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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Hoje Completa 30 Anos De Sua Morte



A saudade é grande a comunidade não o esquece, Padre Pedro Fuss SVD, Deus o tenha!!!
 Hoje completa 30 anos de seu falecimento, convido a quem puder para homenagea-ló encerrando a novena no Cemitério Central de São José dos Pinhais, às 15,00hs, pelo Movimento Legião de Maria e Comunidade.
Padre Pedro Fuss, rogai por nós!
  “QUANDO EU PARTIR DESTA VIDA, PODEREI FICAR MAIS PRÓXIMO DE VOCÊS”I!
(Padre. Pedro Fuss - SVD)

sábado, 27 de junho de 2015

FESTA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO (28.06.15) Mt 16, 13-19

“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”

Hoje a Igreja celebra a festa de dois grandes apóstolos, Pedro e Paulo, este grande evangelizador dos pagãos ou gentios, e aquele do seu próprio povo. Como Evangelho do dia, escolheu-se a história do caminho de Cesareia de Felipe. O relato mais antigo está no Evangelho de Marcos, Cap. 8 vv 27-38, o qual se tornou o pivô de todo o Evangelho. A estrutura de Mateus é diferente mas o relato tem a mesma finalidade, ou seja, ajudar os ouvintes e leitores a clarificar quem é Jesus e o que significa ser discípulo ou discípula d’Ele.
A pedagogia do relato é interessante. Primeiro, Jesus faz uma pergunta bastante inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” Assim, vem muitas respostas, pois responder essa pergunta não compromete por ser o “diz que”. Mas, a segunda pergunta traz a facada: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Agora não vêm muitas respostas, pois quem responde em nome pessoal, e não dos outros, se compromete! Somente Pedro se arrisca e proclama a verdade sobre Jesus: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Aparentemente Pedro acertou e realmente, em Mateus, Jesus confirma a verdade do que proclamou! Afirmou que foi através de uma revelação do Pai que Pedro fez a sua profissão de fé. Mas, para que entendamos bem o trecho, é necessário que continuemos a leitura pelo menos até v. 25. Pois, o assunto é mais complicado do que possa parecer.
Pois, após afirmar que Pedro tinha falado a verdade, Jesus logo explica o que significa ser o Messias (ou, em grego, o Cristo.  O termo significa “Ungido”). Não era ser glorioso, triunfante e poderoso conforme os critérios deste mundo. Muito pelo contrário, era ser fiel à sua vocação como Servo de Javé, era ser preso, torturado e assassinado, era dar a vida em favor de muitos. Jesus confirmou que Ele era o Messias, mas não da maneira que Pedro esperava e queria. Ele, conforme as expectativas do povo do seu tempo, queria um Messias forte e dominador, não um que pudesse ir, e levar os seus seguidores também, até a Cruz! Por isso, Pedro reluta com Jesus, pedindo que nada disso acontecesse. Como recompensa, ganha uma das frases mais duras da Bíblia: “Afasta-se de mim, Satanás, você é uma pedra de tropeço para mim, pois não pensas as coisas de Deus, mas dos homens!” (v. 23). Pedro, cuja proclamação de fé mereceu ser chamada a pedra fundamental da Igreja (v. 18), é agora chamado de Satanás - o Tentador por excelência - e “pedra de tropeço” para Jesus! Pedro usava o título certo, mas tinha a compreensão errada! Usando os nossos termos de hoje, de uma forma um tanto anacrônica, podemos dizer que ele tinha ortodoxia, mas não ortopraxis!
Assim, Jesus usa o equívoco de Pedro para explicar o que significa ser seguidor d’Ele: “Se alguém quer me seguir, renuncie a se mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (v. 24). Ter fé em Jesus não é em primeiro lugar um exercício intelectual ou teológico, mas uma prática; o seguimento d’Ele na construção do seu projeto, até às últimas consequências.
Hoje, enquanto celebramos os nossos dois grandes missionários, a pergunta de Jesus ressoa forte - a segunda pergunta. Para nós, quem é Jesus? Não para o catecismo, não para o papa ou o bispo, mas para cada de nós, pessoalmente? No fundo, a resposta se dá, não com palavras, mas pela maneira em que vivemos e nos comprometemos com o projeto de Jesus - Ele que veio para que todos tivessem a vida e a vida plenamente! (Jo 10, 10). Cuidemos para que não caiamos na tentação do equívoco de Pedro, a de usar termos corretos, mas com a compreensão errada!
Hoje também se torna um dia especial para que rezemos pelo Papa Francisco.  Peçamos que Deus lhe dê saúde, paz e força para conduzir a Igreja no caminho certo, como vem fazendo desde a sua eleição, apesar de fortes ventos contrários, dentro e fora da Igreja.  Que ele continue a “confirmar os seus irmãos/irmãs na fé!”
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Novena ao Padre Pedro Fuss SVD


