quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
Festa Da Sagrada Família (28.12.14) Lc 2, 22-40
“Ele
crescia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele”.
O
Evangelho da Festa da Sagrada Família, é tirado dos primeiros capítulos de
Lucas. Mais uma vez encontramos um tema
muito importante para esse Evangelho – o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança. Durante Advento, Lucas fazia paralelo entre
Isabel, Zacarias e João Batista, e Maria, José e Jesus. No texto de hoje, os justos da Antiga Aliança
são representados pelas figuras de Simeão e Ana, profeta e profetiza. Outros dois temas de Lucas também se destacam
nesse relato – o Espírito Santo e a opção pelos pobres.
Lucas
destaca que os pais de Jesus foram ao Templo conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para
oferecer o seu sacrifício – de dois pombinhos.
Na Lei, esse sacrifício era permitido aos pobres! Mais uma vez, continuando a lição da
manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus para os
pobres. Deixa bem claro que Maria, José
e Jesus eram contados entre eles – como aliás, era toda a população do Nazaré
de então!
Simeão e Ana representam, em quase os
mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salvação de Deus
– o grupo conhecido no Antigo Testamento como os “anawim”, ou “pobres de Javé”. É de notar que, no seu canto, Simeão proclama
que ele pode “ir em paz” -
simbolizando que as esperanças dos justos da Antiga Aliança agora serão
realizadas em Jesus. Como na visitação a idosa
Isabel, símbolo também dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com
Jesus, agora Simeão e Ana recebem com a mesma alegria a novidade da Nova Aliança,
concretizada em
Jesus. Mais uma vez
Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum nos seus escritos (cf. 4,
25-28; 4, 31-39; 7, 1-17; 7, 36-50; 23,55-24,35; At 16, 13-34). Assim, Lucas insiste que o homem e a mulher
se colocam juntos diante de Deus. São
iguais em dignidade e graça, recebem os mesmos dons e têm as mesmas
responsabilidades.
Como já fez em 2, 19 e fará de novo
em 2, 50, Lucas frisa que os seus pais não entenderam plenamente ainda o
alcance do mistério de Jesus. V. 33 insiste que “o pai e a mãe do menino estavam admirados do que se dizia dele”-
mais uma vez nos apresentando José e especialmente Maria como modelos de fé.
Apesar de qualquer revelação que eles tivessem, também tiveram que caminhar na
escuridão da fé, descobrindo passo a passo o que significava ser discípulo de
Jesus.
Jesus
“crescia e se fortalecia, cheio de
sabedoria e o favor de Deus estava com ele”. Mas esse crescimento foi gradual, como com todos nós, e a sua família
tinha um papel importantíssimo no seu crescimento. Se, como adulto, ele podia nos dar a imagem
de Deus como o amoroso Pai – tema tão caro a Lucas- era porque também aprendeu
isso através da experiência do seu pai adotivo, José. Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era
porque aprendeu isso desde o berço, junto com os seus pais. Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era
porque assim se aprendia no ambiente familiar.
Em um mundo como nosso, que desvaloriza a vida familiar, o texto de hoje
deve nos animar e desafiar, para que, como Maria e José, na claridade e na
escuridão da caminhada, criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde
os nossos jovens possam aprender, como
por osmose, a importância do amor nutrido em uma fé viva, na contramão da nossa
sociedade consumista e materialista, que vê na família unida uma ameaça aos
seus contra-valores.
Ninguém
ignora que hoje a família tradicional enfrenta enormes dificuldades. Diante dos problemas, respostas fáceis não
servem. Nem sempre é óbvio o caminho a
seguir. Novas dificuldades e novas perguntas
exigem um novo olhar da parte da Igreja.
Há pouco presenciamos algo – infelizmente - quase inédito na Igreja:– um
Sínodo sobre a família onde todos os participantes eram convidados pelo Papa a
expressar as suas opiniões abertamente e sem medo! Como a Igreja precisava disso! Houve divergências, obviamente, pois nem tudo
é claro. Há quem prefere ignorar a
realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam muitas vezes
muito sofrimento no seio das famílias, e refugiar-se em chavões legalistas em
lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situações. O Espírito Santo vai iluminar a Igreja e as
famílias se realmente buscarmos juntos as maneiras evangélicas a responder aos
novos desafios. Rezemos pelas famílias, pelas que estão bem firmes e pelas
desestruturadas, e rezemos pelo papa Francisco para que tenha a força e a saúde
para continuar a sua grande missão como representante de Jesus, compassivo e
misericordioso, nos nosso tempos.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Dia do Natal - Missa do Dia - 25 dezembro 2014 “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” João 1, 1-18
Comunicação
é atividade primordial de toda a humanidade, e o seu instrumento privilegiado é
a palavra. Diariamente somos sujeitados a uma enxurrada de palavras, que muitas
vezes servem para ofuscar a verdade, e desvirtuar a justiça, funcionando como
instrumento de opressão, em lugar de solidariedade humana. Assim, é bom iniciar
a nossa reflexão com uma consideração sobre o conceito que está atrás do termo
“Palavra”.
Obviamente,
a primeira referência para nós é a Palavra de Deus, com destaque para a sua
Palavra comunicada através da Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, o tema
da Palavra Divina não é objeto de especulação abstrata, como é o caso com
outras correntes de pensamento, por exemplo, o “Logos” dos filósofos
alexandrinos. É antes de tudo um fato experimental: Deus fala diretamente aos
homens e mulheres, ao seu povo e a toda a humanidade.
A
Palavra de Deus é comunicação, auto-expressão e acontecimento salvífico. Por
isso, podemos afirmar que a própria criação assinala o começo da história da
auto-comunicação e ação salvadora de Deus. Assim, podemos afirmar que a Palavra
de Deus pode ser considerada sob dois aspectos, indissociáveis mas distintos:
ela revela e ela age. Ela revela quem é o verdadeiro Deus, pelo que ele faz. O
Deus dos hebreus não é o deus dos filósofos, distante, imutável, objeto de
estudo e fria análise, mas um Deus que se revela na ação da sua Palavra
criadora, congregadora e libertadora. Isso fica claro no texto que podemos
considerar a chave de toda a Escritura, pois o resto da Bíblia é consequência
daquilo que ela revela: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no
Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos.
Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios” (Êx 3, 7-8).
Esse
“descer” do Deus bíblico tem seu auge na Encarnação, como lemos no Prólogo do
Quarto Evangelho, no nosso texto de reflexão: “No início era a Palavra, e a
Palavra estava com Deus... e a Palavra era Deus... e a Palavra se fez carne e
armou sua tenda no meio de nós” (Jo 1, 1.14).
