Essa criãnça que esta recebendo o Batismo, hoje é Padre Celmo, e é ele que esta trabalhando para a beatificação do Pe. Pedro Fuss.
Fonte: Postado pelo próprio Pe. Celmo, no Facebook.( Padrinhos Rosi e João Moro)
domingo, 26 de abril de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
Quarto Domingo de Páscoa (26.04.15) Jo 10, 11-18
“O bom pastor se despoja da própria vida por suas ovelhas”
Hoje é o dia Mundial de Oração pelas Vocações, ou “Domingo do Bom Pastor”. O texto de hoje nos demonstra a compreensão que a Comunidade do Discípulo Amado tinha da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
A imagem escolhida é a do “pastor” - uma imagem muito usada nos escritos do Antigo Testamento (Sl 40, 11; Ez 34, 15; 37, 24; Eclo 18, 13; Zc 11, 17; etc.). Às vezes é aplicada ao próprio Deus (Sl 23, 1; Is 40, 11; Jr 31, 9), às vezes ao futuro rei messiânico (Sl 78, 70-72; Ez 37, 24), às vezes aos líderes político-religiosos de Israel (Jr 2, 8; 10, 21; 23, 1-8; Ez 34). Também os Evangelistas Sinóticos a usaram bastante (Mc 6, 34; 14, 27; Mt 9, 36; 18, 12-13; 25, 32; 26, 31; Lc 15, 3-7). Jesus é realmente pastor, pois Ele, o Filho do Homem, participa da condição humana, inclusive da morte, para nos conduzir à vida eterna. A palavra grega aqui usada para “bom”, “kalos”, significa “ideal” ou “nobre” e não somente eficiência na sua função. Assim é Jesus, pois livremente despoja-se da sua própria vida para salvar a vida do seu rebanho.
O texto contrasta a ação de Jesus com a atuação dos pastores mercenários, que não defendem o rebanho, mas somente cuidam dos seus próprios interesses. Aqui o texto está enraizado na tradição profética de Ezequiel (Ez 34, que vale a pena ler) que condenava os “maus pastores” do povo de Deus - os líderes religiosos e políticos do seu tempo (antes do Exílio e nos anos entre a primeira deportação para Babilônia e a destruição de Jerusalém em 587 aC) , que somente exploravam o povo para o seu próprio proveito, abandonando-o na horas de maior necessidade. Quanta coisa do tempo de Ezequiel e de Jesus pode ser aplicada quase que diretamente a muitos líderes políticos (e às vezes religiosos) dos nossos tempos!
O trecho destaca o verbo “conhecer” - Jesus conhece as suas ovelhas como conhece o Pai e é conhecido pelo Pai. “Conhecer”, na linguagem bíblica, não significa um saber intelectual, mas implica um relacionamento íntimo de amor e solidariedade. O conhecimento que Jesus tem dos seus discípulos nasce e se plenifica no amor que existe entre o Pai e o Filho. Não é um amor só de emoções ou sentimentos, mas um amor exigente, de assumir o outro até o ponto de doar a vida. Assim, a morte na Cruz - assumida livremente por Jesus - é a expressão suprema desse amor.
O amor não pode se restringir aos irmãos e irmãs da comunidade. A utopia proposta por Jesus é da união entre todos “os seus.” Aqui, talvez haja uma referência às outras comunidades não-joaninas do tempo do escrito, mas também podemos aplicar o texto à missão universal da Igreja - a de colaborar na realização do Reino de Deus, pois todos os povos do mundo, sem distinção de raça, cor, cultura ou religião, são misteriosamente ligados a Jesus, morto e ressuscitado. Não devemos imaginar esse sonho como um crescimento da Igreja visível até que toda a humanidade faça parte dela; mas, muito mais como a realização do pedido do Pai-nosso - “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu”, onde se procura o bem, a justiça e a fraternidade, mesmo fora da Igreja visível, onde se realiza o Reino, ou Reinado, de Deus.
Como seguidores do Bom Pastor também somos convidados à vivência desse mesmo amor que exige o despojo da própria vida. Isso não implica necessariamente a morte física, mas, a morte ao egoísmo, e a todos os “ismos” que nos dividem e separam, seja por causa do gênero, raça, cor, classe ou cultura. Onde há luta em defesa da vida, lá existe a missão do Bom Pastor. Ele que veio “para que todos tenham a vida e a tenham plenamente!” (Jo 10, 10)
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
sábado, 18 de abril de 2015
TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA (19.04.2015) Lc 24, 35-48
“E
vocês são testemunhas disso.”