Domingo, dia 21.06.2015, iniciou-se às 15,00hs, o terço, da novena oferecida ao Pe. Pedro FussSVD, em seu túmulo no Cemitério Central de São José dos Pinhais.
Essa devoção começou por Srª. Marta Sawa,( a que esta com a foto nas mãos) no ano seguinte a sua morte, completando este ano 29 anos seguidos.
Domingo o primeiro dia, da novena, tinha presente 62 pessoas, durante a semana diminue, pelo horário,que muitas pessoas estão trabalhando, mas as pessoas, continuam fazendo em casa a novena.
Hoje é o dia da quarta-novena, rezem também vocês por sua Santificação e agradecimento as graças alcançadas por sua intercessão, que são muitas.
Foto e texto: Maria Auxiliadora

Aprendamos com São João Batista a ser profetas do Senhor. Ele prepara os caminhos de Jesus e diz: “É Ele, é Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.


“Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele. O menino foi crescendo e forticava-se em espírito e viveu nos desertos, até o dia em que se apresentou diante de Israel” (Lucas 1, 80).
Deus hoje nos dá a graça de celebrarmos o nascimento de São João Batista, aquele que é o precursor do Messias e que veio preparar os caminhos para que Jesus chegasse até nós.
E quem é João Batista? Ele é o último dos profetas no Antigo Testamento e o primeiro dos profetas no Novo Testamento. Ele é o elo, a ponte que liga o Velho ao Novo Testamento, que transforma o que era velho em novo pela graça de Deus.
Ainda conhecendo a Lei Antiga, João diminui a si mesmo e rebaixa-se para que sobre ele venha o novo, que é Deus. João é aquele que, desde o ventre de sua mãe, é santificado e preparado. É aquele que morre para si para que Jesus cresça por intermédio dele. É ele quem diz: “Convém que ele cresça e eu diminua” (João 3, 30).
São João é aquele que não chama a atenção para si, mas aponta o dedo, o caminho e a direção ao dizer: “É Ele, é Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo“.
João é uma voz por meio da qual a Palavra de Deus ecoa e chega até os corações. São João é o grande profeta responsável por nos preparar os caminhos do Senhor! Por isso, hoje, celebramos com muita solenidade e com muita festa o nascimento desse profeta.
Na Igreja, nós só celebramos o nascimento de Jesus, o nascimento de Sua Mãe, Maria Santíssima, e o nascimento de João Batista, santificado ainda no ventre de sua mãe e preparado para ser o profeta do Senhor.
Assim como João Batista foi santificado no ventre de sua mãe, nós queremos no dia de hoje rezar por nossas crianças e pedir por todas as mães que estão grávidas, trazendo dentro de si a vida de uma nova criatura, um filho que vem para trazer sempre uma boa nova.
Rezemos pelas nossas crianças que estão ainda no ventre de suas mães para que se desenvolvam com sabedoria e com inteligência. E para que venham a este mundo abençoadas, como João Batista também o foi, e possam crescer e se apresentar diante do mundo como servas de Deus.
Peçamos a São João Batista que nos ensine a ser também profetas. Profeta é aquele que não tem voz própria. É aquele que se faz voz de Deus para os outros, é aquele que se abaixa para que Deus apareça por intermédio dele!

Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Fontehttp://homilia.cancaonova.com/:  
Imagem:www.google.com.br



Natividade de São João Batista - Quarta-feira 24/06/2015

Primeira Leitura (Is 49,1-6)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.
1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”.
4E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. 5E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Fonte: http://liturgia.cancaonova.com/

domingo, 21 de junho de 2015

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM (21.06.15) Mc 4,35-41

“Quem é este homem?”