O projeto de Deus acontece quando essa palavra
se fez homem, armou a sua tenda (ou acampou) entre nós. O verbo grego usado
“eskênôsen” deriva-se do termo “skêne, que significa uma tenda de campanha. Na
visão do Quarto Evangelho, a Palavra, o Verbo Divino, “armou sua tenda” no meio
da humanidade, não “ergueu o seu Templo!” Templo é fixo, tenda é móvel, ou
seja, aonde anda o povo, lá estará a Palavra Viva de Deus, encarnada na pessoa
e projeto de Jesus de Nazaré. Nele e por ele a Palavra age, operando a salvação
aqui na terra. Podemos afirmar que o mistério da Palavra tem agora como centro
a pessoa de Jesus Cristo, inseparável da sua missão e projeto.
Mas, essa encarnação tornou-se o divisor das águas para a
humanidade. Pois, “veio aos seus e os seus não a acolheram”. Assim o nosso
texto desafia qualquer acomodação que porventura possa existir entre os
cristãos, pois “acolher” a Palavra Encarnada não é em primeiro lugar uma crença
intelectual, mas o assumir de um projeto de vida, o seguimento de Jesus de
Nazaré. É uma adesão radical à pessoa e missão de Jesus, continuada em nós
hoje. Como diz o Evangelho de Mateus, “nem todo aquele que me disser “Senhor,
senhor!” entrará no reino de Deus, mas aquele que cumprir a vontade de meu Pai
do céu” (Mt 7, 21). O nosso texto nos anima para que não esfriemos no
seguimento de Jesus, e nos assegura: “Aos que a receberam, os tornou capazes de
ser filhos de Deus, os que creram nele, os que não nasceram do sangue, nem do
desejo da carne, nem do desejo do homem, mas de Deus” (Jo 1, 12s).
Porém,
a tomada de consciência de Jesus da sua missão, da sua identidade, não foi algo
automático. A Epístola aos Hebreus enfatiza claramente o processo pelo qual
Jesus passou, quando diz: “Embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente
através dos seus sofrimentos” (Hb 5, 8).
Vale
a pena lembrar que o sentido mais profundo do termo “obediente” vem do Latim
“ob-audire”, que é escutar ou ouvir a vontade e Deus - e pô-la em prática! Ou
seja, é mais uma obediência profética, (fazendo da vida de Jesus uma expressão
viva da Palavra e Vontade de Deus), do que meramente disciplinar, como muitas
vezes foi na prática nossa. Dentro desse processo, não há dúvida que a Palavra
de Deus nas Escrituras judaicas teve um lugar de destaque para Jesus. Durante
trinta anos, Jesus alimentou a sua espiritualidade, a sua fé, nas mesmas fontes
do povo sofrido do interior de Palestina - na espiritualidade dos “Anawim”, os
“Pobres de Javé”, que davam destaque especial para Segundo e Terceiro Isaías, e
Segundo Zacarias que fomentavam esperança e coragem, afirmando a presença de
Javé Libertador entre os pobres e aflitos, (p. ex: os Quatro Cantos do Servo de
Javé, Is 42, 1-9; 49, 49, 1-9ª; 50, 4-11; 52,13-53,12; Is 61, 1-11; Zc 9,9-11 e
Sf 3,11-13). Foi no confronto entre a Palavra de Deus, transmitida nas
escrituras através dessas vozes proféticas, e a realidade dura do seu povo
sofrido e explorado, que Jesus clareou e concretizou a sua identidade e missão,
fazendo com que, segundo Marcos, a prisão de João fosse o sinal para que ele
assumisse o manto profético messiânico, não conforme a expectativa da
sociedade, mas dentro da visão dos pobres de Javé: “Depois que João Batista foi
preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus” (Mc 1, 14s).
Assim, nós também temos que ler esse
e qualquer texto bíblico em diálogo com a realidade do nosso povo - mas de
maneira especial do povo excluído, sofrido e marginalizado, como Jesus fez. O
Verbo fez-se homem em Jesus de Nazaré para revelar o nome do Pai e anunciar o
Reino do seu amor. Esse amor sem limites Jesus fê-lo visível no mundo pecador
por sua incondicional doação a todos os homens, sobretudo aos sofredores. Pois,
a palavra escrita só se torna Palavra Viva, expressão do Verbo Divino, quando
encarnada na realidade do povo, seguindo as opções concretas de Jesus.
A nossa identidade de
discípulos/as-missionários/as, a nossa identidade de cristãos, a partir do
nosso batismo, brota desse exemplo do Verbo Encarnado, “que armou a sua tenda
entre nós”. A fonte da espiritualidade de Jesus de Nazaré foi mais em sintonia
com a espiritualidade do povo do “anawim”, do que com a visão centralizadora e
legalista do Templo e dos escribas. Jesus descobriu a sua missão e a colocou em
prática a partir da sua prática de diálogo - com o Pai, com o povo, com as
escrituras e com a situação real sócio-político-religiosa dos moradores de
Galileia. Ser cristão implica encarnar essa mesma prática em nossa obra
evangelizadora, onde estivermos. Longe de termos a atitude dos escribas e
fariseus, convencidos como eram de ter toda a verdade sobre Deus, temos que
cultivar a atitude de Jesus em diálogo com o pobre, com pessoas de outras
culturas e expressões religiosas - e em muitos lugares essas categorias serão
quase que sinônimas.
Temos o desafio de cultivarmos a
espiritualidade da “tenda” mais do que do “Templo” - nem sempre fácil em uma Igreja cada vez
mais clericalizada nas últimas décadas (uma situação combatida pelo Papa
Francisco) e onde frequentemente a identidade dos leigos é relegada a um nível
secundário. Com a atitude do Verbo que
se encarnou, é obrigação inerente na nossa identidade cristã viver em diálogo
com todos, cultivando o respeito às experiências de Deus nas outras culturas e
expressões religiosas, em uma atitude de verdadeiro diálogo, que não é uma
atividade a mais, mas “uma atitude de “solidariedade, respeito e amor” (Gaudium
et Spes 3), que deve permear todas as nossas atividades”.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
NATAL: MISSA DA NOITE - 24 dezembro 2014 Lucas 2,1-20
Esta passagem é
típica do estilo de Lucas, e contém muito material peculiar a ele. Ele toma as
tradições de que Maria e José eram de Nazaré e que Jesus nasceu em Belém,
liga-as com as figuras de Augusto, Herodes o Grande e o Governador Quirino, e
através destas figuras tece um texto que une oito dos seus temas favoritos:
“comida”, “graça”, “alegria”, “pequenez”, “paz”, “salvação”, “hoje”, e
“universalismo”. Lucas é um verdadeiro artista das palavras evangélicas!
Este trecho pode
ser subdivido assim:
1) O contexto
histórico e o nascimento de Jesus - 2, 1-7
2)
Pronunciamentos angélicos explicando o sentido de Jesus - 2, 8-14
3) Respostas aos
pronunciamentos dos anjos - 2, 15-20
A chave para a
compreensão do texto se acha nos versículos 11-14. Aqui Lucas apresenta Jesus
como o Messias davídico que trará o dom escatológico de paz, o Shalom de Deus.