O evangelho de hoje é a segunda parte do
capítulo 24 de Lucas, que relata primeiro a história das mulheres diante do
túmulo de Jesus, e agora o incidente do encontro de Jesus Ressuscitado com os
dois discípulos na estrada de Emaús. Devemos recordar que Lucas estava
escrevendo a sua obra em vista dos problemas da sua comunidade pelo ano 85 d.C.
Já não estamos mais com a primeira geração de discípulos - já se passou mais de
meio século desde os eventos pascais. A comunidade já está vacilando na sua fé
- as perseguições estão no horizonte, ou até acontecendo; o primeiro entusiasmo
diminuiu, os membros estão cansados da caminhada e perdendo de vista a mensagem
vitoriosa da Páscoa. Parece que é mais forte a morte do que a vida, a opressão
do que a libertação, o pecado do que a graça.
Neste cenário, Lucas escreve esta narrativa.
Traz uma mensagem de ânimo e coragem aos desanimados e vacilantes da sua época
- e da nossa! Para as mulheres, os dois anjos perguntam “por que estão
procurando entre os mortos aquele que está vivo?” Afirmam: “Ele não está aqui!
Ressuscitou!” Mensagem atual para os nossos tempos - diante da péssima situação
de tantas pessoas que enfrentam a dura luta pela sobrevivência, com desemprego,
baixo salário, falta de terra e moradia, uma herança de décadas de descaso dos
governantes com a saúde pública e a educação, é muito fácil perder a esperança
e a coragem. Como a Campanha da Fraternidade deste ano quer animar os cristãos
na luta para que todos tenham uma vida digna, através de uma sociedade voltada
para o bem comum, vencendo a apatia e a passividade, o nosso texto quer nos
lembrar que Jesus venceu o mal, não foi derrotado pela morte, e está no meio de
nós!
Os dois discípulos no caminho de Emaús são
imagem viva da comunidade lucana - e de muitas hoje! Já sabem do túmulo vazio,
mas estão desanimados, desiludidos, sem forças - pois ainda não fizeram a
experiência da presença de Jesus Ressuscitado. Pois, a nossa fé não se baseia
no túmulo vazio, mas pelo contrário, a nossa experiência do Ressuscitado
explica porque ele ficou vazio. Os dois só fazem esta experiência quando
partilham o pão! A Escritura fez com que os seus corações “ardessem pelo
caminho” (v. 32), mas não lhes abriu os olhos - para isso era necessário formar
uma comunidade celebrativa de fé e partilha: “contaram... como tinham
reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (v. 35).
Finalmente, o grupo dos discípulos reunidos
em Jerusalém é símbolo das comunidades confusas e vacilantes. Tinham
dificuldade em acreditar - pois a mensagem da Ressurreição é realmente
espantosa! Mas, uma vez feita essa experiência, eles se transformam e se tornam
testemunhas vivas do que sentiram, experimentaram e vivenciaram: “E vocês são
testemunhas disso” (v. 48). Um grupo de derrotados, desesperançados e desunidos
(vv. 20-21) se transformam num grupo de missionários corajosos e convictos,
assumindo a tarefa de anunciar “no seu nome a conversão e o perdão dos pecados
a todas as nações” (v. 47).
Nos dias de hoje,
quando muitos cristãos se desanimam, ou restringem a sua fé à esfera
particular, sem que tenha qualquer influência sobre a sua vivência social, a
mensagem de Lucas nos convida a redescobrirmos a realidade da presença do
Ressuscitado entre nós. Essa experiência não serve somente para o nosso consolo
pessoal - somos enviados a imitar os dois de Emaús, que, feita a experiência do
Ressuscitado, “levantaram na mesma hora e voltaram para Jerusalém” (v. 33).
Pois, a nossa experiência religiosa não é algo intimista e individualista, mas
algo que nos deve propulsionar para a missão, para a construção de um mundo
conforme a vontade de Deus, um mundo de justiça, paz e integridade da criação,
sem excluídos e marginalizados, sob qualquer pretexto que seja!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
domingo, 12 de abril de 2015
SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA (12.04.15) Jo 20, 19-31
“A paz esteja com vocês!”
