Evangelho retoma a mensagem do domingo passado (Mc 1, 1-8) - um convite para
que todos nós preparemos o caminho do senhor. “Aplainai o caminho do Senhor”
significa facilitar a sua chegada entre nós, tirando de nossa vida tudo que
possa impedir um encontro real com Jesus. No nível individual, aqui há um
convite para uma conversão pessoal, que é um processo contínuo na vida de todos
nós. Mas também há o desafio para que nos empenhemos na luta contra tudo que
possa diminuir a vida humana - tudo que causa sofrimento aos nossos irmãos e
irmãs. Pois, o pecado que existe no mundo não é somente pessoal, mas também
social - muito mais do que a soma dos erros individuais. O pecado social se
manifesta nas estruturas sociais injustas e opressoras, claramente denunciado
na atualidade pelo Papa Francisco e pelo ensinamento social da Igreja, que
tiram de tanta gente a dignidade dos filhos de Deus. A voz do Precursor, como a
de Isaías, quinhentos anos antes dele, nos desafia para que a nossa conversão
pessoal também se manifeste no esforço para a construção de um mundo mais
digno, justo, humano e fraterno - o mundo que Jesus veio estabelecer. Isso
exige envolvimento na política, pastorais sociais, organizações em prol do
povo, debate sobre políticos públicos etc.
Pois a nossa fé deve nos levar à ação, como impulsionou Jesus, para que
os valores do Reino cresçam entre nós.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matriazsaocristovao.com.br
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO (07.12.14) Mc 1, 1-8
“Começo do
Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”
O
Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser
escrito, provavelmente pelo ano 70, ou na Síria, ou em Roma (Não existe consenso
entre os peritos). Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero
literário, hoje tão conhecido, chamado “Evangelho”, o que literalmente
significa “Boa Nova” ou “Boa Notícia”. Porém, quando no primeiro versículo da
sua obra ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não se refere ao gênero
literário, mas à própria Boa Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o
Messias, o Filho de Deus”. Pois, o escrito é somente uma das maneiras viáveis
para comunicar a experiência dessa Boa Notícia, - tanto que Paulo, que nunca
leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,) pôde falar aos Gálatas
do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso, devemos sempre levar em
conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma
biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida d’Ele. Eles são a
“Boa Notícia” de Jesus. Por isso, a pergunta que devemos ter em mente em
primeiro lugar ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou
não?”; mas, “onde está a Boa Notícia de Jesus neste texto?”
Como parte
da nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e
mensagem de um dos grandes personagens da liturgia do Advento – João, o
Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do
profeta Malaquias 3, 20, de Isaías 40, 3 e Êx 23, 20, Marcos enfatiza o papel
de João como Precursor - aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João
estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do
profetismo”, na tradição judaica, Elias. Assim, João é a última voz profética
da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa Nova na pessoa e atividade de
Jesus de Nazaré.
O batismo
de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos
pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja
primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra que
não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal, sem que
passemos pelo processo de arrependimento, conversão e pela experiência da
gratuidade de Deus no perdão dos pecados.
Mas a
ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem
viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão,
que denota a dignidade de quem vem atrás, como num cortejo, põe toda a
importância na pessoa que vem - pois tirar as sandálias era serviço de um
escravo. Jesus é o mais importante, pois com a vinda d’Ele inaugura-se o tempo
de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os
Essênios) somente para o fim dos tempos.
A voz de
João ressoa de novo hoje, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade,
Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando as suas
veredas! A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos
para que os males, sejam individuais ou sociais, sejam tirados, para que o
Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha,
vazia de sentido.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
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