Assim ele faz contraste com a figura de César Augusto. Na impotência da sua
infância, Jesus é o Salvador que traz a verdadeira paz, em contraste com o
poderoso Augusto, que era celebrado no culto oficial imperial como o fundador
de um reino de paz, a “Pax Romana”. O “Shalom” é na verdade o contrário da “Pax
Romana,” como hoje seria o oposto da pretensa “paz” imposta pelos canhões e
bombardeiros da força militar prepotente - a “Pax Americana!”. Esta revelação
da parte dos anjos é recebida e aceita pelos humildes pastores, e meditada por
Maria, modelo de fé, e os discípulos, que terão que meditar e aprofundar o
sentido de Jesus para eles, sem cessar!
Desde a Idade
Média o presépio tem mantido o seu lugar como um dos símbolos mais caros aos
cristãos. Porém, é bom não deixar que a cena do nascimento de Jesus se torne
uma cena somente sentimental, com lembranças saudosas da nossa infância! O
relato quer sublinhar a opção de Deus que se encarnou como pobre, sem as
mínimas condições para um parto digno. Em nossos presépios, até o boi e o asno
tomaram banho, antes de serem colocados! A realidade de nascer em uma gruta ou
estrebaria era diferente! Jesus nasce em condições semelhantes a milhões de
pobres e excluídos pelo mundo afora, nos dias de hoje! É mais uma manifestação
da fraqueza de Deus, que é mais forte do que os homens! (1Cor 1, 25).
Diferente de Mateus - que tem outros
interesses teológicos - os protagonistas desta cena são os pastores. Na época,
eles eram considerados pessoas desqualificadas, marginais, sujos, ritualmente
impuros. Mas é para essa gente que os anjos revelam o sentido do acontecido e
são eles os primeiros a encontrar Jesus recém-nascido. Assim, em Lucas, são
pessoas à margem da sociedade que testemunham o nascimento de Jesus, e
igualmente são pessoas desqualificadas que são as testemunhas da Ressurreição -
as mulheres! Lucas não perde uma oportunidade para destacar a opção
preferencial de Deus pelos pobres e humilhados!
O trecho continua
com mais três ênfases tipicamente lucanas - “não ter medo”, “sentir e expressar
alegria” e o termo “hoje”. Os ouvintes poderão ter coragem e alegria, porque a
salvação de Deus irrompe no mundo “hoje” - não em data futura distante. Esta
ideia volta diversas vezes - na sinagoga, depois de fazer a leitura de Isaías,
Jesus dirá que “hoje cumpriu-se essa passagem” (4, 21); ao condenado na cruz,
Jesus garante que “hoje estará comigo no paraíso” ( 23, 43). O reino da
salvação está sendo inaugurado, e por Jesus, na fraqueza da exclusão social, e
não por César, com toda a pompa da corte e das armas! Em uma manjedoura, e não
em um palácio imperial! Por parte de quem carece de força e prestígio, e não
pelos poderosos e fortes do mundo!
Os pastores não
somente testemunham a presença do recém-nascido em Belém, mas anunciam o que
disseram os anjos (v. 17). Essa Boa-Notícia complementa o que foi já anunciado
à Maria em 1, 31-33, por Maria em 1, 46-45, e por Zacarias em 1, 68-79. É muito
significante o termo que Lucas emprega para descrever a reação de Maria:
“Maria, porém,
conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (v. 19)
Aqui Lucas
retrata, através de Maria, a atitude do/a discípulo/a diante dos mistérios de
Deus, revelados em Jesus - Maria não capta o significado pleno dos eventos e os
rumina no seu íntimo. A ideia volta de novo em Lc 2, 51:
“Sua mãe
conservava no coração todas essas coisas”.
É uma maneira de apontar para a caminhada
de fé que Maria trilhou - e que todos nós, que não captamos o sentido pleno da
ação de Deus em nossas vidas, teremos que andar.
O
texto encerra afirmando que os pobres e marginalizados - personificados nos
pastores - “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam
visto e ouvido” (v. 20). Qualquer celebração de Natal que não seja para os
sofridos motivo para alegria, coragem e louvor a Deus, pode ser tudo, menos uma
celebração cristã!
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
sábado, 20 de dezembro de 2014
QUARTO DOMINGO DO ADVENTO (21.12.14) Lc 1, 26-38
“Faça-se em mim segundo a tua palavra”
Maria de Nazaré é a terceira figura importante nas leituras
do tempo do Advento. O texto de hoje é riquíssimo, e mereceria um tratamento
muito mais pormenorizado. É essencial para entendermos a figura de Maria tal
como apresentada nas Escrituras.
No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe
àquela feita a Zacarias (Lc 1, 5-22). Ambos os textos seguem os passos
costumeiros da forma literária “anunciação” j;a conhecida no Antigo
Testamento. Há muitas semelhanças (Anjo Gabriel, confusão na parte do/a
recipiente, anúncio de um nascimento, perlexidade etc), mas no primeiro relato,
é feita a um sacerdote, idoso, no Templo. No texto de hoje, à uma moça, jovem,
no dia-a-dia de um lugarejo, Nazaré. O sacerdote duvidou e ficou mudo,
simbolizando que os ritos do Templo não têm mais nada a dizer! Maria acredita e
é proclamada “bendita entre as mulheres” (1, 42).
Infelizmente, muitas vezes este trecho é interpretado de
maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão – e
ideologicamente foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja,
deveriam ficar passivas e sem expressão! Tal interpretação distorce totalmente
o que Lucas quer nos dizer!
Maria, embora não entenda plenamente (Lc 1, 29; 2,19; 2,
50s) aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser
protagonista da realização desse plano divino. A frase “faça-se em mim” não
deve ser interpretada de uma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de
quem quer ser colaboradora na realização do projeto que Deus tem para o mundo.
Não se refere somente ao fato de engravidar – isso seria muito pouco – mas à
grande visão de Deus para os seus filhos e filhas. Um pouco adiante Lucas vai
mostrar o alcance dessa frase, quando na boca de Maria ele coloca o grande
canto de libertação, que é o Magnificat! Não é possível entender a profundidade
da frase de Maria na anunciação sem ler também o Magnificat (1, 46-55). O que é
que Maria quer quando ela pede que seja feita a vontade de Deus nela? Ela quer
a realização da vira-volta no mundo que é o Advento do Reino de Deus, quando
Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos
dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os
ricos de mãos vazias” (1, 51-53).
Em um mundo onde a realidade é a prepotência e a violência
dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres muitas vezes estão
na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da
concretização do Reino. Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no
Natal deve comprometer-se de uma maneira concreta na construção de um mundo
novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje em tantos
lugares, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
Parabéns Papa Francisco Pelos 78 anos de vida – Deus o abençoe e Proteja!
Um mês de comemorações para o Papa Francisco que, nesta
quarta-feira, 17, celebrou 78 anos de vida e no último sábado, 13, comemorou
seu aniversário sacerdotal.
Cardeal Jorge Mario Bergoglio, SJ, arcebispo de Buenos
Aires, Argentina, nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires. Ele
foi ordenado pelos jesuítas, em 13 de dezembro de 1969, durante os estudos
teológicos na Faculdade de Teologia de San Miguel.