No texto anterior ao de hoje, a Maria Madalena trouxe a
notícia da Ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora é o próprio Jesus que
aparece a eles. Não há reprovação nem queixa nas suas palavras, apesar da
infidelidade de todos eles, mas, somente a alegria e a paz, que já tinha
prometido no último discurso. Duas vezes Jesus proclama o seu desejo para a
comunidade dos seus discípulos - “A paz esteja com vocês”. O tema da paz, do
shalom, é importante na vida de Jesus..
No Discurso de Despedida, na tradição da Comunidade do
Discípulo Amado, no contexto de uma certa angústia humana e da insegurança,
junto como a promessa do dom do Paráclito, Jesus deixa com os seus o seu grande
dom da paz: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu
dou para vocês não a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27). Ele teria
usado a palavra tradicional dos judeus para a paz, “Shalom”. É uma paz baseada
na vinda do Espírito, que será atualizada no texto de hoje: “A paz esteja com
vocês! Recebam o Espírito Santo” (Jo 20, 21-22). Enfatiza que não é
a paz como o mundo a entende - muitas vezes simplesmente como a ausência de
briga, ou até repressão policial. Frequentemente a paz que o mundo dá é aquela
falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do
povo sofrido - como tantos países experimentaram, e continuam a experimentar
hoje, durante as ditaduras de direita e da esquerda. O “shalom” é tudo o que o
Pai quer para o seu povo. Inclui tudo que é necessário para uma vida
digna – saúde, escolaridade, lazer, lar, moradia, emprego etc. Só
existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as
necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e
das suas consequências. O “shalom” dos discípulos não pode ser perturbado pelo
fato da partida de Jesus, pois é através da volta do Filho para o Pai que o
Shalom vai se instalar.
O “shalom”, a verdadeira paz, é um dom de Deus - mas também
um desafio para nós, os seus discípulos/as. Pede a colaboração humana! Diante
de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo, da exploração do
latifúndio, do tráfico de drogas e das pessoas, da impunidade, qual deve ser a
atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com
sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou mesmo de uma
minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos de Deus. Às vezes,
este shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino;
mas, quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta
a verdade da frase de Jesus: “não fiquem perturbados, nem tenham medo” (Jo 14,
27), pois disse Ele, “eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Frequentemente, uma
leitura fundamentalista do Evangelho, fortemente influenciada por ideologias da
direita, insistia que Jesus veio trazer a “paz”, entendido como “ordem e
progresso” na visão positivista das elites dominantes. Mas, o próprio texto do
Evangelho indica que esse tipo de paz estava longe da mente de Jesus. Ele mesmo
diz com todas as letras em Mt 10, 34: “Não pensem que eu vim trazer paz à
terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada”.
Obviamente, Jesus não diz que veio trazer a violência, pelo
contrário, veio desmascarar uma paz imposta pela força, com base ideológica
numa falsa imagem de Deus, e que essa ação profética d’Ele revelaria as
divisões já existentes na sociedade, nas religiões, no coração das pessoas.
Pois, a sua prática e pregação exigiram uma tomada de posição diante da
violência, ostensiva ou ocultada. A não violência não é sinônima com não-ação.
Pelo contrário, levou Jesus a lançar-se em uma vida dedicada aos valores do
Reino, entre os quais o Shalom tinha lugar premente; por isso, Ele foi morto
pelos interesses ameaçados por esta pregação do verdadeiro shalom - uma aliança
de poderes religiosos, políticos, judiciais e econômicos. Por isso devemos
sempre “fazer a memória de Jesus” - da sua pessoa e do seu projeto, para que
tenhamos critérios certos para verificar a presença - ou ausência - do “shalom”
na nossa sociedade, e nos comprometermos com a criação do mundo mais justo que
Deus quer.
