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sábado, 27 de dezembro de 2014

Feliz Natal - Padre Pedro Fuss SVD

Arquivo do Padre Pedro Fuss
Fornecido por, Tile Angel.

Festa Da Sagrada Família (28.12.14) Lc 2, 22-40

“Ele crescia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele”.

            O Evangelho da Festa da Sagrada Família, é tirado dos primeiros capítulos de Lucas.  Mais uma vez encontramos um tema muito importante para esse Evangelho – o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança.  Durante Advento, Lucas fazia paralelo entre Isabel, Zacarias e João Batista, e Maria, José e Jesus.  No texto de hoje, os justos da Antiga Aliança são representados pelas figuras de Simeão e Ana, profeta e profetiza.  Outros dois temas de Lucas também se destacam nesse relato – o Espírito Santo e a opção pelos pobres.
            Lucas destaca que os pais de Jesus foram ao Templo conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para oferecer o seu sacrifício – de dois pombinhos.  Na Lei, esse sacrifício era permitido aos pobres!  Mais uma vez, continuando a lição da manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus para os pobres.  Deixa bem claro que Maria, José e Jesus eram contados entre eles – como aliás, era toda a população do Nazaré de então!
Simeão e Ana representam, em quase os mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salvação de Deus – o grupo conhecido no Antigo Testamento como os “anawim”, ou “pobres de Javé”.  É de notar que, no seu canto, Simeão proclama que ele pode “ir em paz” - simbolizando que as esperanças dos justos da Antiga Aliança agora serão realizadas em Jesus.  Como na visitação a idosa Isabel, símbolo também dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com Jesus, agora Simeão e Ana recebem com a mesma alegria a novidade da Nova Aliança, concretizada em Jesus.  Mais uma vez Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum nos seus escritos (cf. 4, 25-28; 4, 31-39; 7, 1-17; 7, 36-50; 23,55-24,35; At 16, 13-34).  Assim, Lucas insiste que o homem e a mulher se colocam juntos diante de Deus.  São iguais em dignidade e graça, recebem os mesmos dons e têm as mesmas responsabilidades.
            Como já fez em 2, 19 e fará de novo em 2, 50, Lucas frisa que os seus pais não entenderam plenamente ainda o alcance do mistério de Jesus. V. 33 insiste que “o pai e a mãe do menino estavam admirados do que se dizia dele”- mais uma vez nos apresentando José e especialmente Maria como modelos de fé. Apesar de qualquer revelação que eles tivessem, também tiveram que caminhar na escuridão da fé, descobrindo passo a passo o que significava ser discípulo de Jesus.
            Jesus “crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele”.  Mas esse crescimento foi  gradual, como com todos nós, e a sua família tinha um papel importantíssimo no seu crescimento.  Se, como adulto, ele podia nos dar a imagem de Deus como o amoroso Pai – tema tão caro a Lucas- era porque também aprendeu isso através da experiência do seu pai adotivo, José.  Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era porque aprendeu isso desde o berço, junto com os seus pais.  Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era porque assim se aprendia no ambiente familiar.  Em um mundo como nosso, que desvaloriza a vida familiar, o texto de hoje deve nos animar e desafiar, para que, como Maria e José, na claridade e na escuridão da caminhada, criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde os nossos jovens possam aprender,  como por osmose, a importância do amor nutrido em uma fé viva, na contramão da nossa sociedade consumista e materialista, que vê na família unida uma ameaça aos seus contra-valores.
            Ninguém ignora que hoje a família tradicional enfrenta enormes dificuldades.  Diante dos problemas, respostas fáceis não servem.  Nem sempre é óbvio o caminho a seguir.  Novas dificuldades e novas perguntas exigem um novo olhar da parte da Igreja.  Há pouco presenciamos algo – infelizmente - quase inédito na Igreja:– um Sínodo sobre a família onde todos os participantes eram convidados pelo Papa a expressar as suas opiniões abertamente e sem medo!  Como a Igreja precisava disso!  Houve divergências, obviamente, pois nem tudo é claro.  Há quem prefere ignorar a realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam muitas vezes muito sofrimento no seio das famílias, e refugiar-se em chavões legalistas em lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situações.  O Espírito Santo vai iluminar a Igreja e as famílias se realmente buscarmos juntos as maneiras evangélicas a responder aos novos desafios. Rezemos pelas famílias, pelas que estão bem firmes e pelas desestruturadas, e rezemos pelo papa Francisco para que tenha a força e a saúde para continuar a sua grande missão como representante de Jesus, compassivo e misericordioso, nos nosso tempos.

Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

Feliz Natal

Imagem: Congregação do Verbo Divino - Paraná

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Dia do Natal - Missa do Dia - 25 dezembro 2014 “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” João 1, 1-18


