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sábado, 29 de novembro de 2014

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO (30.11.14) Marcos 13, 33-37

“Digo a todos: fiquem vigiando!”

Com a celebração do Primeiro Domingo do Advento, a Igreja inicia um novo Ano Litúrgico, um ciclo que celebra todos os principais eventos da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Advento é um tempo, não tanto de penitência, mas de expectativa e preparação para a vinda do Senhor no Natal. Três figuras muito importantes da liturgia do Advento são: o profeta Isaías; o Precursor, São João Batista; e, Maria de Nazaré, a Mãe do Senhor.
            Um tema constante no Advento é o da vigilância. “O que digo a vocês, digo a todos: fiquem vigiando”. Obviamente, não no sentido de vigiar os outros; mas, da vigilância evangélica, uma atitude constante de compromisso com o seguimento de Jesus. É preciso vigiar a nós mesmos, para que não deixemos de pôr em prática as mesmas atitudes e opções concretas de Jesus de Nazaré. É vigiar para que façamos sempre o que Jesus faria se estivesse no meio de nós hoje. É vigiar para que o comodismo não tome conta de nós, reduzindo a nossa vivência cristã às práticas externas, que são indispensáveis, mas que seja uma concretização nas nossas realidades das atitudes e ações de Jesus de Nazaré.
            O convite à vigilância não é somente pessoal, mas também comunitário. Pois, com o decorrer dos anos, é possível que tanto os indivíduos como as instituições eclesiais – paróquias, congregações religiosas, pastorais específicas, movimentos de espiritualidade e até as próprias igrejas - caiam na rotina cômoda, perdendo de vista a finalidade última da sua atuação, o Reino, e se contentando com uma prática meramente externa de uma moral ou ética. O recente Sínodo ouviu muitas vezes do Papa um apelo neste sentido, para que os prelados ( e, na verdade, todos nós) saíssem das suas “torres de marfim”para sentir as alegrias e as dores, as angústias e experiência do povo em geral. O texto de hoje convida a todos nós para que façamos do discernimento um modo de viver, sempre vigilantes para que o nosso modo de ser, atuar e falar estejam coerentes com as opções concretas de Jesus de Nazaré, em favor do Reino de Deus, da justiça, solidariedade e fraternidade.
            Daqui quatro semanas, celebrar-se-á o Natal. Para muitos, será simplesmente uma festa comercial ou uma oportunidade de festejar e alegrar-se. Para outros, mergulhados na miséria e na fome, endêmicas em muitas regiões do Planeta, será sem sentido. A qualidade do nosso Natal dependerá em grande parte da qualidade do nosso Advento. Se fizermos desse tempo um verdadeiro momento de discernimento, avaliação, vigilância e renovação, então teremos realmente um Natal - um renascimento de Jesus na nossa vida. Caso contrário, somente teremos uma festa no dia 25 de Dezembro, que logo acabará e passará sem deixar rastros, a não ser dívidas a pagar ou ressacas! Atendamos o convite de Jesus! Façamos do Advento deste ano um tempo de avaliação, de oração, de renovação, e teremos a imensa alegria de um verdadeiro Natal - um reencontro verdadeiro com Jesus, o Emanuel - o Deus-Conosco!
            “O que digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando”.

Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

sábado, 22 de novembro de 2014

FESTA DE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO (23.11.14) Mateus 25, 31-46

“Quando fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim”