O Reino de Deus não é algo escrito em uma tábua rasa. Já
existe a força contrária, a do anti-Reino. Assim também, o shalôm não nasce em
um vácuo - cria-se em oposição à realidade dura da violência, mesmo quando
disfarçada como paz. Por isso, será sempre conflituoso - pois inevitavelmente
provocará a reação dos que oprimem e violentam. A dedicação a Ele exigirá uma
mística profunda! Uma vida dedicada à construção do Shalôm tem como fundamento
uma profunda experiência de Deus. A luta pela paz, pelos oprimidos, por um
mundo de igualdade e solidariedade para nós cristãos não pode nascer de uma
simples análise de conjuntura, nem de uma indignação ética, por tão necessárias
que esses elementos possam ser. A inspiração última da nossa luta pelo shalom
tem que ser enraizada na nossa fé - por ser coerente com o Deus em que nós
acreditamos, o Deus que vê a miséria do seu povo, vítima da violência, que ouve
o seu clamor em favor da verdadeira paz, que conhece os seus sofrimentos, e que
desce para libertá-lo de todas as formas da violência que atentam contra a vida
(cf. Êx 3, 7-10). É coerência com o seguimento de Jesus, o Verbo Divino que se
fez carne e armou sua tenda no meio de nós (Jo 1, 1.14), vindo para que todos
tenham a vida e a tenham plenamente (Jo 10, 10). Por isso, devemos ouvir de
novo a voz profética de Jesus que conclama a todos nós à conversão:
“Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1, 14).
As raízes da violência, do anti-Reino, estão dentro de
todos nós, como indivíduos e comunidade. Quando compactuamos com qualquer
discriminação, quando defendemos a violência contra qualquer pessoa ou grupo,
quando aplaudimos os maus tratos contra quem quer que seja, quando
interpretamos a vida a partir dos opressores, quando nos entregamos à inveja e
ao ciúme, ao ódio e raiva, ao racismo, machismo, classismo, ou a qualquer outro
"ismo" que nos divide - estamos nos opondo ao shalôm de Deus. Quando
colocamos a propriedade particular como um valor em cima da vida humana, quando
defendemos a pena da morte, quando apoiamos politicamente estruturas que
acumulam bens nas mãos de poucos, quando aceitamos a ideologia do
neoliberalismo, com o seu Deus do lucro, o seu evangelho de competitividade que
faz do irmão e irmã os meus rivais, estamos contribuindo para que o shalôm não
aconteça. A batalha - e é batalha - contra a violência em favor da paz se
travará em muitas frentes - dentro de cada um de nós, nas instâncias de poder
político, religioso, eclesial, social e cultural. Os cristãos de todas as
Igrejas terão uma responsabilidade muito grande de se tornarem arautos do
shalôm, protagonistas de uma nova ordem social, seguindo as pegadas do Mestre
que desmascarava a violência sofrida pelo seu povo - muitas vezes em nome de
Deus - e trouxe a proposta de um mundo diferente, baseado nos valores do Reino.
Jesus soprou sobre os discípulos, como Deus fez (é o mesmo
termo) sobre Adão quando infundiu nele o espírito de vida; Jesus os recria com
o Espírito Santo.
Normalmente, imaginamos o Espírito Santo descendo sobre os
discípulos em Pentecostes, como Lucas descreve em Atos, mas aquilo era a
descida oficial e pública do Espírito para dirigir a missão da Igreja no mundo.
Para João, o dom do Espírito, que da sua natureza é invisível, flui da
glorificação de Jesus, da sua volta ao Pai. O dom do Espírito neste texto tem a
ver com o perdão dos pecados.
Mais uma vez, no primeiro dia da semana, Jesus aparece aos
discípulos (notem a ênfase sobre o domingo - duas vezes). Esta vez, Tomé está
presente. Ele representa os discípulos da comunidade joanina do fim do século,
que estavam vacilando na sua fé na Ressuscitado, diante dos sofrimentos e
tribulações da vida. Assim nos representa, quando nós vacilamos e duvidamos.
Jesus nos fortalece com as palavras “Felizes os que acreditaram sem ter visto!”
Essa muitas vezes será a realidade da nossa fé - acreditar contra todas as
aparências que o bem é mais forte do que o mal, a vida do que a morte, o Shalom
do que a prepotência! Somente uma fé profunda e uma experiência da presença do
Ressuscitado vai nos dar essa firmeza.
Tomé confessa Jesus nas palavras que o Salmista usa para
Javé (Sl 35, 23). No primeiro capítulo do Evangelho de João, os discípulos
deram a Jesus uma série de títulos que indicaram um conhecimento crescente de
quem Ele era; aqui Tomé lhe dá o título final e definitivo - Jesus é Senhor e
Deus!