                        Comunicação é atividade primordial de toda a humanidade, e o seu instrumento privilegiado é a palavra. Diariamente somos sujeitados a uma enxurrada de palavras, que muitas vezes servem para ofuscar a verdade, e desvirtuar a justiça, funcionando como instrumento de opressão, em lugar de solidariedade humana. Assim, é bom iniciar a nossa reflexão com uma consideração sobre o conceito que está atrás do termo “Palavra”.
                        Obviamente, a primeira referência para nós é a Palavra de Deus, com destaque para a sua Palavra comunicada através da Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, o tema da Palavra Divina não é objeto de especulação abstrata, como é o caso com outras correntes de pensamento, por exemplo, o “Logos” dos filósofos alexandrinos. É antes de tudo um fato experimental: Deus fala diretamente aos homens e mulheres, ao seu povo e a toda a humanidade.
            A Palavra de Deus é comunicação, auto-expressão e acontecimento salvífico. Por isso, podemos afirmar que a própria criação assinala o começo da história da auto-comunicação e ação salvadora de Deus. Assim, podemos afirmar que a Palavra de Deus pode ser considerada sob dois aspectos, indissociáveis mas distintos: ela revela e ela age. Ela revela quem é o verdadeiro Deus, pelo que ele faz. O Deus dos hebreus não é o deus dos filósofos, distante, imutável, objeto de estudo e fria análise, mas um Deus que se revela na ação da sua Palavra criadora, congregadora e libertadora. Isso fica claro no texto que podemos considerar a chave de toda a Escritura, pois o resto da Bíblia é consequência daquilo que ela revela: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios” (Êx 3, 7-8).
            Esse “descer” do Deus bíblico tem seu auge na Encarnação, como lemos no Prólogo do Quarto Evangelho, no nosso texto de reflexão: “No início era a Palavra, e a Palavra estava com Deus... e a Palavra era Deus... e a Palavra se fez carne e armou sua tenda no meio de nós” (Jo 1, 1.14).
             O projeto de Deus acontece quando essa palavra se fez homem, armou a sua tenda (ou acampou) entre nós. O verbo grego usado “eskênôsen” deriva-se do termo “skêne, que significa uma tenda de campanha. Na visão do Quarto Evangelho, a Palavra, o Verbo Divino, “armou sua tenda” no meio da humanidade, não “ergueu o seu Templo!” Templo é fixo, tenda é móvel, ou seja, aonde anda o povo, lá estará a Palavra Viva de Deus, encarnada na pessoa e projeto de Jesus de Nazaré. Nele e por ele a Palavra age, operando a salvação aqui na terra. Podemos afirmar que o mistério da Palavra tem agora como centro a pessoa de Jesus Cristo, inseparável da sua missão e projeto.
            Mas, essa encarnação tornou-se o divisor das águas para a humanidade. Pois, “veio aos seus e os seus não a acolheram”. Assim o nosso texto desafia qualquer acomodação que porventura possa existir entre os cristãos, pois “acolher” a Palavra Encarnada não é em primeiro lugar uma crença intelectual, mas o assumir de um projeto de vida, o seguimento de Jesus de Nazaré. É uma adesão radical à pessoa e missão de Jesus, continuada em nós hoje. Como diz o Evangelho de Mateus, “nem todo aquele que me disser “Senhor, senhor!” entrará no reino de Deus, mas aquele que cumprir a vontade de meu Pai do céu” (Mt 7, 21). O nosso texto nos anima para que não esfriemos no seguimento de Jesus, e nos assegura: “Aos que a receberam, os tornou capazes de ser filhos de Deus, os que creram nele, os que não nasceram do sangue, nem do desejo da carne, nem do desejo do homem, mas de Deus” (Jo 1, 12s).
            Porém, a tomada de consciência de Jesus da sua missão, da sua identidade, não foi algo automático. A Epístola aos Hebreus enfatiza claramente o processo pelo qual Jesus passou, quando diz: “Embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através dos seus sofrimentos” (Hb 5, 8).
            Vale a pena lembrar que o sentido mais profundo do termo “obediente” vem do Latim “ob-audire”, que é escutar ou ouvir a vontade e Deus - e pô-la em prática! Ou seja, é mais uma obediência profética, (fazendo da vida de Jesus uma expressão viva da Palavra e Vontade de Deus), do que meramente disciplinar, como muitas vezes foi na prática nossa. Dentro desse processo, não há dúvida que a Palavra de Deus nas Escrituras judaicas teve um lugar de destaque para Jesus. Durante trinta anos, Jesus alimentou a sua espiritualidade, a sua fé, nas mesmas fontes do povo sofrido do interior de Palestina - na espiritualidade dos “Anawim”, os “Pobres de Javé”, que davam destaque especial para Segundo e Terceiro Isaías, e Segundo Zacarias que fomentavam esperança e coragem, afirmando a presença de Javé Libertador entre os pobres e aflitos, (p. ex: os Quatro Cantos do Servo de Javé, Is 42, 1-9; 49, 49, 1-9ª; 50, 4-11; 52,13-53,12; Is 61, 1-11; Zc 9,9-11 e Sf 3,11-13). Foi no confronto entre a Palavra de Deus, transmitida nas escrituras através dessas vozes proféticas, e a realidade dura do seu povo sofrido e explorado, que Jesus clareou e concretizou a sua identidade e missão, fazendo com que, segundo Marcos, a prisão de João fosse o sinal para que ele assumisse o manto profético messiânico, não conforme a expectativa da sociedade, mas dentro da visão dos pobres de Javé: “Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus” (Mc 1, 14s).
            Assim, nós também temos que ler esse e qualquer texto bíblico em diálogo com a realidade do nosso povo - mas de maneira especial do povo excluído, sofrido e marginalizado, como Jesus fez. O Verbo fez-se homem em Jesus de Nazaré para revelar o nome do Pai e anunciar o Reino do seu amor. Esse amor sem limites Jesus fê-lo visível no mundo pecador por sua incondicional doação a todos os homens, sobretudo aos sofredores. Pois, a palavra escrita só se torna Palavra Viva, expressão do Verbo Divino, quando encarnada na realidade do povo, seguindo as opções concretas de Jesus.
            A nossa identidade de discípulos/as-missionários/as, a nossa identidade de cristãos, a partir do nosso batismo, brota desse exemplo do Verbo Encarnado, “que armou a sua tenda entre nós”. A fonte da espiritualidade de Jesus de Nazaré foi mais em sintonia com a espiritualidade do povo do “anawim”, do que com a visão centralizadora e legalista do Templo e dos escribas. Jesus descobriu a sua missão e a colocou em prática a partir da sua prática de diálogo - com o Pai, com o povo, com as escrituras e com a situação real sócio-político-religiosa dos moradores de Galileia. Ser cristão implica encarnar essa mesma prática em nossa obra evangelizadora, onde estivermos. Longe de termos a atitude dos escribas e fariseus, convencidos como eram de ter toda a verdade sobre Deus, temos que cultivar a atitude de Jesus em diálogo com o pobre, com pessoas de outras culturas e expressões religiosas - e em muitos lugares essas categorias serão quase que sinônimas.

            Temos o desafio de cultivarmos a espiritualidade da “tenda” mais do que do “Templo” - nem sempre fácil em uma Igreja cada vez mais clericalizada nas últimas décadas (uma situação combatida pelo Papa Francisco) e onde frequentemente a identidade dos leigos é relegada a um nível secundário. Com a atitude  do Verbo que se encarnou, é obrigação inerente na nossa identidade cristã viver em diálogo com todos, cultivando o respeito às experiências de Deus nas outras culturas e expressões religiosas, em uma atitude de verdadeiro diálogo, que não é uma atividade a mais, mas “uma atitude de “solidariedade, respeito e amor” (Gaudium et Spes 3), que deve permear todas as nossas atividades”.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