Ele era noviço-mestre em São Miguel , onde também
ensinou teologia. Foi Provincial da Argentina (1973-1979) e reitor da Faculdade
de Filosofia e Teologia de San Miguel (1980-1986). Depois de completar sua tese
de doutorado na Alemanha, serviu como confessor e diretor espiritual em
Córdoba.
Em 20 de maio de 1992, Bergoglio foi nomeado bispo titular
de Auca e Auxiliar de Buenos Aires; recebeu a consagração episcopal em 27 de
junho do mesmo ano.
Em 3 de junho de 1997, foi nomeado Arcebispo Coadjutor de
Buenos Aires e sucedeu o Cardeal Antonio Quarracino, em 28 de fevereiro de
1998. Foi Relator-Geral Adjunto da Assembleia Ordinária da 10º Sínodo Geral dos
Bispos, em outubro de 2001.
Bergoglio atuou como presidente da Conferência Episcopal da
Argentina a partir de 8 de novembro de 2005 até 8 de novembro de 2011.
Criado e proclamado cardeal pelo beato João Paulo II, no
Consistório de 21 de fevereiro de 2001, com o título de S. Roberto Bellarmino
(Santo Roberto Belarmino).
Membro de:
– Congregações para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos, para o Clero, para os Institutos de Vida Consagrada e as
Sociedades de Vida Apostólica;
- Conselho Pontifício para a Família;
- Pontifícia Comissão para a América Latina;
Fonte: Site
Oficial Santa Sé
Fonte:noticias.cancaonova.com ( www.matrizsaocristovao.com.br)
domingo, 14 de dezembro de 2014
TERCEIRO DOMINGO DE ADVENTO (14.12.14) Jo 1, 6-8. 19-28
“Aplainai o caminho
do Senhor”
Novamente
a figura central do Evangelho de um domingo do Advento é o Precursor, João
Batista. Essa vez, em um texto tirado do Evangelho do Discípulo Amado, o
Batista é apresentado como testemunha de Jesus. Ele assume a identidade de quem
veio gritar “Aplainai o caminho do Senhor”, usando uma frase tirada de Isaías
40, 3. No texto de Isaías, essa frase é usada para preparar o Novo Êxodo, a
volta dos exilados do cativeiro na Babilônia, no início do tal chamado “Livro
da Consolação de Israel” (Is 40-55). A mensagem de João Batista também prepara
o povo para um evento de grande alegria - a vinda do Messias, Jesus de Nazaré! Um novo, e mais definitiva Êxodo acontecerá
através do evento salvífico de Jesus.
Nesse
texto, já no primeiro capítulo do Evangelho de João, entram em cena os que
serão mais tarde os adversários de Jesus - as autoridades dos judeus. Embora,
às vezes, no Quarto Evangelho o termo “os judeus” designe o povo de Israel em
geral (Jo 3, 25; 4, 9.22 etc), aqui, como na maioria das vezes, o termo
significa os representantes de um mundo que não compreende, e eventualmente
hostiliza, Jesus. Nesse sentido, ele caracteriza especialmente as autoridades
religioso-políticas do judaísmo da época - os sacerdotes, fariseus e escribas.
Nunca devemos usar este Evangelho, como foi feito com certa frequencia no
decorrer da história, para hostilizar o povo judeu como tal
Atrás do
texto também dá para entrever a tensão que existia no ambiente em que se
escreve o texto entre os seguidores de João Batista e de Jesus. Por isso, a
insistência no texto em informar que João “não era o Cristo”, mas testemunha do
fato de que Jesus era o enviado de Deus.
No mais, o
Evangelho retoma a mensagem do domingo passado (Mc 1, 1-8) - um convite para
que todos nós preparemos o caminho do senhor. “Aplainai o caminho do Senhor”
significa facilitar a sua chegada entre nós, tirando de nossa vida tudo que
possa impedir um encontro real com Jesus. No nível individual, aqui há um
convite para uma conversão pessoal, que é um processo contínuo na vida de todos
nós. Mas também há o desafio para que nos empenhemos na luta contra tudo que
possa diminuir a vida humana - tudo que causa sofrimento aos nossos irmãos e
irmãs. Pois, o pecado que existe no mundo não é somente pessoal, mas também
social - muito mais do que a soma dos erros individuais. O pecado social se
manifesta nas estruturas sociais injustas e opressoras, claramente denunciado
na atualidade pelo Papa Francisco e pelo ensinamento social da Igreja, que
tiram de tanta gente a dignidade dos filhos de Deus. A voz do Precursor, como a
de Isaías, quinhentos anos antes dele, nos desafia para que a nossa conversão
pessoal também se manifeste no esforço para a construção de um mundo mais
digno, justo, humano e fraterno - o mundo que Jesus veio estabelecer. Isso
exige envolvimento na política, pastorais sociais, organizações em prol do
povo, debate sobre políticos públicos etc.
Pois a nossa fé deve nos levar à ação, como impulsionou Jesus, para que
os valores do Reino cresçam entre nós.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matriazsaocristovao.com.br
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO (07.12.14) Mc 1, 1-8
“Começo do
Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”
O
Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser
escrito, provavelmente pelo ano 70, ou na Síria, ou em Roma (Não existe consenso
entre os peritos). Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero
literário, hoje tão conhecido, chamado “Evangelho”, o que literalmente
significa “Boa Nova” ou “Boa Notícia”. Porém, quando no primeiro versículo da
sua obra ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não se refere ao gênero
literário, mas à própria Boa Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o
Messias, o Filho de Deus”. Pois, o escrito é somente uma das maneiras viáveis
para comunicar a experiência dessa Boa Notícia, - tanto que Paulo, que nunca
leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,) pôde falar aos Gálatas
do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso, devemos sempre levar em
conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma
biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida d’Ele. Eles são a
“Boa Notícia” de Jesus. Por isso, a pergunta que devemos ter em mente em
primeiro lugar ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou
não?”; mas, “onde está a Boa Notícia de Jesus neste texto?”
Como parte
da nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e
mensagem de um dos grandes personagens da liturgia do Advento – João, o
Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do
profeta Malaquias 3, 20, de Isaías 40, 3 e Êx 23, 20, Marcos enfatiza o papel
de João como Precursor - aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João
estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do
profetismo”, na tradição judaica, Elias. Assim, João é a última voz profética
da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa Nova na pessoa e atividade de
Jesus de Nazaré.
O batismo
de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos
pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja
primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra que
não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal, sem que
passemos pelo processo de arrependimento, conversão e pela experiência da
gratuidade de Deus no perdão dos pecados.
Mas a
ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem
viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão,
que denota a dignidade de quem vem atrás, como num cortejo, põe toda a
importância na pessoa que vem - pois tirar as sandálias era serviço de um
escravo. Jesus é o mais importante, pois com a vinda d’Ele inaugura-se o tempo
de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os
Essênios) somente para o fim dos tempos.