Nessa proclamação triunfante da divindade de Jesus, o
Evangelho terminava (o Capítulo 21 é um epílogo, adicionado mais tarde). No
início, João nos informou que “o Verbo era Deus”. Agora, Ele repete essa
afirmação e abençoa todos os que O aceitam baseados na fé! A meta do Evangelho
foi alcançada - mostrar a divindade de Jesus, para que acreditando, todos
pudessem ter a vida n’Ele.
Tomaz
Hughes SVD
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
sábado, 4 de abril de 2015
DOMINGO DE PÁSCOA (05.04.15) Jo 20, 1-9
Os quatro Evangelhos relatam os acontecimentos do Dia da Ressurreição, cada um de acordo com as suas tradições. Certos elementos são comuns a todos: o fato do túmulo vazio, de que as primeiras testemunhas eram as mulheres (embora divirjam quanto ao seu número e identidade e o motivo da sua ida ao túmulo - para ungir o corpo, ou para vigiar e lamentar) e que uma delas era Maria Madalena. Podemos tirar disso a conclusão que as mulheres tinham lugar muito importante entre o grupo dos discípulos de Jesus, e que elas eram mais fiéis do que os homens, seguindo Jesus até a Cruz e além dela! Infelizmente, outras gerações fizeram questão de diminuir a importância das discípulas na tradição - e a Igreja sofre até hoje as consequências.
Lendo os relatos, um fato salta aos olhos - ninguém esperava a Ressurreição! Para os discípulos, a Cruz era o fim da esperança, a maior desilusão possível. Se somarmos a isso o fato que todos eles traíram Jesus (ou por dinheiro, ou por covardia), podemos imaginar o ambiente pesado entre eles na manhã do Domingo. Nesse meio, chega a Maria Madalena com a notícia de que o túmulo estava vazio - e ela, naturalmente, pensa que o corpo tinha sido roubado. Ressurreição - nem pensar!
No nosso texto, Pedro (que tem um papel importante nos textos pós-ressurrecionais) e o Discípulo Amado (anônimo) correm até o túmulo. O texto deixa entrever a tensão histórica que existia entre a comunidade do Discípulo Amado e a comunidade apostólica (representada por Pedro). Pois, o Discípulo Amado espera por Pedro (reconhece a sua primazia), mas enquanto Pedro vê sem acreditar, o Discípulo Amado acredita. No Quarto Evangelho, Pedro só realmente vai conseguir amar Jesus no Capítulo 21, enquanto o Discípulo Amado é o tal desde Capítulo 13. Só quem olha com os olhos do coração, do amor, penetra além das aparências!
Como em Lucas 24, na história dos Discípulos de Emaús, o texto demonstra que a nossa fé não está baseada na fato de um túmulo vazio! Não é o túmulo vazio que fundamenta a nossa fé na Ressurreição, mas o contrário - é a experiência da presença de Jesus Ressuscitado que explica porque o túmulo está vazio! Cuidemos de não procurar bases falsas para a nossa fé no Ressuscitado!
Hoje em dia, quando olhamos para o mundo ao nosso redor, é fácil não acreditar na vitória da vida sobre a morte. Há tanto sofrimento e injustiça - guerra, violência, corrupção endêmica, miséria, a saúde e a educação sucateadas! Só uma experiência profunda da presença de Jesus libertador no meio da comunidade poderá nos sustentar na luta por um mundo melhor, com fé na vitória final do bem sobre o mal, da luz sobre as trevas, da graça sobre o pecado!
Nós todos somos discípulos/as amados/as, pois “nada nos separa do amor e Deus em Jesus Cristo ” (Rm 8); mas, será que somos discípulos “amantes”? Realmente amamos Jesus e o próximo? Lembramos que o “ágape”, o amor proposto pelo Evangelho, não é um sentimento, mas uma atitude de vida, de solidariedade, de partilha, de justiça. “O amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados. Se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1Jo 4, 10-11).
Que a mensagem da Ressurreição, da vitória da vida sobre a morte, nos anime e dê força, todos os dias da nossa vida, mas especialmente quando a Cruz pesar muito.
Páscoa: Tempo de renascer! Tempo de despertar para a vida nova!
Pe. Tomaz Hughes, SVD
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
Imagem: liturgia.cancaonova.com
Imagem: liturgia.cancaonova.com
Nosso coração vive a expectativa da eternidade e da ressurreição. É a expectativa da vida feliz e plena para sempre ao lado do Senhor!
“Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com
Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais
servirmos ao pecado. Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado” (Romanos 6,
6).
Nós hoje
celebramos a vida; há uma vida escondida, há uma vida fecundada que brota, que
nasce e traz uma luz nova. Se ontem contemplávamos o mistério da dor e do
sofrimento com Cristo Crucificado; nós hoje contemplamos o Cristo Crucificado
que, pela Sua cruz, pega todas as dores, todos os sofrimentos e os semeia para
a eternidade.
A expectativa do
nosso coração é a expectativa de eternidade, é a expectativa da vida
gloriosa e feliz para sempre ao lado do Senhor. Contudo, a ressurreição do
Senhor em nós não começa só com a nossa morte; ao contrário, a morte é a
plenitude, é a realização total e plena daquilo que Deus começou a operar em
nós. A nossa ressurreição começa hoje, começa no momento em que
morremos para os nossos pecados, para o egoísmo e para as paixões
desordenadas. A vida nova começa quando deixamos morrer dentro de nós
aquele ódio cultivado, aquele ressentimento que começou a crescer em nosso
interior.
A morte precisa ser destruída em todos os aspectos, não
podemos deixar crescer em nós nenhuma semente de morte, mas somente a semente
de eternidade. Por isso precisamos sufocar, um por um, aqueles sentimentos e
desejos que não nos levam à vida, mas à morte.
Hoje é dia de
deixar no túmulo do Senhor o “homem velho” com seus velhos desejos, com
concupiscências enganadoras, desejos que não edificam a vida. É hora de deixar
de lado esse nosso desejo egoísta de pensar só em nós e em nossas coisas! É
hora de deixar, no túmulo do Senhor, esse orgulho exacerbado que nos coloca no
centro do mundo e das coisas, no qual não levamos em consideração quem é o
outro.
A ressurreição
acontece em nossa vida quando começamos a enterrar e a matar as coisas velhas
que não servem para nada e não nos levam a lugar nenhum, como as discussões
ultrapassadas, os sentimentos que só corroem a alma e o espírito e as práticas
que não convêm à nossa fé.
Hoje é dia de
deixarmos no fundo, no abismo, ao qual Jesus foi visitar para resgatar as almas
e os nossos antepassados à espera da ressurreição dos mortos, o que é velho e
abraçarmos o que é novo.
Vida nova para
mim, para você; ressurreição para todos nós! Ressurreição em nossas casas, em
nossas famílias, em nossos pensamentos, em nossos sentimentos! Ressurreição é
acreditar que o que é velho ficou para trás e que, em Deus, podemos, devemos e
queremos fazer novas todas as coisas!
Uma boa, feliz e
santa Páscoa para você!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fonte: homilia.cancaonova.com
Foto: Google - catedralmoc.com
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Cristo se manifesta no mistério do sofrimento humano, por isso sejamos presenças consoladoras àqueles que padecem na carne ou no espírito, oferecendo-lhes nossa solidariedade, conforto e amor.
“A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores” (Isaías 52, 4).
Hoje, na Sexta-feira da Paixão de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós queremos contemplar o Cristo crucificado, Aquele que morre na cruz por amor a mim e a você. Nós O adoramos, O bendizemos e O aclamamos, Jesus, pelo Seu Sangue derramado na cruz por amor a nós e a toda humanidade!
Hoje, na Sexta-feira da Paixão de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós queremos contemplar o Cristo crucificado, Aquele que morre na cruz por amor a mim e a você. Nós O adoramos, O bendizemos e O aclamamos, Jesus, pelo Seu Sangue derramado na cruz por amor a nós e a toda humanidade!
A cruz, meus irmãos, não é algo passado, ultrapassado. O mistério da cruz de Cristo é o mistério da redenção e da salvação da humanidade. É por isso que nós não nos cansamos de anunciar Cristo e Jesus Cristo crucificado. Loucura para alguns; escândalo para outros, mas para nós é a manifestação mais concreta do poder de salvação do Nosso Deus.
Deus nos salva na humilhação humana. Deus nos salva no desprezo humano. O Senhor nos salva e nos abençoa naquilo que parecia ser a maior de todas as maldições: que escândalo e que horror um ser humano ser pregado na cruz, lugar dos piores bandidos, lugar de castigo. Cristo foi castigado, humilhado, mas aprendeu, com Seu sofrimento, a resgatar o sofrimento de todos nós! Sobre o Seu Corpo pairavam todas as doenças e enfermidades da humanidade, toda a dor, a exclusão. Cristo morreu por todos aqueles que sofrem!