            Este texto está situado na primeira parte do Evangelho, onde Marcos procura demonstrar que as autoridades religiosas da época, os próprios parentes de Jesus e os discípulos d’Ele não o compreenderam, apesar de verem as suas obras e milagres (1, 19-8, 21). Toda esta primeira parte do Evangelho prepara o chão para a pergunta fundamental do Evangelho: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Por isso a história hoje relatada leva os discípulos a se perguntarem: “Quem é este homem?”
            A história do evento no mar de Galiléia retrata simbolicamente a situação da comunidade marcana, pelo ano 70, quando o Evangelho foi escrito. A comunidade está vacilando na sua fé, assolada por dúvidas e até perseguições. Diante do cansaço da caminhada, muitos se refugiaram na busca de uma religião de milagres, sem o esforço de seguir Jesus até a Cruz. Por isso, Marcos insiste que os milagres não são suficientes para conhecer Jesus, pois as autoridades, os familiares e os discípulos os presenciaram e não chegaram a entender nem a pessoa nem a proposta de Jesus.
O barco no lago, assolado pelos ventos e ondas, representa a comunidade dos discípulos, prestes a afundar-se por causa das dificuldades da caminhada. Jesus dorme no barco e parece não se preocupar com o perigo. Assim, para a comunidade marcana, parecia que Jesus não estava ligado aos seus sofrimentos e, como consequência, vacilavam na sua fé. Mas, Jesus acalmou o mar e ainda questionava a pouca fé dos Doze: “por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (v. 3). Assim, Marcos quis mostrar aos leitores do seu tempo que Jesus estava com eles nas dificuldades e que a sua falta de fé estava causando grande parte das dificuldades que estavam enfrentando.
Hoje, em muitos lugares, a Igreja parece como a igreja marcana, ou ainda como o barco no mar. Diante das desistências, do secularismo, da diminuição da sua influência, para muitos a Igreja esta se afundando. Em lugar de assumir o doloroso seguimento de Cristo até a Cruz, muitos se refugiam em uma religiosidade de milagres, assim fugindo da penosa tarefa de construir o Reino de Deus entre nós.  Até diante da pessoa e mensagem do Papa Francisco, muitos simpatizam com ele como pessoa, mas permanecem surdos aos seus apelos em favor de um seguimento autêntico do Salvador. Marcos vem corrigir esta ideologia triunfalista das suas comunidades e nos convida a aprofundar a nossa fé, a clarear para nós mesmos e para o mundo “quem é este homem?”, e a segui-Lo no dia a dia. Pois, Jesus não está alheio às nossas dificuldades! Pelo contrário, Ele está no meio de nós. Só que não nos livra da tarefa de nos engajarmos na luta pelo Reino, mesmo que as ondas e os ventos estejam contrários. Ter fé n’Ele não é somente acreditar que Ele exista e seja Filho de Deus, mas tomar a nossa cruz e segui-Lo, na certeza que Ele não nos abandonará! Ressoa para nós hoje a pergunta de dois mil anos atrás: “Por que são tão medrosos? Ainda não têm fé?”
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br 
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