A voz de
João ressoa de novo hoje, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade,
Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando as suas
veredas! A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos
para que os males, sejam individuais ou sociais, sejam tirados, para que o
Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha,
vazia de sentido.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO (30.11.14) Marcos 13, 33-37
“Digo
a todos: fiquem vigiando!”
Com a celebração do Primeiro Domingo do
Advento, a Igreja inicia um novo Ano Litúrgico, um ciclo que celebra todos os
principais eventos da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Advento é um
tempo, não tanto de penitência, mas de expectativa e preparação para a vinda do
Senhor no Natal. Três figuras muito importantes da liturgia do Advento são: o
profeta Isaías; o Precursor, São João Batista; e, Maria de Nazaré, a Mãe do
Senhor.
Um
tema constante no Advento é o da vigilância. “O que digo a vocês, digo a todos:
fiquem vigiando”. Obviamente, não no sentido de vigiar os outros; mas, da
vigilância evangélica, uma atitude constante de compromisso com o seguimento de
Jesus. É preciso vigiar a nós mesmos, para que não deixemos de pôr em prática
as mesmas atitudes e opções concretas de Jesus de Nazaré. É vigiar para que
façamos sempre o que Jesus faria se estivesse no meio de nós hoje. É vigiar
para que o comodismo não tome conta de nós, reduzindo a nossa vivência cristã
às práticas externas, que são indispensáveis, mas que seja uma concretização
nas nossas realidades das atitudes e ações de Jesus de Nazaré.
O
convite à vigilância não é somente pessoal, mas também comunitário. Pois, com o
decorrer dos anos, é possível que tanto os indivíduos como as instituições
eclesiais – paróquias, congregações religiosas, pastorais específicas,
movimentos de espiritualidade e até as próprias igrejas - caiam na rotina
cômoda, perdendo de vista a finalidade última da sua atuação, o Reino, e se
contentando com uma prática meramente externa de uma moral ou ética. O recente
Sínodo ouviu muitas vezes do Papa um apelo neste sentido, para que os prelados
( e, na verdade, todos nós) saíssem das suas “torres de marfim”para sentir as
alegrias e as dores, as angústias e experiência do povo em geral. O texto de hoje
convida a todos nós para que façamos do discernimento um modo de viver, sempre
vigilantes para que o nosso modo de ser, atuar e falar estejam coerentes com as
opções concretas de Jesus de Nazaré, em favor do Reino de Deus, da justiça,
solidariedade e fraternidade.
Daqui
quatro semanas, celebrar-se-á o Natal. Para muitos, será simplesmente uma festa
comercial ou uma oportunidade de festejar e alegrar-se. Para outros,
mergulhados na miséria e na fome, endêmicas em muitas regiões do Planeta, será
sem sentido. A qualidade do nosso Natal dependerá em grande parte da qualidade
do nosso Advento. Se fizermos desse tempo um verdadeiro momento de
discernimento, avaliação, vigilância e renovação, então teremos realmente um
Natal - um renascimento de Jesus na nossa vida. Caso contrário, somente teremos
uma festa no dia 25 de Dezembro, que logo acabará e passará sem deixar rastros,
a não ser dívidas a pagar ou ressacas! Atendamos o convite de Jesus! Façamos do
Advento deste ano um tempo de avaliação, de oração, de renovação, e teremos a
imensa alegria de um verdadeiro Natal - um reencontro verdadeiro com Jesus, o
Emanuel - o Deus-Conosco!
“O
que digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando”.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Movimento do Apostolado da Oração da Igreja São Cristóvão
Na igreja de São Cristóvão, em São José dos Pinhais, PR - igreja que foi fundada pelo saudoso, Pe. Pedro Fuss, SVD.
sábado, 22 de novembro de 2014
FESTA DE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO (23.11.14) Mateus 25, 31-46
“Quando
fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim”
Hoje encerramos as celebrações dominicais do ano
litúrgico com a festa de Cristo Rei. O evangelho de hoje é o famoso texto de
Mateus 25 sobre o Juízo Final. Nesse texto, enfatiza-se a sorte eterna dos que
optaram ou não pelo “Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 33). O primeiro
discurso do Evangelho - o Sermão da Montanha - enfatizou que quem vivesse essa
justiça seria perseguido (5, 12); o segundo discurso, o Missionário, insistiu
que os discípulos não deveriam ter medo diante dessas perseguições, sofrimentos
e rejeição (10, 23.28.31); o terceiro - as parábolas do Reino - ensinou a
paciência e perseverança diante do lento crescimento do Reino e da fraqueza da
comunidade (13); o quarto - o Discurso Eclesiológico - traçou as características
da comunidade dos que procuram essa justiça. Agora, o último discurso - o
Escatológico - mostra que a vivência dessa justiça será o critério de Deus para
o julgamento final. Ilustra-se, de uma maneira viva, o sentido da frase lapidar
do Sermão da Montanha: “Se a justiça de vocês não for superior à dos doutores
da lei e dos fariseus, não entrarão no Reino do Céu” (5, 20). Jesus - o Rei -
não pergunta sobre o cumprimento das leis de ritual e de pureza, tão caras aos
doutores da lei e fariseus, mas sobre a prática da justiça de Deus, diante do
sofrimento de tanta gente - famintos, sedentos, migrantes, esfarrapados,
doentes e presos. A prática de solidariedade com os oprimidos é a única prova
de uma verdadeira fé em Jesus, e do seguimento fiel dele.
Esse texto não pode deixar de nos questionar, vivendo
como estamos em uma sociedade cada vez mais excludente. Celebramos hoje Jesus
como “Rei do Universo”. Mas Ele se torna rei da nossa vida somente na medida em
que fazemos essa opção real pelos oprimidos, e vivenciamos “O Reino de Deus e a
sua justiça”, tema central do Evangelho de Mateus. Em um mundo que nos
apresenta tantas outras opções “régias” - ou seja, opções que regem a nossa
vida e manifestam o que são os nossos valores últimos, o texto nos leva a
verificar se realmente Jesus é o Rei das nossas vidas - se é o Evangelho d’Ele
que as rege, ou se o título não passa de mais um dos rótulos vazios, sem
conseqüências práticas, tão queridos dos arautos de uma religião intimista,
sentimentalista e individual, tanto em voga nos nossos tempos. Será que a
utopia do Reino de Deus, o seguimento de Jesus até a Cruz, a prática da Justiça
de Deus são os elementos que norteiam as nossas práticas, individuais e
comunitárias? Se não, então Jesus Cristo ainda não se tornou Rei do nosso
universo pessoal e eclesial. É o questionamento do texto de hoje, que nos recorda
que Jesus não é Rei conforme os padrões deste mundo, mas o Rei pobre e justo,
tão esperado pelos oprimidos de todos os tempos. A sua proposta para a sociedade
não é a confirmação de uma estrutura piramidal, conforme os modelos históricos,
mas a sua mudança radical para que o mundo seja regido por princípios de
solidariedade e justiça, de partilha e fraternidade, ou seja, os valores do
Reino de Deus. Ele é Rei, no sentido da esperança dos “pobres de Javé” do
Antigo Testamento, tão bem retratada pelo profeta Segundo Zacarias: “O seu Rei
está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num
jumentinho, filho de uma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e
os cavalos de Jerusalém, quebrará o arco de guerra. Anunciará paz a todas as
nações, e o seu domínio irá de mar ao mar, do Rio Eufrates até os confins da
terra” (Zc 9, 9s). Jesus será o nosso rei na medida em que vivemos esses
valores da verdadeira Shalom, que inclui a paz, a não violência, a partilha e a
justiça, e que rejeita a exclusão, a discriminação, a marginalização de quem
quer que seja. .