NATAL: MISSA DA NOITE - 24 dezembro 2014 Lucas 2,1-20



            Esta passagem é típica do estilo de Lucas, e contém muito material peculiar a ele. Ele toma as tradições de que Maria e José eram de Nazaré e que Jesus nasceu em Belém, liga-as com as figuras de Augusto, Herodes o Grande e o Governador Quirino, e através destas figuras tece um texto que une oito dos seus temas favoritos: “comida”, “graça”, “alegria”, “pequenez”, “paz”, “salvação”, “hoje”, e “universalismo”. Lucas é um verdadeiro artista das palavras evangélicas!
            Este trecho pode ser subdivido assim:
            1) O contexto histórico e o nascimento de Jesus - 2, 1-7
            2) Pronunciamentos angélicos explicando o sentido de Jesus - 2, 8-14
            3) Respostas aos pronunciamentos dos anjos - 2, 15-20
            A chave para a compreensão do texto se acha nos versículos 11-14. Aqui Lucas apresenta Jesus como o Messias davídico que trará o dom escatológico de paz, o Shalom de Deus. Assim ele faz contraste com a figura de César Augusto. Na impotência da sua infância, Jesus é o Salvador que traz a verdadeira paz, em contraste com o poderoso Augusto, que era celebrado no culto oficial imperial como o fundador de um reino de paz, a “Pax Romana”. O “Shalom” é na verdade o contrário da “Pax Romana,” como hoje seria o oposto da pretensa “paz” imposta pelos canhões e bombardeiros da força militar prepotente - a “Pax Americana!”. Esta revelação da parte dos anjos é recebida e aceita pelos humildes pastores, e meditada por Maria, modelo de fé, e os discípulos, que terão que meditar e aprofundar o sentido de Jesus para eles, sem cessar!
            Desde a Idade Média o presépio tem mantido o seu lugar como um dos símbolos mais caros aos cristãos. Porém, é bom não deixar que a cena do nascimento de Jesus se torne uma cena somente sentimental, com lembranças saudosas da nossa infância! O relato quer sublinhar a opção de Deus que se encarnou como pobre, sem as mínimas condições para um parto digno. Em nossos presépios, até o boi e o asno tomaram banho, antes de serem colocados! A realidade de nascer em uma gruta ou estrebaria era diferente! Jesus nasce em condições semelhantes a milhões de pobres e excluídos pelo mundo afora, nos dias de hoje! É mais uma manifestação da fraqueza de Deus, que é mais forte do que os homens! (1Cor 1, 25).
            Diferente de Mateus - que tem outros interesses teológicos - os protagonistas desta cena são os pastores. Na época, eles eram considerados pessoas desqualificadas, marginais, sujos, ritualmente impuros. Mas é para essa gente que os anjos revelam o sentido do acontecido e são eles os primeiros a encontrar Jesus recém-nascido. Assim, em Lucas, são pessoas à margem da sociedade que testemunham o nascimento de Jesus, e igualmente são pessoas desqualificadas que são as testemunhas da Ressurreição - as mulheres! Lucas não perde uma oportunidade para destacar a opção preferencial de Deus pelos pobres e humilhados!
            O trecho continua com mais três ênfases tipicamente lucanas - “não ter medo”, “sentir e expressar alegria” e o termo “hoje”. Os ouvintes poderão ter coragem e alegria, porque a salvação de Deus irrompe no mundo “hoje” - não em data futura distante. Esta ideia volta diversas vezes - na sinagoga, depois de fazer a leitura de Isaías, Jesus dirá que “hoje cumpriu-se essa passagem” (4, 21); ao condenado na cruz, Jesus garante que “hoje estará comigo no paraíso” ( 23, 43). O reino da salvação está sendo inaugurado, e por Jesus, na fraqueza da exclusão social, e não por César, com toda a pompa da corte e das armas! Em uma manjedoura, e não em um palácio imperial! Por parte de quem carece de força e prestígio, e não pelos poderosos e fortes do mundo!
            Os pastores não somente testemunham a presença do recém-nascido em Belém, mas anunciam o que disseram os anjos (v. 17). Essa Boa-Notícia complementa o que foi já anunciado à Maria em 1, 31-33, por Maria em 1, 46-45, e por Zacarias em 1, 68-79. É muito significante o termo que Lucas emprega para descrever a reação de Maria:
            “Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19)
            Aqui Lucas retrata, através de Maria, a atitude do/a discípulo/a diante dos mistérios de Deus, revelados em Jesus - Maria não capta o significado pleno dos eventos e os rumina no seu íntimo. A ideia volta de novo em Lc 2, 51:
            “Sua mãe conservava no coração todas essas coisas”.
É uma maneira de apontar para a caminhada de fé que Maria trilhou - e que todos nós, que não captamos o sentido pleno da ação de Deus em nossas vidas, teremos que andar.
            O texto encerra afirmando que os pobres e marginalizados - personificados nos pastores - “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido” (v. 20). Qualquer celebração de Natal que não seja para os sofridos motivo para alegria, coragem e louvor a Deus, pode ser tudo, menos uma celebração cristã! 


Tomaz Hughes SVD

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Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

sábado, 20 de dezembro de 2014

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO (21.12.14) Lc 1, 26-38

“Faça-se em mim segundo a tua palavra”

Maria de Nazaré é a terceira figura importante nas leituras do tempo do Advento. O texto de hoje é riquíssimo, e mereceria um tratamento muito mais pormenorizado. É essencial para entendermos a figura de Maria tal como apresentada nas Escrituras.
No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe àquela feita a Zacarias (Lc 1, 5-22). Ambos os textos seguem os passos costumeiros da forma literária “anunciação” j;a conhecida no Antigo Testamento.  Há muitas semelhanças (Anjo Gabriel, confusão na parte do/a recipiente, anúncio de um nascimento, perlexidade etc), mas no primeiro relato, é feita a um sacerdote, idoso, no Templo. No texto de hoje, à uma moça, jovem, no dia-a-dia de um lugarejo, Nazaré. O sacerdote duvidou e ficou mudo, simbolizando que os ritos do Templo não têm mais nada a dizer! Maria acredita e é proclamada “bendita entre as mulheres” (1, 42).
Infelizmente, muitas vezes este trecho é interpretado de maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão – e ideologicamente foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja, deveriam ficar passivas e sem expressão! Tal interpretação distorce totalmente o que Lucas quer nos dizer!
Maria, embora não entenda plenamente (Lc 1, 29; 2,19; 2, 50s) aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser protagonista da realização desse plano divino. A frase “faça-se em mim” não deve ser interpretada de uma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de quem quer ser colaboradora na realização do projeto que Deus tem para o mundo. Não se refere somente ao fato de engravidar – isso seria muito pouco – mas à grande visão de Deus para os seus filhos e filhas. Um pouco adiante Lucas vai mostrar o alcance dessa frase, quando na boca de Maria ele coloca o grande canto de libertação, que é o Magnificat! Não é possível entender a profundidade da frase de Maria na anunciação sem ler também o Magnificat (1, 46-55). O que é que Maria quer quando ela pede que seja feita a vontade de Deus nela? Ela quer a realização da vira-volta no mundo que é o Advento do Reino de Deus, quando Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (1, 51-53).
Em um mundo onde a realidade é a prepotência e a violência dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres muitas vezes estão na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da concretização do Reino. Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no Natal deve comprometer-se de uma maneira concreta na construção de um mundo novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje em tantos lugares, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br

Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

Convite: Cantata de Natal - Coral Padre Pedro Fuss - 21/12/14


Parabéns Papa Francisco Pelos 78 anos de vida – Deus o abençoe e Proteja!