NOVA PRIMAVERA DE UMA IGREJA

NOVA PRIMAVERA DE UMA IGREJA

Maria Clara Bingemer, professora do
Departamento de Teologia da PUC-Rio
A chegada do Papa Francisco representou para a Igreja latino-americana um renascer, uma nova primavera. Algo assim toma lugar no catolicismo latino-americano. A memória de grandes líderes dessa Igreja está sendo revivida e honrada; o sacrifício de tantos bispos, padres e leigos, mortos sob ditadura militar, vai sendo reconhecido e venerado; e alguns teólogos, outrora acusados de heresia, são resgatados e valorizados.
O primeiro papa latino-americano tem dado à Igreja do seu continente cidadania e reconhecimento dentro da Igreja universal. O clima existente antes de sua eleição – de desânimo, desesperança – cede lugar a uma alegria e um entusiasmo novos. E um dos primeiros sinais é justamente a valorização da Igreja latino-americana, que parecia haver sido posta um tanto à sombra em anos anteriores.
A teologia da libertação, que parte da opção pelos pobres, foi novamente legitimada e vários de seus pioneiros, como Gustavo Gutiérrez, reconhecidos e consultados pelo Papa.
A igreja na América Latina revisita seu passado com um santo orgulho. A memória deste passado é estimulante e provoca a criatividade, desencadeia processos transformativos e dinâmicas de vida. Esta Igreja, que tanto contribuiu para que algo novo nascesse e brilhasse na história do cristianismo, apresentou a mais original e válida recepção do Concílio Vaticano II. Por isso, foi muitas vezes incompreendida. Agora parece terem passado esses tempos duros. O novo Papa lhe abre as portas e a mostra positivamente ao mundo.
Este passado, que conta com uma fértil e abundante produção teológica e é selado pelo testemunho de muitos mártires e confessores, continua a iluminar aqueles que não se conformam com este mundo tal qual é, e desejam ardentemente construir algo novo. A memória do que foi construído pela Igreja latino-americana nos anos 1970 e 1980 é perigosa e subversiva, provoca sempre pessoas e comunidades a viverem na verdade e não fazerem concessões à injustiça. Seu resgate pelo atual pontificado demonstra que nenhum poder ou opressão poderá fazê-la desaparecer.
A prova é o que acontece neste momento. Não apenas as opções principais desta Igreja – pelos pobres, pela justiça – ainda estão vivas e influenciando as pessoas, mas também o magistério da Igreja, na pessoa do Papa, está trazendo à luz novamente e de forma positiva toda esta história de maneira mais que evidente. Assim, as vítimas não são esquecidas, os pobres não são excluídos do pensar teológico como prioridade, mas ao contrário, estão presentes sempre inspirando e movendo os esforços teológicos de hoje.
Ao lado disso, este passado foi capaz de gerar um presente criativo e dinâmico. Os momentos difíceis vividos ao sul do Equador, no final dos anos 1980 e nos anos 1990, não levaram a Igreja latino-americana a uma posição derrotista. Mas ao contrário, fez com que esta alargasse seu olhar e fosse em busca de outros temas para sua pesquisa e reflexão. Permanecendo fiel aos pobres e ao povo crente e simples, criou novas áreas por onde a reflexão teológica pode caminhar.
Hoje, a teologia do continente se ocupa de outras pobrezas além da socioeconômica. São pobrezas antropológicas, como a questão da ecologia e do cuidado com o planeta, do gênero, do diálogo inter-religioso. No entanto, tais temas vêm sempre conectados com as opções centrais que sempre foram as da Igreja latino-americana pós conciliar: libertação de todos os tipos de opressão, luta contra a exclusão e as discriminações de toda ordem – raça, etnia, sexo etc. – e contra toda forma de dominação e preconceito.
Trata-se de um momento abençoado e raro, em que as forças e as energias teológicas de todo o continente são convocadas a dar o melhor de si. Neste tempo que já configura várias décadas, a pobreza, a violência, as discriminações, não diminuíram, mas aumentaram. Cabe então a uma Igreja que cunhou a libertação como palavra de ordem continuar, e mais intensamente ainda, a colocar sua reflexão a serviço dessa causa.
Nesta nova primavera, a teologia latino-americana respira liberdade. Que saiba usá-la para um serviço sempre maior ao povo de Deus, dentro desta Igreja que sempre amou e à qual sempre foi fiel.
A teóloga é autora de
“O mistério e o mundo – Paixão por Deus em tempo de descrença”,

Editora Rocco
Foto: Rafaela 
Recebido por E-mail (Pe.Tomaz Hughes SVD)

sábado, 13 de junho de 2015

Décimo Primeiro Domingo Comum (14.06.15) Mc 4, 26-34

“Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus?”


O texto de hoje traz à tona dois elementos muito importantes para o estudo dos Evangelhos - “o Reino de Deus” e “as parábolas”. Antes de olhar o texto mais de perto, convém comentar algo sobre esses dois termos ou conceitos.
Existe um consenso entre os estudiosos modernos, sejam católicos ou protestantes, que existem duas palavras nos textos evangélicos que provém do próprio Jesus e que não dependem da reflexão posterior das comunidades: “Reino” e “Pai” “Abbá” em aramaico. Estamos tão acostumados de ter Jesus como “objeto” da nossa pregação que esquecemos que Ele não pregou a si mesmo, mas o “Reino de Deus” (geralmente citado em Mateus como o Reino dos Céus, para evitar o uso do nome de Deus, em uma comunidade predominantemente judeu-cristã). A vida inteira de Jesus foi dedicada ao serviço desse Reino, que Ele nunca define, pois é uma realidade dinâmica, mas que Ele descreve por comparações, usando parábolas. “Parábola” é um tipo de comparação, usando símbolos e imagens conhecidos na vida dos ouvintes, e que os leva a tirar as suas próprias conclusões (de fato, várias vezes temos a explicação de uma parábola nos evangelhos mas essa nasceu da catequese da comunidade e não teria feito parte da parábola original). O Capítulo 13 de Mateus talvez seja o melhor exemplo do uso de parábolas para clarificar a natureza do Reino - ou Reinado - de Deus.
No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os diversos grupos religiosos judaicos (com a exceção dos ultraconservadores e elitistas Saduceus), esperavam a chegada do Reino de Deus e achavam que poderiam apressar a sua chegada - os Fariseus através da observância da Lei, os Essênios através da pureza ritual, os Zelotas através de uma revolta armada. O texto de hoje nos adverte que não é nem possível e nem necessário tentar apressar a chegada ou o crescimento do Reino de Deus, pois ele possui uma dinâmica interna própria de crescimento. Como a semente semeada cresce independente do semeador e sem que ele saiba como, assim o Reino cresce onde plantado, pois também tem a sua própria força interna que, passo por passo, vai levá-lo à maturidade. Assim, o texto nos ensina o que Paulo ensina de uma maneira diferente aos coríntios, quando, referindo-se ao trabalho de evangelização desenvolvido por ele, Apolo e outros/as missionários/as; ele afirma “Paulo planta, Apolo rega, mas é Deus que faz crescer” (1 Cor 3, 6).
Uma das imagens que Jesus usa para caracterizar o Reino é a do grão de mostarda. Embora a semente seja minúscula, ela cresce até se tornar um arbusto frondoso. Assim Jesus quer que relembremos que é importante começar com ações pequenas e singelas, pois, pela ação do Espírito Santo, elas poderão dar frutos grandes. Esta parábola é um lembrete para que não caiamos na tentação de olhar as coisas com os olhos da sociedade dominante, que valoriza muito a prepotência, o poder, a aparência externa. A nossa vocação é plantar e regar, nunca perdendo uma oportunidade de semear o Reinado de Deus - ou seja, criar situações onde realmente reine o projeto do Pai, projeto de solidariedade e amor, partilha e justiça, começando com sementes minúsculas, para que, não através do nosso esforço, mas da graça de Deus, eventualmente cresça uma árvore frondosa que abrigará muitos. O desafio do texto é de que valorizemos o gesto pequeno, as duas moedas da viúva, a semente de mostarda, não nos preocupando com os resultados, mas, confiantes no poder transformador da semente, plantar e regar, para que Deus possa ter a colheita!
Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br  
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br