            Hoje encerramos as celebrações dominicais do ano litúrgico com a festa de Cristo Rei. O evangelho de hoje é o famoso texto de Mateus 25 sobre o Juízo Final. Nesse texto, enfatiza-se a sorte eterna dos que optaram ou não pelo “Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 33). O primeiro discurso do Evangelho - o Sermão da Montanha - enfatizou que quem vivesse essa justiça seria perseguido (5, 12); o segundo discurso, o Missionário, insistiu que os discípulos não deveriam ter medo diante dessas perseguições, sofrimentos e rejeição (10, 23.28.31); o terceiro - as parábolas do Reino - ensinou a paciência e perseverança diante do lento crescimento do Reino e da fraqueza da comunidade (13); o quarto - o Discurso Eclesiológico - traçou as características da comunidade dos que procuram essa justiça. Agora, o último discurso - o Escatológico - mostra que a vivência dessa justiça será o critério de Deus para o julgamento final. Ilustra-se, de uma maneira viva, o sentido da frase lapidar do Sermão da Montanha: “Se a justiça de vocês não for superior à dos doutores da lei e dos fariseus, não entrarão no Reino do Céu” (5, 20). Jesus - o Rei - não pergunta sobre o cumprimento das leis de ritual e de pureza, tão caras aos doutores da lei e fariseus, mas sobre a prática da justiça de Deus, diante do sofrimento de tanta gente - famintos, sedentos, migrantes, esfarrapados, doentes e presos. A prática de solidariedade com os oprimidos é a única prova de uma verdadeira fé em Jesus, e do seguimento fiel dele.
            Esse texto não pode deixar de nos questionar, vivendo como estamos em uma sociedade cada vez mais excludente. Celebramos hoje Jesus como “Rei do Universo”. Mas Ele se torna rei da nossa vida somente na medida em que fazemos essa opção real pelos oprimidos, e vivenciamos “O Reino de Deus e a sua justiça”, tema central do Evangelho de Mateus. Em um mundo que nos apresenta tantas outras opções “régias” - ou seja, opções que regem a nossa vida e manifestam o que são os nossos valores últimos, o texto nos leva a verificar se realmente Jesus é o Rei das nossas vidas - se é o Evangelho d’Ele que as rege, ou se o título não passa de mais um dos rótulos vazios, sem conseqüências práticas, tão queridos dos arautos de uma religião intimista, sentimentalista e individual, tanto em voga nos nossos tempos. Será que a utopia do Reino de Deus, o seguimento de Jesus até a Cruz, a prática da Justiça de Deus são os elementos que norteiam as nossas práticas, individuais e comunitárias? Se não, então Jesus Cristo ainda não se tornou Rei do nosso universo pessoal e eclesial. É o questionamento do texto de hoje, que nos recorda que Jesus não é Rei conforme os padrões deste mundo, mas o Rei pobre e justo, tão esperado pelos oprimidos de todos os tempos. A sua proposta para a sociedade não é a confirmação de uma estrutura piramidal, conforme os modelos históricos, mas a sua mudança radical para que o mundo seja regido por princípios de solidariedade e justiça, de partilha e fraternidade, ou seja, os valores do Reino de Deus. Ele é Rei, no sentido da esperança dos “pobres de Javé” do Antigo Testamento, tão bem retratada pelo profeta Segundo Zacarias: “O seu Rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num jumentinho, filho de uma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém, quebrará o arco de guerra. Anunciará paz a todas as nações, e o seu domínio irá de mar ao mar, do Rio Eufrates até os confins da terra” (Zc 9, 9s). Jesus será o nosso rei na medida em que vivemos esses valores da verdadeira Shalom, que inclui a paz, a não violência, a partilha e a justiça, e que rejeita a exclusão, a discriminação, a marginalização de quem quer que seja. .
            A crise atual no sistema financeiro mundial, com as suas cifras astronômicas de apoio aos bancos e banqueiros falidos - enquanto somente migalhas são destinadas aos bilhões e famintos e sofridos do mundo - demonstra bem como a sociedade atual é dominada pelos interesses do lucro e do capital, mesmo em países que se dizem cristãos. Estamos longe de um mundo onde Jesus Cristo seja realmente o Rei - regido pelos valores que Jesus encarnou na sua pessoa, projeto, ensinamento e opções, e que nós herdamos como discípulos/as d’Ele.
            O Papa Francisco não cansa de nos convidar para que tentemos criar uma outra sociedade, pois o Reino já está no meio de nós.  Domingo próximo, entraremos no tempo de Advento, onde teremos oportunidade de tirar do caminho as pedras que são empecilhos à chegada plena deste Reino que Jesus implantou.  A celebração do verdadeiro sentido da festa de hoje nos providencia uma oportunidade para tomarmos consciência de quanto falta para que Jesus se torne na prática, o Rei do nosso universo e nos prepara para que entremos neste tempo de graça e conversão, que é o Advento.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br


sábado, 15 de novembro de 2014

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM (16.11.14) Mateus 25, 14-30


 “Muito bem, empregado bom e fiel”


            O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos (24, 1-44), a parábola do empregado responsável (24, 45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25, 1-13), e que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final (25, 31-46).
            O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos - no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos conhecidos).

            Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7), como disse São Paulo, temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor (mensagem do trecho anterior a este, o das virgens) - o outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br

sábado, 8 de novembro de 2014

FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO (09.11.14) João 2, 13-22


“Mas Ele falava do templo do seu corpo”

A Basílica de São João Lateranense, a catedral da Igreja de Roma, é considerada a mãe de todas as Igrejas Católicas do mundo. Foi construída por Constantino nas primeiras décadas do século quatro.
No contexto do Quarto Evangelho, esse texto se situa durante a visita de Jesus a Jerusalém para a primeira das três Páscoas mencionadas neste Evangelho (nos Sinóticos  só  é mencionado uma Páscoa). No Templo, que deveria ser o lugar do culto ao Deus verdadeiro de Israel, o Deus de libertação, o Deus dos pobres e sofridos, ele encontra um verdadeiro mercado, onde, no pátio externo, era possível comprar os animais para os sacrifícios, e trocar a moeda, uma vez que a moeda corrente do país não era aceita no Templo. Quando atacava esse comércio, Jesus estava indo além da mera condenação de um abuso. Pois, os animais e o câmbio eram necessários para o funcionamento do Templo. Como nos versículos precedentes do Capítulo 2, onde Jesus substituiu a purificação dos judeus no sinal das bodas de Caná, aqui ele demonstra que o centro do culto judaico perdeu o seu sentido. Pois, a presença de Deus, antes achada no Templo, agora deturpado pela elite religiosa e política, doravante reside em Jesus, o Filho de Deus encarnado. Ele cumpre as profecias de Jeremias e Zacarias que predisseram uma religião sem templo nacionalista, explorador econômico do povo (Jr 7, 11-14; Zc 14, 20-21).
João entende que o verdadeiro e duradouro templo é o corpo de Jesus, que será ressuscitado em três dias - ele usa de propósito o verbo “reerguer” em lugar do “reconstruir” dos Sinóticos (Mt 26, 61). As autoridades judaicas (não “os judeus,” no sentido de raça ou religião) destruíram o sentido do Templo, abusando do povo economicamente, como vão destruir o corpo de Jesus, matando-o; mas Jesus tem o poder de reerguer o verdadeiro Templo onde habita Deus, na Ressurreição, depois de três dias.
É bom lembrar que a “toca” ou “covil” de  ladrões não é o lugar onde eles assaltam e roubam, mas onde eles se sentem seguros.  Assim, Jesus está dizendo que o verdadeiro assalto contra a vida do povo se dá no dia-a-dia do sistema econômico-político-social, e que os assaltantes – a elite de Jerusalém, aliada ao poder romano – se sente segura, encobrindo a realidade exploradora com ritos e rituais bonitos no Templo, como se Deus aprovasse o sistema vigente.
Mais uma vez Jesus, através de uma ação profética, desmascara a deturpação da religião, por parte das autoridades de Jerusalém. Embora o templo fosse muito bonito e imponente, com liturgias pomposas bem freqüentadas, a sua religião era vazia, pois escondia o rosto verdadeiro de Deus. As Igrejas correm este mesmo risco nos dias de hoje. Além da descarada exploração financeira dos seus fiéis por parte de alguns grupos religiosos (cuidemos para não generalizarmos aqui e que a mesma coisa não aconteça na nossa Igreja!), aos poucos muitas comunidades cristãs perderam a sua dimensão profética de denúncia e anúncio, configurando-se ao mundo neoliberal de consumismo e gratificação emocional imediata, tornando o Evangelho uma mercadoria a ser vendida através de um marketing, que jamais pode questionar os valores da sociedade vigente. Como escreveu uma vez o Frei Beto, a religião assim “brilha sob as luzes da ribalta, trocando o silêncio pela histeria pública, a meditação pela emoção, a liturgia pela dança aeróbica. Na esfera católica, torna o produto mais palatável, destituindo-o de três fatores fundamentais na constituição da igreja, mas inadequados ao mercado: a inserção dos fiéis em comunidades, a reflexão bíblico-teológica e o compromisso pastoral no serviço à justiça. As homilias se reduzem a breves exortações que não incomodam as consciências”.
 Assim, o texto de hoje nos traz um alerta - Jesus não veio compactuar com uma religião exploradora, alienadora, aliada ao poder, mas para encarnar as opções do Deus da Bíblia, libertador dos males e de toda exploração; ele veio “para que todos tenham a vida e a vida em abundância” (Jo 10, 10). Uma religião que abandonasse a sua função profética seria tão traidora como a religião decadente das elites do Templo. Diante da arrogância despótica dos que se consideram “donos” do mundo e dos seus recursos, por causa do seu poderio militar e econômico, as vozes do Papa Francisco, do Dalai Lama e de outros líderes religiosos soam profeticamente ao redor do mundo, lembrando-nos que a religião não se confina à sacristia, mas tem que levar à prática dos princípios do Reino, que recusa legitimar o derramamento de sangue e a destruição do meio-ambiente em troca de petróleo e do lucro.
Neste domingo em que a Igreja celebra a dedicação da “Igreja-Mãe” – a Basílica de São João de Latrão, em Roma - verifiquemos o estado de reparo da nossa Igreja Viva - feita não de pedras talhadas e construções imponentes, por tão bonitas e até necessárias que possam ser, mas de discípulos/as-missionários/as, inspirados pela pessoa e projeto de Jesus. Aproveitemos do ensejo para reavaliar a nossa prática religiosa, para que não caiamos na desgraça do Templo - bonito, atraente e emocionante, mas vazio de sentido.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br