Um mês de comemorações para o Papa Francisco que, nesta quarta-feira, 17, celebrou 78 anos de vida e no último sábado, 13, comemorou seu aniversário sacerdotal.
Cardeal Jorge Mario Bergoglio, SJ, arcebispo de Buenos Aires, Argentina, nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires. Ele foi ordenado pelos jesuítas, em 13 de dezembro de 1969, durante os estudos teológicos na Faculdade de Teologia de San Miguel.
Ele era noviço-mestre em São Miguel, onde também ensinou teologia. Foi Provincial da Argentina (1973-1979) e reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel (1980-1986). Depois de completar sua tese de doutorado na Alemanha, serviu como confessor e diretor espiritual em Córdoba.
Em 20 de maio de 1992, Bergoglio foi nomeado bispo titular de Auca e Auxiliar de Buenos Aires; recebeu a consagração episcopal em 27 de junho do mesmo ano.
Em 3 de junho de 1997, foi nomeado Arcebispo Coadjutor de Buenos Aires e sucedeu o Cardeal Antonio Quarracino, em 28 de fevereiro de 1998. Foi Relator-Geral Adjunto da Assembleia Ordinária da 10º Sínodo Geral dos Bispos, em outubro de 2001.
Bergoglio atuou como presidente da Conferência Episcopal da Argentina a partir de 8 de novembro de 2005 até 8 de novembro de 2011.
Criado e proclamado cardeal pelo beato João Paulo II, no Consistório de 21 de fevereiro de 2001, com o título de S. Roberto Bellarmino (Santo Roberto Belarmino).
Membro de:
– Congregações para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para o Clero, para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
- Conselho Pontifício para a Família;
- Pontifícia Comissão para a América Latina;
Fonte:noticias.cancaonova.com ( www.matrizsaocristovao.com.br)

domingo, 14 de dezembro de 2014

TERCEIRO DOMINGO DE ADVENTO (14.12.14) Jo 1, 6-8. 19-28

“Aplainai o caminho do Senhor”

            Novamente a figura central do Evangelho de um domingo do Advento é o Precursor, João Batista. Essa vez, em um texto tirado do Evangelho do Discípulo Amado, o Batista é apresentado como testemunha de Jesus. Ele assume a identidade de quem veio gritar “Aplainai o caminho do Senhor”, usando uma frase tirada de Isaías 40, 3. No texto de Isaías, essa frase é usada para preparar o Novo Êxodo, a volta dos exilados do cativeiro na Babilônia, no início do tal chamado “Livro da Consolação de Israel” (Is 40-55). A mensagem de João Batista também prepara o povo para um evento de grande alegria - a vinda do Messias, Jesus de Nazaré!  Um novo, e mais definitiva Êxodo acontecerá através do evento salvífico de Jesus.
            Nesse texto, já no primeiro capítulo do Evangelho de João, entram em cena os que serão mais tarde os adversários de Jesus - as autoridades dos judeus. Embora, às vezes, no Quarto Evangelho o termo “os judeus” designe o povo de Israel em geral (Jo 3, 25; 4, 9.22 etc), aqui, como na maioria das vezes, o termo significa os representantes de um mundo que não compreende, e eventualmente hostiliza, Jesus. Nesse sentido, ele caracteriza especialmente as autoridades religioso-políticas do judaísmo da época - os sacerdotes, fariseus e escribas. Nunca devemos usar este Evangelho, como foi feito com certa frequencia no decorrer da história, para hostilizar o povo judeu como tal
            Atrás do texto também dá para entrever a tensão que existia no ambiente em que se escreve o texto entre os seguidores de João Batista e de Jesus. Por isso, a insistência no texto em informar que João “não era o Cristo”, mas testemunha do fato de que Jesus era o enviado de Deus.
            No mais, o Evangelho retoma a mensagem do domingo passado (Mc 1, 1-8) - um convite para que todos nós preparemos o caminho do senhor. “Aplainai o caminho do Senhor” significa facilitar a sua chegada entre nós, tirando de nossa vida tudo que possa impedir um encontro real com Jesus. No nível individual, aqui há um convite para uma conversão pessoal, que é um processo contínuo na vida de todos nós. Mas também há o desafio para que nos empenhemos na luta contra tudo que possa diminuir a vida humana - tudo que causa sofrimento aos nossos irmãos e irmãs. Pois, o pecado que existe no mundo não é somente pessoal, mas também social - muito mais do que a soma dos erros individuais. O pecado social se manifesta nas estruturas sociais injustas e opressoras, claramente denunciado na atualidade pelo Papa Francisco e pelo ensinamento social da Igreja, que tiram de tanta gente a dignidade dos filhos de Deus. A voz do Precursor, como a de Isaías, quinhentos anos antes dele, nos desafia para que a nossa conversão pessoal também se manifeste no esforço para a construção de um mundo mais digno, justo, humano e fraterno - o mundo que Jesus veio estabelecer. Isso exige envolvimento na política, pastorais sociais, organizações em prol do povo, debate sobre políticos públicos etc.  Pois a nossa fé deve nos levar à ação, como impulsionou Jesus, para que os valores do Reino cresçam entre nós.

Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matriazsaocristovao.com.br



sábado, 6 de dezembro de 2014

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO (07.12.14) Mc 1, 1-8

“Começo do Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”
            O Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser escrito, provavelmente pelo ano 70, ou na Síria, ou em Roma (Não existe consenso entre os peritos). Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero literário, hoje tão conhecido, chamado “Evangelho”, o que literalmente significa “Boa Nova” ou “Boa Notícia”. Porém, quando no primeiro versículo da sua obra ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não se refere ao gênero literário, mas à própria Boa Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o Messias, o Filho de Deus”. Pois, o escrito é somente uma das maneiras viáveis para comunicar a experiência dessa Boa Notícia, - tanto que Paulo, que nunca leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,) pôde falar aos Gálatas do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso, devemos sempre levar em conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida d’Ele. Eles são a “Boa Notícia” de Jesus. Por isso, a pergunta que devemos ter em mente em primeiro lugar ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou não?”; mas, “onde está a Boa Notícia de Jesus neste texto?”
            Como parte da nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e mensagem de um dos grandes personagens da liturgia do Advento – João, o Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do profeta Malaquias 3, 20, de Isaías 40, 3 e Êx 23, 20, Marcos enfatiza o papel de João como Precursor - aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do profetismo”, na tradição judaica, Elias. Assim, João é a última voz profética da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa Nova na pessoa e atividade de Jesus de Nazaré.
            O batismo de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra que não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal, sem que passemos pelo processo de arrependimento, conversão e pela experiência da gratuidade de Deus no perdão dos pecados.
            Mas a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão, que denota a dignidade de quem vem atrás, como num cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem - pois tirar as sandálias era serviço de um escravo. Jesus é o mais importante, pois com a vinda d’Ele inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os Essênios) somente para o fim dos tempos.