Por isso hoje nós queremos contemplar o Cristo crucificado presente no meio de nós: nossos doentes, nossos enfermos, aqueles que sofrem no corpo, na alma e no espírito, aqueles que sofrem a dor da perda, da traição, do abandono e da solidão. Cristo se faz solidário com toda dor e com todo sofrimento humano.
No alto da cruz Ele grita: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Salmos 21, 2). Ele sentiu a solidão, a ausência de Deus. Não é que Deus estivesse longe d’Ele ou O tivesse abandonado; é que esse é o sentimento que vem ao coração de muitos de nós quando passamos por provações difíceis, quando passamos por situações que parecem humanamente terríveis. Chegamos a pensar: “Será que Deus me esqueceu? Será que Ele não terá piedade de mim?”.
Ao dizer isso, Jesus se faz solidário ao nosso sentimento de abandono e solidão para dizer que está sofrendo conosco. Não sofrendo por compaixão apenas, mas porque sofreu tudo isso na própria carne, sofreu como nós sofremos e sobre Ele se juntaram todos os sofrimentos da humanidade.
Assim como o sofrimento de Cristo não foi estéril nem inútil; mas, pelo contrário, se tornou redentor, salvador e libertador, os nossos sofrimentos não podem ser em vão! Não sofra à toa, não sofra sem sentido, mesmo que você não compreenda a maneira como o sofrimento bate à sua porta, transforme todo e qualquer sofrimento em redenção! Una as dores que batem à sua porta, de uma forma ou de outra, aos sofrimentos de Cristo na cruz e ao mistério da Paixão redentora de Jesus. Desse modo o Senhor fará ser fecundo o nosso sofrimento, vai dar uma razão e uma direção àquilo pelo qual passamos ou enfrentamos.
Seja hoje uma presença consoladora a quem tem sofrimentos maiores, seja uma presença de conforto e solidariedade com aqueles que padecem na carne ou no espírito. Cristo Jesus se faz solidário e redentor com todo o sofrimento humano!
Hoje nós celebramos os crucificados e os sofredores de toda a humanidade. Olhando e contemplando cada um deles, nós contemplamos o Cristo Crucificado, Aquele que é o Salvador de todos nós!Deus abençoe você!
Deus nos salva na humilhação humana. Deus nos salva no desprezo humano. O Senhor nos salva e nos abençoa naquilo que parecia ser a maior de todas as maldições: que escândalo e que horror um ser humano ser pregado na cruz, lugar dos piores bandidos, lugar de castigo. Cristo foi castigado, humilhado, mas aprendeu, com Seu sofrimento, a resgatar o sofrimento de todos nós! Sobre o Seu Corpo pairavam todas as doenças e enfermidades da humanidade, toda a dor, a exclusão. Cristo morreu por todos aqueles que sofrem!
Por isso hoje nós queremos contemplar o Cristo crucificado presente no meio de nós: nossos doentes, nossos enfermos, aqueles que sofrem no corpo, na alma e no espírito, aqueles que sofrem a dor da perda, da traição, do abandono e da solidão. Cristo se faz solidário com toda dor e com todo sofrimento humano.
No alto da cruz Ele grita: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Salmos 21, 2). Ele sentiu a solidão, a ausência de Deus. Não é que Deus estivesse longe d’Ele ou O tivesse abandonado; é que esse é o sentimento que vem ao coração de muitos de nós quando passamos por provações difíceis, quando passamos por situações que parecem humanamente terríveis. Chegamos a pensar: “Será que Deus me esqueceu? Será que Ele não terá piedade de mim?”.
Ao dizer isso, Jesus se faz solidário ao nosso sentimento de abandono e solidão para dizer que está sofrendo conosco. Não sofrendo por compaixão apenas, mas porque sofreu tudo isso na própria carne, sofreu como nós sofremos e sobre Ele se juntaram todos os sofrimentos da humanidade.