Mensagem do Papa Francisco

domingo, 2 de novembro de 2014

Papa Francisco

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS (02.11.14) Mt 11, 25-30


“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei”


            A celebração de hoje, de enorme importância na prática religiosa do povo brasileiro, deve ser vista em relação com a de ontem, dia 1 de novembro - a Festa de Todos os Santos. É a grande celebração da “Comunhão dos Santos” - nós, a Igreja peregrina, ontem comemoramos a Igreja já vivendo a plenitude de vida com Deus; e hoje comemoramos a Igreja ainda em processo de purificação (a palavra “purgatório” vem do termo latino que significa “purificar” e não “sofrer”). No fundo, celebramos o imenso amor de Deus para conosco, todos participantes daquilo que celebramos todos os domingos no Credo quando declaramos que acreditamos, “Na Comunhão dos Santos, na Ressurreição da Carne e na Vida eterna”.
            Embora para muitas pessoas a celebração de hoje traga sentimentos de tristeza, pois suscita lembranças e saudades dos seus entes queridos já falecidos, realmente é uma celebração de esperança e confiança na bondade, no perdão e no amor de Deus. A primeira leitura de hoje, tirada do II Macabeus 12, 43-46, lembra que o líder judeu, Judas Macabeu, organizou uma coleta para custear sacrifícios oferecidos pela descanso eterno dos mortos, recebendo assim um elogio do autor do livro junto com o comentário “...belo e santo modo de agir, decorrente da sua crença na ressurreição!  Pois, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles.  Mas, se ele acreditava que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento.  Eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de seus faltas”.
            Nada deve marcar tanto a vida do cristão quanto a sua fé na Ressurreição.  É o fundamento de tudo.  Paulo, polemizando com a elite da comunidade de Corinto, que, influenciada pela filosofia grega, negava a realidade da Ressurreição do corpo (embora aceitasse a imortalidade da alma, o que é diferente) insiste: “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou.  E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação e vazia e a nossa fé em vão.  Se os mortos não ressuscitam, Cristo não ressuscitou.  E se Cristo não ressuscitou, a sua fé não vale nada e estão ainda no seu pecado” (I Cor 15 , 13-18).  Não há reencarnação, nem somente imortalidade da alma, mas a ressurreição do corpo – seguindo Cristo, passamos pela morte e continuamos vivos como ele, Primogênito dos  mortos, em uma vida plena com Deus.  Por isso, hoje torna-se, apesar dos sentimentos de saudade e tristeza que são naturais, a celebração do fundamento da nossa fé – a morte foi vencida, o mal é um derrotado, o pecado foi derrubado e celebramos o grande dom de Deus – que vamos participamos na sua vida plena e eterna!
            Nem sempre o Povo de Deus tinha esta fé – até quase o tempo dos Macabeus, uns 200 anos antes de Jesus, se acreditava no Sheol – a “mansão dos mortos”, destino final de todos, lugar sem vida, sem felicidade.  Por isso se acreditava muito na “teologia de retribuição” – ou seja, que Deus recompensa os bons já nesta vida com riquezas, saúde e prosperidade enquanto castiga os injustos com doenças, pobreza e morte precoce.  Mas entre os sofridos nasceu um grande questionamento – isso não se verifica na verdade das nossas vidas.  Muitas vezes os justos sofrem, são perseguidos e carecem de tudo enquanto os malvados se enriquecem e prosperam.  Assim, devagar, nasceu a fé na ressurreição dos mortos, onde a justiça de Deus se manifesta e onde o destino dos justos, apesar dos seus erros e falhas, é participar da vida plena de Deus. Assim, Jesus conclama, na Evangelho de hoje, todos os que sofrem para que ouçam a aceitem a sua mensagem de fé no Deus misericordioso, compassivo, de perdão e amor, e rejeitem o que foi muitas vezes pregado pela religião oficial do seu tempo – que os pobres e doentes são os rejeitados por Deus enquanto os prósperos e abastados são abençoados.  Jesus convida a todos para que assumamos a sua “Boa nova” e lutemos por um mundo de vida para todos, pois ele veio para que todos - e não somente os privilegiados pela sociedade materialista e excludente – tivessem “a vida e a vida em abundância” (cf Jo 10,10).Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br