            A voz de João ressoa de novo hoje, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade, Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando as suas veredas! A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos para que os males, sejam individuais ou sociais, sejam tirados, para que o Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha, vazia de sentido.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

sábado, 29 de novembro de 2014

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO (30.11.14) Marcos 13, 33-37

“Digo a todos: fiquem vigiando!”

Com a celebração do Primeiro Domingo do Advento, a Igreja inicia um novo Ano Litúrgico, um ciclo que celebra todos os principais eventos da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Advento é um tempo, não tanto de penitência, mas de expectativa e preparação para a vinda do Senhor no Natal. Três figuras muito importantes da liturgia do Advento são: o profeta Isaías; o Precursor, São João Batista; e, Maria de Nazaré, a Mãe do Senhor.
            Um tema constante no Advento é o da vigilância. “O que digo a vocês, digo a todos: fiquem vigiando”. Obviamente, não no sentido de vigiar os outros; mas, da vigilância evangélica, uma atitude constante de compromisso com o seguimento de Jesus. É preciso vigiar a nós mesmos, para que não deixemos de pôr em prática as mesmas atitudes e opções concretas de Jesus de Nazaré. É vigiar para que façamos sempre o que Jesus faria se estivesse no meio de nós hoje. É vigiar para que o comodismo não tome conta de nós, reduzindo a nossa vivência cristã às práticas externas, que são indispensáveis, mas que seja uma concretização nas nossas realidades das atitudes e ações de Jesus de Nazaré.
            O convite à vigilância não é somente pessoal, mas também comunitário. Pois, com o decorrer dos anos, é possível que tanto os indivíduos como as instituições eclesiais – paróquias, congregações religiosas, pastorais específicas, movimentos de espiritualidade e até as próprias igrejas - caiam na rotina cômoda, perdendo de vista a finalidade última da sua atuação, o Reino, e se contentando com uma prática meramente externa de uma moral ou ética. O recente Sínodo ouviu muitas vezes do Papa um apelo neste sentido, para que os prelados ( e, na verdade, todos nós) saíssem das suas “torres de marfim”para sentir as alegrias e as dores, as angústias e experiência do povo em geral. O texto de hoje convida a todos nós para que façamos do discernimento um modo de viver, sempre vigilantes para que o nosso modo de ser, atuar e falar estejam coerentes com as opções concretas de Jesus de Nazaré, em favor do Reino de Deus, da justiça, solidariedade e fraternidade.
            Daqui quatro semanas, celebrar-se-á o Natal. Para muitos, será simplesmente uma festa comercial ou uma oportunidade de festejar e alegrar-se. Para outros, mergulhados na miséria e na fome, endêmicas em muitas regiões do Planeta, será sem sentido. A qualidade do nosso Natal dependerá em grande parte da qualidade do nosso Advento. Se fizermos desse tempo um verdadeiro momento de discernimento, avaliação, vigilância e renovação, então teremos realmente um Natal - um renascimento de Jesus na nossa vida. Caso contrário, somente teremos uma festa no dia 25 de Dezembro, que logo acabará e passará sem deixar rastros, a não ser dívidas a pagar ou ressacas! Atendamos o convite de Jesus! Façamos do Advento deste ano um tempo de avaliação, de oração, de renovação, e teremos a imensa alegria de um verdadeiro Natal - um reencontro verdadeiro com Jesus, o Emanuel - o Deus-Conosco!
            “O que digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando”.

Tomaz Hughes SVD

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Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

sábado, 22 de novembro de 2014

FESTA DE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO (23.11.14) Mateus 25, 31-46

“Quando fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim”

            Hoje encerramos as celebrações dominicais do ano litúrgico com a festa de Cristo Rei. O evangelho de hoje é o famoso texto de Mateus 25 sobre o Juízo Final. Nesse texto, enfatiza-se a sorte eterna dos que optaram ou não pelo “Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 33). O primeiro discurso do Evangelho - o Sermão da Montanha - enfatizou que quem vivesse essa justiça seria perseguido (5, 12); o segundo discurso, o Missionário, insistiu que os discípulos não deveriam ter medo diante dessas perseguições, sofrimentos e rejeição (10, 23.28.31); o terceiro - as parábolas do Reino - ensinou a paciência e perseverança diante do lento crescimento do Reino e da fraqueza da comunidade (13); o quarto - o Discurso Eclesiológico - traçou as características da comunidade dos que procuram essa justiça. Agora, o último discurso - o Escatológico - mostra que a vivência dessa justiça será o critério de Deus para o julgamento final. Ilustra-se, de uma maneira viva, o sentido da frase lapidar do Sermão da Montanha: “Se a justiça de vocês não for superior à dos doutores da lei e dos fariseus, não entrarão no Reino do Céu” (5, 20). Jesus - o Rei - não pergunta sobre o cumprimento das leis de ritual e de pureza, tão caras aos doutores da lei e fariseus, mas sobre a prática da justiça de Deus, diante do sofrimento de tanta gente - famintos, sedentos, migrantes, esfarrapados, doentes e presos. A prática de solidariedade com os oprimidos é a única prova de uma verdadeira fé em Jesus, e do seguimento fiel dele.
            Esse texto não pode deixar de nos questionar, vivendo como estamos em uma sociedade cada vez mais excludente. Celebramos hoje Jesus como “Rei do Universo”. Mas Ele se torna rei da nossa vida somente na medida em que fazemos essa opção real pelos oprimidos, e vivenciamos “O Reino de Deus e a sua justiça”, tema central do Evangelho de Mateus. Em um mundo que nos apresenta tantas outras opções “régias” - ou seja, opções que regem a nossa vida e manifestam o que são os nossos valores últimos, o texto nos leva a verificar se realmente Jesus é o Rei das nossas vidas - se é o Evangelho d’Ele que as rege, ou se o título não passa de mais um dos rótulos vazios, sem conseqüências práticas, tão queridos dos arautos de uma religião intimista, sentimentalista e individual, tanto em voga nos nossos tempos. Será que a utopia do Reino de Deus, o seguimento de Jesus até a Cruz, a prática da Justiça de Deus são os elementos que norteiam as nossas práticas, individuais e comunitárias? Se não, então Jesus Cristo ainda não se tornou Rei do nosso universo pessoal e eclesial. É o questionamento do texto de hoje, que nos recorda que Jesus não é Rei conforme os padrões deste mundo, mas o Rei pobre e justo, tão esperado pelos oprimidos de todos os tempos. A sua proposta para a sociedade não é a confirmação de uma estrutura piramidal, conforme os modelos históricos, mas a sua mudança radical para que o mundo seja regido por princípios de solidariedade e justiça, de partilha e fraternidade, ou seja, os valores do Reino de Deus. Ele é Rei, no sentido da esperança dos “pobres de Javé” do Antigo Testamento, tão bem retratada pelo profeta Segundo Zacarias: “O seu Rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num jumentinho, filho de uma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém, quebrará o arco de guerra. Anunciará paz a todas as nações, e o seu domínio irá de mar ao mar, do Rio Eufrates até os confins da terra” (Zc 9, 9s). Jesus será o nosso rei na medida em que vivemos esses valores da verdadeira Shalom, que inclui a paz, a não violência, a partilha e a justiça, e que rejeita a exclusão, a discriminação, a marginalização de quem quer que seja. .
            A crise atual no sistema financeiro mundial, com as suas cifras astronômicas de apoio aos bancos e banqueiros falidos - enquanto somente migalhas são destinadas aos bilhões e famintos e sofridos do mundo - demonstra bem como a sociedade atual é dominada pelos interesses do lucro e do capital, mesmo em países que se dizem cristãos. Estamos longe de um mundo onde Jesus Cristo seja realmente o Rei - regido pelos valores que Jesus encarnou na sua pessoa, projeto, ensinamento e opções, e que nós herdamos como discípulos/as d’Ele.
            O Papa Francisco não cansa de nos convidar para que tentemos criar uma outra sociedade, pois o Reino já está no meio de nós.  Domingo próximo, entraremos no tempo de Advento, onde teremos oportunidade de tirar do caminho as pedras que são empecilhos à chegada plena deste Reino que Jesus implantou.  A celebração do verdadeiro sentido da festa de hoje nos providencia uma oportunidade para tomarmos consciência de quanto falta para que Jesus se torne na prática, o Rei do nosso universo e nos prepara para que entremos neste tempo de graça e conversão, que é o Advento.
Tomaz Hughes SVD
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sábado, 15 de novembro de 2014