A crise atual no sistema financeiro mundial, com as suas
cifras astronômicas de apoio aos bancos e banqueiros falidos - enquanto somente
migalhas são destinadas aos bilhões e famintos e sofridos do mundo - demonstra
bem como a sociedade atual é dominada pelos interesses do lucro e do capital,
mesmo em países que se dizem cristãos. Estamos longe de um mundo onde Jesus
Cristo seja realmente o Rei - regido pelos valores que Jesus encarnou na sua
pessoa, projeto, ensinamento e opções, e que nós herdamos como discípulos/as
d’Ele.
O Papa Francisco não cansa de nos convidar para que tentemos
criar uma outra sociedade, pois o Reino já está no meio de nós. Domingo próximo, entraremos no tempo de
Advento, onde teremos oportunidade de tirar do caminho as pedras que são
empecilhos à chegada plena deste Reino que Jesus implantou. A celebração do verdadeiro sentido da festa
de hoje nos providencia uma oportunidade para tomarmos consciência de quanto
falta para que Jesus se torne na prática, o Rei do nosso universo e nos prepara
para que entremos neste tempo de graça e conversão, que é o Advento.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
sábado, 15 de novembro de 2014
TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM (16.11.14) Mateus 25, 14-30
“Muito bem, empregado bom e fiel”
O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande
discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata
do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada
pela leitura dos sinais dos tempos (24, 1-44), a parábola do empregado
responsável (24, 45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25, 1-13), e
que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o
Juízo Final (25, 31-46).
O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos -
no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no
contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de
Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em
prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus
possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao
pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois
ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos
conhecidos).
Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos
segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom
é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade
cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora
carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7), como disse São Paulo,
temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa
experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para
o encontro com o Senhor (mensagem do trecho anterior a este, o das virgens) - o
outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de
Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
Tomaz Hughes SVD
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Imagem: arquidiocesedenatal.org.br
sábado, 8 de novembro de 2014
FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO (09.11.14) João 2, 13-22
“Mas
Ele falava do templo do seu corpo”
A Basílica de São João Lateranense, a
catedral da Igreja de Roma, é considerada a mãe de todas as Igrejas Católicas
do mundo. Foi construída por Constantino nas primeiras décadas do século
quatro.
No contexto do Quarto Evangelho, esse texto
se situa durante a visita de Jesus a Jerusalém para a primeira das três Páscoas
mencionadas neste Evangelho (nos Sinóticos
só é mencionado uma Páscoa). No
Templo, que deveria ser o lugar do culto ao Deus verdadeiro de Israel, o Deus
de libertação, o Deus dos pobres e sofridos, ele encontra um verdadeiro
mercado, onde, no pátio externo, era possível comprar os animais para os
sacrifícios, e trocar a moeda, uma vez que a moeda corrente do país não era
aceita no Templo. Quando atacava esse comércio, Jesus estava indo além da mera
condenação de um abuso. Pois, os animais e o câmbio eram necessários para o
funcionamento do Templo. Como nos versículos precedentes do Capítulo 2, onde Jesus
substituiu a purificação dos judeus no sinal das bodas de Caná, aqui ele
demonstra que o centro do culto judaico perdeu o seu sentido. Pois, a presença
de Deus, antes achada no Templo, agora deturpado pela elite religiosa e
política, doravante reside em Jesus, o Filho de Deus encarnado. Ele cumpre as profecias
de Jeremias e Zacarias que predisseram uma religião sem templo nacionalista,
explorador econômico do povo (Jr 7, 11-14; Zc 14, 20-21).
João entende que o verdadeiro e duradouro
templo é o corpo de Jesus, que será ressuscitado em três dias - ele usa de
propósito o verbo “reerguer” em lugar do “reconstruir” dos Sinóticos (Mt 26,
61). As autoridades judaicas (não “os judeus,” no sentido de raça ou religião)
destruíram o sentido do Templo, abusando do povo economicamente, como vão
destruir o corpo de Jesus, matando-o; mas Jesus tem o poder de reerguer o
verdadeiro Templo onde habita Deus, na Ressurreição, depois de três dias.
É bom lembrar que a “toca” ou “covil” de ladrões não é o lugar onde eles assaltam e
roubam, mas onde eles se sentem seguros.
Assim, Jesus está dizendo que o verdadeiro assalto contra a vida do povo
se dá no dia-a-dia do sistema econômico-político-social, e que os assaltantes –
a elite de Jerusalém, aliada ao poder romano – se sente segura, encobrindo a
realidade exploradora com ritos e rituais bonitos no Templo, como se Deus
aprovasse o sistema vigente.
Mais uma vez Jesus, através de uma ação
profética, desmascara a deturpação da religião, por parte das autoridades de
Jerusalém. Embora o templo fosse muito bonito e imponente, com liturgias
pomposas bem freqüentadas, a sua religião era vazia, pois escondia o rosto
verdadeiro de Deus. As Igrejas correm este mesmo risco nos dias de hoje. Além
da descarada exploração financeira dos seus fiéis por parte de alguns grupos
religiosos (cuidemos para não generalizarmos aqui e que a mesma coisa não
aconteça na nossa Igreja!), aos poucos muitas comunidades cristãs perderam a
sua dimensão profética de denúncia e anúncio, configurando-se ao mundo
neoliberal de consumismo e gratificação emocional imediata, tornando o
Evangelho uma mercadoria a ser vendida através de um marketing, que jamais pode
questionar os valores da sociedade vigente. Como escreveu uma vez o Frei Beto,
a religião assim “brilha sob as luzes da ribalta, trocando o silêncio pela histeria
pública, a meditação pela emoção, a liturgia pela dança aeróbica. Na esfera
católica, torna o produto mais palatável, destituindo-o de três fatores
fundamentais na constituição da igreja, mas inadequados ao mercado: a inserção
dos fiéis em comunidades, a reflexão bíblico-teológica e o compromisso pastoral
no serviço à justiça. As homilias se reduzem a breves exortações que não
incomodam as consciências”.