Assim como o sofrimento de Cristo não foi estéril nem inútil; mas, pelo contrário, se tornou redentor, salvador e libertador, os nossos sofrimentos não podem ser em vão! Não sofra à toa, não sofra sem sentido, mesmo que você não compreenda a maneira como o sofrimento bate à sua porta, transforme todo e qualquer sofrimento em redenção! Una as dores que batem à sua porta, de uma forma ou de outra, aos sofrimentos de Cristo na cruz e ao mistério da Paixão redentora de Jesus. Desse modo o Senhor fará ser fecundo o nosso sofrimento, vai dar uma razão e uma direção àquilo pelo qual passamos ou enfrentamos.
Seja hoje uma presença consoladora a quem tem sofrimentos maiores, seja uma presença de conforto e solidariedade com aqueles que padecem na carne ou no espírito. Cristo Jesus se faz solidário e redentor com todo o sofrimento humano!
Hoje nós celebramos os crucificados e os sofredores de toda a humanidade. Olhando e contemplando cada um deles, nós contemplamos o Cristo Crucificado, Aquele que é o Salvador de todos nós!Deus abençoe você!
Quinta-Feira, Santa- Jesus suscita em nós gestos de amor para com nosso próximo. Cuidarmos uns dos outros é a melhor maneira de celebrarmos a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Quinta-feira Santa nós querem entraramos no mistério da
Paixão de Nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo com a celebração do Tríduo Pascal. A primeira face
dessa celebração é justamente
contemplarmos Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia.
Pode parecer um engano nós nos convencermos de que na Última
Ceia Jesus Cristo apenas instituiu a Eucaristia. O ápice daquele encontro foi
realmente a instituição do sacramento do Seu Corpo e do Seu
Sangue, com a ordem que Ele deu aos Seus apóstolos para que
fizessem isso em memória d’Ele.
Eucaristia é
doação, é entrega, é o primeiro ato de amor, de entrega total do Senhor por nós
no mistério da Sua Paixão. O mesmo que vai se entregar na cruz, morrendo por
nós, é o mesmo que se entrega no mistério do Pão e do Vinho, mas não celebramos
a Eucaristia somente nos alimentando com o Corpo e o Sangue do Senhor. A
Eucaristia começa no chão, começa nos pés, começa quando lavamos os pés uns dos
outros. Nós podemos ter a convicção de que ainda não aprendemos a lavar os pés
dos nossos irmãos; nós participamos bem do Banquete Eucarístico, vamos à Santa
Missa, adoramos a Jesus Sacramentado, achamos belo aquilo que há em nossas
igrejas no dia de hoje: quando o padre lava os pés dos escolhidos da
comunidade, pessoas que representam tantas realidades de nossa sociedade.
No entanto, o
gesto de Jesus não pode virar um teatro ou algo que simplesmente provoque
comoção em nós. Lavar
os pés do nosso próximo precisa fazer parte da nossa vida. Nós precisamos saber
nos abaixar, nos rebaixar e nos humilhar para cuidarmos uns dos outros. Lavar os pés de quem nós gostamos e de
quem é afável a nós talvez não seja algo muito difícil ou complicado. Lavar os
pés de quem parece leproso e indesejável, dar atenção a quem necessita dela e
cuidarmos uns dos outros são a melhor maneira de celebrarmos a Páscoa de Nosso
Senhor Jesus Cristo!
O grande
mandamento no dia de hoje é: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu
vos amei” (João 13, 34). Não é o amor apenas de sentimentos por quem
gostamos, não é o amor de nos voltar com gestos para essa ou aquela pessoa; é o
amor concreto, amor atitude, amor decisão, amor ruptura, amor que é capaz de
romper com nosso orgulho e com nosso egoísmo. Amor que se envolve em gestos de
perdão e de misericórdia. Amor que é cuidado, ternura, que se envolve de gestos
mais profundos para com a pessoa do nosso próximo, amor que quebra o nosso
orgulho e a nossa autossuficiência e nos leva a servir até as pessoas
indesejáveis.
O amor é
concreto, é real! Se não temos ainda a capacidade de amar como precisamos, que
olhemos hoje para Jesus a fim de que Seus gestos infundam em nós gestos
profundos e autênticos de amor, cuidado e ternura para com o nosso próximo!
Deus abençoe
você!
Padre Roger Araújo Sacerdote da Comunidade Canção
Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Fonte: homelia.cancaonova.com
Fotos: Maria Auxiliadora(Celebrabração quinta-feira
Santa, Matriz São Cristóvão)
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
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