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM (16.11.14) Mateus 25, 14-30


 “Muito bem, empregado bom e fiel”


            O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos (24, 1-44), a parábola do empregado responsável (24, 45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25, 1-13), e que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final (25, 31-46).
            O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos - no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos conhecidos).

            Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7), como disse São Paulo, temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor (mensagem do trecho anterior a este, o das virgens) - o outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
Tomaz Hughes SVD
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sábado, 8 de novembro de 2014

FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO (09.11.14) João 2, 13-22


“Mas Ele falava do templo do seu corpo”

A Basílica de São João Lateranense, a catedral da Igreja de Roma, é considerada a mãe de todas as Igrejas Católicas do mundo. Foi construída por Constantino nas primeiras décadas do século quatro.
No contexto do Quarto Evangelho, esse texto se situa durante a visita de Jesus a Jerusalém para a primeira das três Páscoas mencionadas neste Evangelho (nos Sinóticos  só  é mencionado uma Páscoa). No Templo, que deveria ser o lugar do culto ao Deus verdadeiro de Israel, o Deus de libertação, o Deus dos pobres e sofridos, ele encontra um verdadeiro mercado, onde, no pátio externo, era possível comprar os animais para os sacrifícios, e trocar a moeda, uma vez que a moeda corrente do país não era aceita no Templo. Quando atacava esse comércio, Jesus estava indo além da mera condenação de um abuso. Pois, os animais e o câmbio eram necessários para o funcionamento do Templo. Como nos versículos precedentes do Capítulo 2, onde Jesus substituiu a purificação dos judeus no sinal das bodas de Caná, aqui ele demonstra que o centro do culto judaico perdeu o seu sentido. Pois, a presença de Deus, antes achada no Templo, agora deturpado pela elite religiosa e política, doravante reside em Jesus, o Filho de Deus encarnado. Ele cumpre as profecias de Jeremias e Zacarias que predisseram uma religião sem templo nacionalista, explorador econômico do povo (Jr 7, 11-14; Zc 14, 20-21).
João entende que o verdadeiro e duradouro templo é o corpo de Jesus, que será ressuscitado em três dias - ele usa de propósito o verbo “reerguer” em lugar do “reconstruir” dos Sinóticos (Mt 26, 61). As autoridades judaicas (não “os judeus,” no sentido de raça ou religião) destruíram o sentido do Templo, abusando do povo economicamente, como vão destruir o corpo de Jesus, matando-o; mas Jesus tem o poder de reerguer o verdadeiro Templo onde habita Deus, na Ressurreição, depois de três dias.
É bom lembrar que a “toca” ou “covil” de  ladrões não é o lugar onde eles assaltam e roubam, mas onde eles se sentem seguros.  Assim, Jesus está dizendo que o verdadeiro assalto contra a vida do povo se dá no dia-a-dia do sistema econômico-político-social, e que os assaltantes – a elite de Jerusalém, aliada ao poder romano – se sente segura, encobrindo a realidade exploradora com ritos e rituais bonitos no Templo, como se Deus aprovasse o sistema vigente.
Mais uma vez Jesus, através de uma ação profética, desmascara a deturpação da religião, por parte das autoridades de Jerusalém. Embora o templo fosse muito bonito e imponente, com liturgias pomposas bem freqüentadas, a sua religião era vazia, pois escondia o rosto verdadeiro de Deus. As Igrejas correm este mesmo risco nos dias de hoje. Além da descarada exploração financeira dos seus fiéis por parte de alguns grupos religiosos (cuidemos para não generalizarmos aqui e que a mesma coisa não aconteça na nossa Igreja!), aos poucos muitas comunidades cristãs perderam a sua dimensão profética de denúncia e anúncio, configurando-se ao mundo neoliberal de consumismo e gratificação emocional imediata, tornando o Evangelho uma mercadoria a ser vendida através de um marketing, que jamais pode questionar os valores da sociedade vigente. Como escreveu uma vez o Frei Beto, a religião assim “brilha sob as luzes da ribalta, trocando o silêncio pela histeria pública, a meditação pela emoção, a liturgia pela dança aeróbica. Na esfera católica, torna o produto mais palatável, destituindo-o de três fatores fundamentais na constituição da igreja, mas inadequados ao mercado: a inserção dos fiéis em comunidades, a reflexão bíblico-teológica e o compromisso pastoral no serviço à justiça. As homilias se reduzem a breves exortações que não incomodam as consciências”.
 Assim, o texto de hoje nos traz um alerta - Jesus não veio compactuar com uma religião exploradora, alienadora, aliada ao poder, mas para encarnar as opções do Deus da Bíblia, libertador dos males e de toda exploração; ele veio “para que todos tenham a vida e a vida em abundância” (Jo 10, 10). Uma religião que abandonasse a sua função profética seria tão traidora como a religião decadente das elites do Templo. Diante da arrogância despótica dos que se consideram “donos” do mundo e dos seus recursos, por causa do seu poderio militar e econômico, as vozes do Papa Francisco, do Dalai Lama e de outros líderes religiosos soam profeticamente ao redor do mundo, lembrando-nos que a religião não se confina à sacristia, mas tem que levar à prática dos princípios do Reino, que recusa legitimar o derramamento de sangue e a destruição do meio-ambiente em troca de petróleo e do lucro.
Neste domingo em que a Igreja celebra a dedicação da “Igreja-Mãe” – a Basílica de São João de Latrão, em Roma - verifiquemos o estado de reparo da nossa Igreja Viva - feita não de pedras talhadas e construções imponentes, por tão bonitas e até necessárias que possam ser, mas de discípulos/as-missionários/as, inspirados pela pessoa e projeto de Jesus. Aproveitemos do ensejo para reavaliar a nossa prática religiosa, para que não caiamos na desgraça do Templo - bonito, atraente e emocionante, mas vazio de sentido.
Tomaz Hughes SVD
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Mensagem do Papa Francisco