Assim,
o texto de hoje nos traz um alerta - Jesus não veio compactuar com uma religião
exploradora, alienadora, aliada ao poder, mas para encarnar as opções do Deus da
Bíblia, libertador dos males e de toda exploração; ele veio “para que todos
tenham a vida e a vida em abundância” (Jo 10, 10). Uma religião que abandonasse
a sua função profética seria tão traidora como a religião decadente das elites
do Templo. Diante da arrogância despótica dos que se consideram “donos” do
mundo e dos seus recursos, por causa do seu poderio militar e econômico, as
vozes do Papa Francisco, do Dalai Lama e de outros líderes religiosos soam
profeticamente ao redor do mundo, lembrando-nos que a religião não se confina à
sacristia, mas tem que levar à prática dos princípios do Reino, que recusa
legitimar o derramamento de sangue e a destruição do meio-ambiente em troca de
petróleo e do lucro.
Neste domingo em que a Igreja celebra a
dedicação da “Igreja-Mãe” – a Basílica de São João de Latrão, em Roma -
verifiquemos o estado de reparo da nossa Igreja Viva - feita não de pedras
talhadas e construções imponentes, por tão bonitas e até necessárias que possam
ser, mas de discípulos/as-missionários/as, inspirados pela pessoa e projeto de
Jesus. Aproveitemos do ensejo para reavaliar a nossa prática religiosa, para
que não caiamos na desgraça do Templo - bonito, atraente e emocionante, mas
vazio de sentido.
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
domingo, 2 de novembro de 2014
COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS (02.11.14) Mt 11, 25-30
“Vinde
a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei”
A celebração de hoje, de enorme importância na prática religiosa do
povo brasileiro, deve ser vista em relação com a de ontem, dia 1 de novembro -
a Festa de Todos os Santos. É a grande celebração da “Comunhão dos Santos” -
nós, a Igreja peregrina, ontem comemoramos a Igreja já vivendo a plenitude de
vida com Deus; e hoje comemoramos a Igreja ainda em processo de purificação (a
palavra “purgatório” vem do termo latino que significa “purificar” e não
“sofrer”). No fundo, celebramos o imenso amor de Deus para conosco, todos
participantes daquilo que celebramos todos os domingos no Credo quando
declaramos que acreditamos, “Na Comunhão dos Santos, na Ressurreição da Carne e
na Vida eterna”.
Embora
para muitas pessoas a celebração de hoje traga sentimentos de tristeza, pois
suscita lembranças e saudades dos seus entes queridos já falecidos, realmente é
uma celebração de esperança e confiança na bondade, no perdão e no amor de
Deus. A primeira leitura de hoje, tirada do II Macabeus 12, 43-46, lembra que o
líder judeu, Judas Macabeu, organizou uma coleta para custear sacrifícios oferecidos
pela descanso eterno dos mortos, recebendo assim um elogio do autor do livro
junto com o comentário “...belo e santo modo de agir, decorrente da sua crença
na ressurreição! Pois, se ele não
julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por
eles. Mas, se ele acreditava que uma
belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e
religioso pensamento. Eis porque ele
pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de seus
faltas”.
Nada
deve marcar tanto a vida do cristão quanto a sua fé na Ressurreição. É o fundamento de tudo. Paulo, polemizando com a elite da comunidade
de Corinto, que, influenciada pela filosofia grega, negava a realidade da
Ressurreição do corpo (embora aceitasse a imortalidade da alma, o que é
diferente) insiste: “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação
e vazia e a nossa fé em
vão. Se os mortos não
ressuscitam, Cristo não ressuscitou. E
se Cristo não ressuscitou, a sua fé não vale nada e estão ainda no seu pecado” (I
Cor 15 , 13-18). Não há reencarnação,
nem somente imortalidade da alma, mas a ressurreição do corpo – seguindo
Cristo, passamos pela morte e continuamos vivos como ele, Primogênito dos mortos, em uma vida plena com Deus. Por isso, hoje torna-se, apesar dos sentimentos
de saudade e tristeza que são naturais, a celebração do fundamento da nossa fé
– a morte foi vencida, o mal é um derrotado, o pecado foi derrubado e
celebramos o grande dom de Deus – que vamos participamos na sua vida plena e
eterna!
Nem
sempre o Povo de Deus tinha esta fé – até quase o tempo dos Macabeus, uns 200
anos antes de Jesus, se acreditava no Sheol – a “mansão dos mortos”, destino
final de todos, lugar sem vida, sem felicidade.
Por isso se acreditava muito na “teologia de retribuição” – ou seja, que
Deus recompensa os bons já nesta vida com riquezas, saúde e prosperidade
enquanto castiga os injustos com doenças, pobreza e morte precoce. Mas entre os sofridos nasceu um grande questionamento
– isso não se verifica na verdade das nossas vidas. Muitas vezes os justos sofrem, são
perseguidos e carecem de tudo enquanto os malvados se enriquecem e prosperam. Assim, devagar, nasceu a fé na ressurreição
dos mortos, onde a justiça de Deus se manifesta e onde o destino dos justos,
apesar dos seus erros e falhas, é participar da vida plena de Deus. Assim,
Jesus conclama, na Evangelho de hoje, todos os que sofrem para que ouçam a
aceitem a sua mensagem de fé no Deus misericordioso, compassivo, de perdão e
amor, e rejeitem o que foi muitas vezes pregado pela religião oficial do seu
tempo – que os pobres e doentes são os rejeitados por Deus enquanto os
prósperos e abastados são abençoados.
Jesus convida a todos para que assumamos a sua “Boa nova” e lutemos por
um mundo de vida para todos, pois ele veio para que todos - e não somente os
privilegiados pela sociedade materialista e excludente – tivessem “a vida e a
vida em abundância” (cf Jo 10,10). Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Papa: palavras revelam se o cristão é da luz ou das trevas
Na Missa desta segunda-feira, 27, o Papa Francisco refletiu
sobre a importância do exame de consciência sobre as palavras utilizadas pelo
cristão. Segundo ele, essa análise faz o cristão entender se ele é da luz, das
trevas ou se é um “cristão cinzento”.
Papa preside Missa, na Casa Santa Marta, onde reside no
Vaticano / Foto: L’Osservatore Romano
Os homens se reconhecem por suas palavras. São
Paulo, afirmou o Papa, convidando os cristãos a se comportarem como
filhos da luz e não das trevas, faz uma catequese sobre palavra. Segundo ele,
há quatro palavras que podem indicar se o cristão é filho das trevas.
Santo Padre destacou a importância de o cristão pensar na
linguagem que utiliza e não se deixar enganar por palavras vazias
“É palavra hipócrita? Um pouco daqui, um pouco de lá para
estar bem com todos? É uma palavra vazia, sem substância e cheia de vácuo? É
uma palavra vulgar, trivial, isto é, mundana? Uma palavra suja, obscena? Essas
quatro palavras não são dos filhos da luz, não vem do Espírito Santo, não vem
de Jesus, não são palavras evangélicas”.
Francisco explicou que as palavras dos filhos da luz são
aquelas que São Paulo recorda ao destacar a necessidade de imitar Deus,
caminhando-O na caridade, na bondade, na mansidão, sabendo perdoar, assim como
fez o próprio Senhor.