domingo, 2 de novembro de 2014

Papa Francisco

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS (02.11.14) Mt 11, 25-30


“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei”


            A celebração de hoje, de enorme importância na prática religiosa do povo brasileiro, deve ser vista em relação com a de ontem, dia 1 de novembro - a Festa de Todos os Santos. É a grande celebração da “Comunhão dos Santos” - nós, a Igreja peregrina, ontem comemoramos a Igreja já vivendo a plenitude de vida com Deus; e hoje comemoramos a Igreja ainda em processo de purificação (a palavra “purgatório” vem do termo latino que significa “purificar” e não “sofrer”). No fundo, celebramos o imenso amor de Deus para conosco, todos participantes daquilo que celebramos todos os domingos no Credo quando declaramos que acreditamos, “Na Comunhão dos Santos, na Ressurreição da Carne e na Vida eterna”.
            Embora para muitas pessoas a celebração de hoje traga sentimentos de tristeza, pois suscita lembranças e saudades dos seus entes queridos já falecidos, realmente é uma celebração de esperança e confiança na bondade, no perdão e no amor de Deus. A primeira leitura de hoje, tirada do II Macabeus 12, 43-46, lembra que o líder judeu, Judas Macabeu, organizou uma coleta para custear sacrifícios oferecidos pela descanso eterno dos mortos, recebendo assim um elogio do autor do livro junto com o comentário “...belo e santo modo de agir, decorrente da sua crença na ressurreição!  Pois, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles.  Mas, se ele acreditava que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento.  Eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de seus faltas”.
            Nada deve marcar tanto a vida do cristão quanto a sua fé na Ressurreição.  É o fundamento de tudo.  Paulo, polemizando com a elite da comunidade de Corinto, que, influenciada pela filosofia grega, negava a realidade da Ressurreição do corpo (embora aceitasse a imortalidade da alma, o que é diferente) insiste: “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou.  E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação e vazia e a nossa fé em vão.  Se os mortos não ressuscitam, Cristo não ressuscitou.  E se Cristo não ressuscitou, a sua fé não vale nada e estão ainda no seu pecado” (I Cor 15 , 13-18).  Não há reencarnação, nem somente imortalidade da alma, mas a ressurreição do corpo – seguindo Cristo, passamos pela morte e continuamos vivos como ele, Primogênito dos  mortos, em uma vida plena com Deus.  Por isso, hoje torna-se, apesar dos sentimentos de saudade e tristeza que são naturais, a celebração do fundamento da nossa fé – a morte foi vencida, o mal é um derrotado, o pecado foi derrubado e celebramos o grande dom de Deus – que vamos participamos na sua vida plena e eterna!
            Nem sempre o Povo de Deus tinha esta fé – até quase o tempo dos Macabeus, uns 200 anos antes de Jesus, se acreditava no Sheol – a “mansão dos mortos”, destino final de todos, lugar sem vida, sem felicidade.  Por isso se acreditava muito na “teologia de retribuição” – ou seja, que Deus recompensa os bons já nesta vida com riquezas, saúde e prosperidade enquanto castiga os injustos com doenças, pobreza e morte precoce.  Mas entre os sofridos nasceu um grande questionamento – isso não se verifica na verdade das nossas vidas.  Muitas vezes os justos sofrem, são perseguidos e carecem de tudo enquanto os malvados se enriquecem e prosperam.  Assim, devagar, nasceu a fé na ressurreição dos mortos, onde a justiça de Deus se manifesta e onde o destino dos justos, apesar dos seus erros e falhas, é participar da vida plena de Deus. Assim, Jesus conclama, na Evangelho de hoje, todos os que sofrem para que ouçam a aceitem a sua mensagem de fé no Deus misericordioso, compassivo, de perdão e amor, e rejeitem o que foi muitas vezes pregado pela religião oficial do seu tempo – que os pobres e doentes são os rejeitados por Deus enquanto os prósperos e abastados são abençoados.  Jesus convida a todos para que assumamos a sua “Boa nova” e lutemos por um mundo de vida para todos, pois ele veio para que todos - e não somente os privilegiados pela sociedade materialista e excludente – tivessem “a vida e a vida em abundância” (cf Jo 10,10).Tomaz Hughes SVD
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Papa: palavras revelam se o cristão é da luz ou das trevas

Na Missa desta segunda-feira, 27, o Papa Francisco refletiu sobre a importância do exame de consciência sobre as palavras utilizadas pelo cristão. Segundo ele, essa análise faz o cristão entender se ele é da luz, das trevas ou se é um “cristão cinzento”.

Papa preside Missa, na Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano / Foto: L’Osservatore Romano
Os homens se reconhecem por suas palavras. São Paulo, afirmou o Papa, convidando os cristãos a se comportarem como filhos da luz e não das trevas, faz uma catequese sobre palavra. Segundo ele, há quatro palavras que podem indicar se o cristão é filho das trevas.
Santo Padre destacou a importância de o cristão pensar na linguagem que utiliza e não se deixar enganar por palavras vazias
“É palavra hipócrita? Um pouco daqui, um pouco de lá para estar bem com todos? É uma palavra vazia, sem substância e cheia de vácuo? É uma palavra vulgar, trivial, isto é, mundana? Uma palavra suja, obscena? Essas quatro palavras não são dos filhos da luz, não vem do Espírito Santo, não vem de Jesus, não são palavras evangélicas”.
Francisco explicou que as palavras dos filhos da luz são aquelas que São Paulo recorda ao destacar a necessidade de imitar Deus, caminhando-O na caridade, na bondade, na mansidão, sabendo perdoar, assim como fez o próprio Senhor.
Ao mesmo tempo em que há cristãos luminosos, que procuram servir o Senhor com essa luz, há cristãos tenebrosos, disse o Papa, que conduzem uma vida de pecado e usam aquelas quatro palavras que são do maligno. Mas há ainda um terceiro grupo de cristãos:
“São os cristãos cinzentos. E estes, uma vez estão deste lado, outra vez do outro (…) Não são nem luminosos nem obscuros (…) ‘Eu sou cristão, mas sem exagerar!’, dizem, e fazem tanto mal, porque o seu testemunho cristão é um testemunho que no fim semeia confusão, semeia um testemunho negativo”.
O Papa pediu que os fiéis não se deixem enganar por palavras vazias, mas sim se comportem como filhos da luz. “Fará bem a nós pensarmos na nossa linguagem e perguntarmo-nos: ‘Sou cristão da luz? Sou cristão do escuro? Sou cristão do cinza?’ E assim podemos dar um passo adiante para encontrar o Senhor”.
Da Redação, com Rádio Vaticano