Ao mesmo tempo em que há cristãos luminosos, que procuram
servir o Senhor com essa luz, há cristãos tenebrosos, disse o Papa, que
conduzem uma vida de pecado e usam aquelas quatro palavras que são do maligno.
Mas há ainda um terceiro grupo de cristãos:
“São os cristãos cinzentos. E estes, uma vez estão deste
lado, outra vez do outro (…) Não são nem luminosos nem obscuros (…) ‘Eu sou
cristão, mas sem exagerar!’, dizem, e fazem tanto mal, porque o seu testemunho
cristão é um testemunho que no fim semeia confusão, semeia um testemunho
negativo”.
O Papa pediu que os fiéis não se deixem enganar por palavras
vazias, mas sim se comportem como filhos da luz. “Fará bem a nós pensarmos na
nossa linguagem e perguntarmo-nos: ‘Sou cristão da luz? Sou cristão do escuro?
Sou cristão do cinza?’ E assim podemos dar um passo adiante para encontrar o
Senhor”.
Da Redação, com Rádio Vaticano
Fonte: papa.cancaonova.com
Agradecimento por Graças Alcançadas
Placas de agradecimento que foram colocadas, no túmulo do Pe. Pedro Fuss SVD, em São José dos Pinhais - Paraná, por graças alcançadas por sua intercessão.
sábado, 25 de outubro de 2014
TRIGÉSIMO DOMINGO COMUM (26.10.08) Mt 22, 34-40
“Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os
Profetas”
Hoje, temos mais uma das controvérsias do Capítulo 22, esta
vez com os fariseus. De novo, a pergunta feita por um legista não é para
descobrir a verdade, mas para armar uma cilada para Jesus - o verbo traduzido
aqui como “para O pôr à prova” é o mesmo usado em v. 22, 8 (“armar cilada”). O
que seria o maior mandamento era discutido entre as diversas escolas rabínicas
da época - para alguns o maior era o amor a Deus, para a maioria era a
observância do sábado. O Antigo Testamento enfatiza a importância de amar a
Deus e de amar o próximo (Lv 19, 18 e Dt 6, 5). A originalidade de Jesus está
no fato de Ele assemelhar um ao outro, dando-lhes igual importância e,
sobretudo, na simplificação e concentração da Lei (que tinha 613 mandamentos)
nesses dois elementos. A colocação de Jesus exige uma forma correta de amor
próprio - não de egoísmo, mas de auto-respeito. A ligação íntima dos dois
mandamentos não é atestada antes de Jesus e marca um avanço moral importante.
Mais uma vez, Jesus desloca o eixo da questão, como fez
domingo passado na passagem sobre o imposto a César. Esta vez Ele se recusa a
entrar em discussões fúteis sobre leis, para enfatizar o papel central do amor
- tanto a Deus como ao próximo.
É importante frisar que o “amor” de que Jesus fala não é um
mero sentimento ou emoção, como muitas vezes é na linguagem de hoje. O amor é
uma atitude de vida, uma fidelidade à Aliança com Deus, uma vivência solidária
com os irmãos e irmãs. Obviamente, não é possível simpatizar-nos com cada
pessoa, nem gostar de cada pessoa. Mas, é possível superar antipatias e aversões,
na caminhada da construção do projeto de Deus para o nosso mundo.
A ligação essencial entre o amor a Deus e ao próximo
torna-se muito urgente hoje em dia, quando se dá tanto espaço a pregações
intimistas e formas alienantes de “espiritualidade”, que muitas vezes não
passam de uma busca disfarçada de auto-realização, mas que jamais levam a um
compromisso com a transformação da nossa realidade. A frase de Jesus
desautoriza qualquer pregação religiosa que separa o amor a Deus do amor ao
próximo - um amor não somente afetivo (que talvez muitas vezes nem possa ser),
mas, efetivo - concretizando de maneira prática a solidariedade e a justiça.
O nosso texto nos adverte contra qualquer tendência
alienante ou legalista - os mandamentos não são para serem discutidos, mas
vividos, no amor e compromisso. Para os rabinos do tempo de Jesus, o mundo todo
dependia da Lei, do serviço no Templo e dos atos de bondade. Mateus fez com que
a própria Lei dependa dos atos de amor solidário. Esse avanço feito por Jesus
desafia a todos nós para que não caiamos na tentação perene de separar os dois
aspectos do amor - não é possível amar a Deus sem que amemos o irmão, e o
verdadeiro amor ao próximo brota do nosso amor a Deus.
Tomaz
Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Imagem: Google
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Agradecimento por Graças recebidas por intercessão do Pe. Pedro Fuss SVD
Placa colocada no túmulo do Pe. Pedro, localizado no Cemitério Central de São José dos Pinhais -PR - Brasil.
Outubro - Mês Missionário
O santo lembrado hoje foi de muita importância para a Igreja
que guarda o testemunho de sua santidade, que mereceu a frase do Papa Pio XI
que disse: “Antônio Maria Claret é uma figura verdadeiramente grande, como
apóstolo infatigável”. Nasceu em 1807 em Sallent (Província de Barcelona –
Espanha), ao ser batizado recebeu o nome de Antônio João, ao qual ele veio
depois acrescentar o de Maria como sinal de sua especial devoção à Santíssima
Virgem: “Nossa Senhora é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, meu
tudo, depois de Cristo”.
Antônio Maria ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22
anos, quando entrou para o seminário de vida, pois almejava um sacerdócio santo
e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha. Ao ver a
pobreza dos missionários e as portas se abrindo, Antônio Maria, com amigos,
tratou de fundar a “Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de
Maria”, conhecidos como Claretianos.
O Carisma era evangelizar todos os setores, por meio da
caridade de Cristo que constrangia, por isso dizia: “Não posso resistir
aos impulsos interiores que me chamam para salvar almas. Tenho sede de derramar
o meu sangue por Cristo!” Mal tinha fundado a Congregação, o Espírito
o nomeou para Arcebispo de Santiago de Cuba, onde fez de tudo, até arriscar a
própria vida, para defender os oprimidos da ilha e converter a todos, conta-se
que ao chegar às terras cubanas foi logo visitar e consagrar o apostolado à
Nossa Senhora do Cobre.
Com os amigos o Arcebispo Santo Antônio Maria Claret,
evangelizou milhares de almas, isto através de missões populares e escritos,
que chegaram a 144 obras. Fundador das Religiosas de Maria Imaculada, voltou a
Espanha, também tornou-se confessor e conselheiro particular da rainha Isabel
II; participou do Concílio Vaticano I, e ao desviar-se de calúnias retirou-se
na França onde continuou o apostolado até passar pela morte e chegar na glória
em 24 de outubro de 1870.
Foi beatificado em 1934 pelo Papa Pio XI e canonizado por
Pio XII em 1950. Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu
apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de
Fátima.
Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!
Fonte: santo.cancaonova.com
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