Fonte: papa.cancaonova.com

Agradecimento por Graças Alcançadas

Placas de agradecimento que foram colocadas, no túmulo do Pe. Pedro Fuss SVD, em São José dos Pinhais - Paraná, por graças alcançadas por sua intercessão.

Padre Pe. Fuss SVD em viagem a Alemanha

Padre Pedro com sua família, na Alemanha
Foto: Tile Angel

Papa Francisco

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sábado, 25 de outubro de 2014

TRIGÉSIMO DOMINGO COMUM (26.10.08) Mt 22, 34-40

“Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”

Hoje, temos mais uma das controvérsias do Capítulo 22, esta vez com os fariseus. De novo, a pergunta feita por um legista não é para descobrir a verdade, mas para armar uma cilada para Jesus - o verbo traduzido aqui como “para O pôr à prova” é o mesmo usado em v. 22, 8 (“armar cilada”). O que seria o maior mandamento era discutido entre as diversas escolas rabínicas da época - para alguns o maior era o amor a Deus, para a maioria era a observância do sábado. O Antigo Testamento enfatiza a importância de amar a Deus e de amar o próximo (Lv 19, 18 e Dt 6, 5). A originalidade de Jesus está no fato de Ele assemelhar um ao outro, dando-lhes igual importância e, sobretudo, na simplificação e concentração da Lei (que tinha 613 mandamentos) nesses dois elementos. A colocação de Jesus exige uma forma correta de amor próprio - não de egoísmo, mas de auto-respeito. A ligação íntima dos dois mandamentos não é atestada antes de Jesus e marca um avanço moral importante.
Mais uma vez, Jesus desloca o eixo da questão, como fez domingo passado na passagem sobre o imposto a César. Esta vez Ele se recusa a entrar em discussões fúteis sobre leis, para enfatizar o papel central do amor - tanto a Deus como ao próximo.
É importante frisar que o “amor” de que Jesus fala não é um mero sentimento ou emoção, como muitas vezes é na linguagem de hoje. O amor é uma atitude de vida, uma fidelidade à Aliança com Deus, uma vivência solidária com os irmãos e irmãs. Obviamente, não é possível simpatizar-nos com cada pessoa, nem gostar de cada pessoa. Mas, é possível superar antipatias e aversões, na caminhada da construção do projeto de Deus para o nosso mundo.
A ligação essencial entre o amor a Deus e ao próximo torna-se muito urgente hoje em dia, quando se dá tanto espaço a pregações intimistas e formas alienantes de “espiritualidade”, que muitas vezes não passam de uma busca disfarçada de auto-realização, mas que jamais levam a um compromisso com a transformação da nossa realidade. A frase de Jesus desautoriza qualquer pregação religiosa que separa o amor a Deus do amor ao próximo - um amor não somente afetivo (que talvez muitas vezes nem possa ser), mas, efetivo - concretizando de maneira prática a solidariedade e a justiça.
O nosso texto nos adverte contra qualquer tendência alienante ou legalista - os mandamentos não são para serem discutidos, mas vividos, no amor e compromisso. Para os rabinos do tempo de Jesus, o mundo todo dependia da Lei, do serviço no Templo e dos atos de bondade. Mateus fez com que a própria Lei dependa dos atos de amor solidário. Esse avanço feito por Jesus desafia a todos nós para que não caiamos na tentação perene de separar os dois aspectos do amor - não é possível amar a Deus sem que amemos o irmão, e o verdadeiro amor ao próximo brota do nosso amor a Deus.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Imagem: Google

Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Pe. Pedro Fuss

Visitando suas sobrinhas na Alemanha.
Foto: Tile Angel

Agradecimento por Graças recebidas por intercessão do Pe. Pedro Fuss SVD

Placa colocada no túmulo do Pe. Pedro, localizado no Cemitério Central de São José dos Pinhais -PR - Brasil.

Mensagem - Papa Francisco


Pe.Pedro Fuss SVD

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Outubro - Mês Missionário

Santo Antônio Maria Claret
O santo lembrado hoje foi de muita importância para a Igreja que guarda o testemunho de sua santidade, que mereceu a frase do Papa Pio XI que disse: “Antônio Maria Claret é uma figura verdadeiramente grande, como apóstolo infatigável”. Nasceu em 1807 em Sallent (Província de Barcelona – Espanha), ao ser batizado recebeu o nome de Antônio João, ao qual ele veio depois acrescentar o de Maria como sinal de sua especial devoção à Santíssima Virgem: “Nossa Senhora é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, meu tudo, depois de Cristo”.
Antônio Maria ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos, quando entrou para o seminário de vida, pois almejava um sacerdócio santo e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha. Ao ver a pobreza dos missionários e as portas se abrindo, Antônio Maria, com amigos, tratou de fundar a “Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria”, conhecidos como Claretianos.
O Carisma era evangelizar todos os setores, por meio da caridade de Cristo que constrangia, por isso dizia: “Não posso resistir aos impulsos interiores que me chamam para salvar almas. Tenho sede de derramar o meu sangue por Cristo!” Mal tinha fundado a Congregação, o Espírito o nomeou para Arcebispo de Santiago de Cuba, onde fez de tudo, até arriscar a própria vida, para defender os oprimidos da ilha e converter a todos, conta-se que ao chegar às terras cubanas foi logo visitar e consagrar o apostolado à Nossa Senhora do Cobre.
Com os amigos o Arcebispo Santo Antônio Maria Claret, evangelizou milhares de almas, isto através de missões populares e escritos, que chegaram a 144 obras. Fundador das Religiosas de Maria Imaculada, voltou a Espanha, também tornou-se confessor e conselheiro particular da rainha Isabel II; participou do Concílio Vaticano I, e ao desviar-se de calúnias retirou-se na França onde continuou o apostolado até passar pela morte e chegar na glória em 24 de outubro de 1870.
Foi beatificado em 1934 pelo Papa Pio XI e canonizado por Pio XII em 1950. Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de Fátima.
Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!
Fonte: santo.cancaonova.com