sábado, 6 de junho de 2015

Décimo Domingo Comum (07.06.15) Mc 3, 20-35

“Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
     Este texto de Marcos nos apresenta uma característica bastante usada neste Evangelho. O autor intercala uma discussão com os escribas (vv. 22-30) em uma cena em que Jesus se defronta com a incompreensão da sua família (vv. 20-21. 31-35). Ele usa o mesmo procedimento em 5, 21-43; 6, 7-33; 11, 11-21 e 14, 1-11. A finalidade é para que o leitor interprete um evento à luz do outro. Assim, no texto de hoje, devemos nos perguntar como é que os versículos que tratam dos familiares de Jesus e o trecho referente à discussão com os escribas lançam uma luz, um sobre o outro. Na verdade, em ambos os casos, Jesus é objeto de acusações falsas e é incompreendido, até rejeitado, pelos seus familiares, bem como pelas autoridades de Jerusalém.
            Não há dúvida que a atividade de Jesus causa espanto e choque. Trabalhando até a noite em prol dos excluídos e sofridos, misturando-se com gente considerada impura pela religião oficial, que conseguia implantar esta ideia na mentalidade do povo comum, e criticando fortemente as lideranças religiosas do seu tempo, Jesus parecia para muitos “louco” ou “possuído por um demônio”, ou algo semelhante. Em uma cultura onde “honra” e “vergonha” eram conceitos chaves para qualquer família, os familiares de Jesus resolveram conter o problema, indo ao lugar da sua pregação para “segurá-lo” e trazê-lo para a casa da família, em Nazaré.
            O confronto com a família continua nos vv. 31-35. É interessante como Marcos constrói a cena. Quando os parentes chegam ao local onde ele está ensinando, eles nem tentam entrar para escutá-lo ou para conversar com ele. Eles deliberadamente ficam do lado de fora e mandam chamá-lo. Isso contrasta muito com a cena de dentro - onde uma multidão está sentada ao redor de Jesus, com uma atitude de discípulo. Quando é informado da presença dos seus parentes fora, Jesus olha aos que estão ao redor dele e faz uma declaração espantosa e contundente: “Aqui está minha mãe e meus irmãos!” O texto logo explica o sentido dessa afirmação: “quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe!” Na verdade, Jesus não está denegrindo a sua família, mas insistindo nas novas relações que nascem do fato de se tornar discípulo d’Ele. Parentesco não traz privilégio nenhum - o importante é ser discípulo/a e cumprir a vontade de Deus. Assim Jesus afirma que na medida em que nós nos tornamos discípulos/as, teremos a mesma dignidade que a sua mãe e parentes. Tudo se relativiza diante das exigências do Reino e do seguimento!
            Embora não seja uma questão de grande importância, talvez valham umas palavras sobre o sentido da frase “irmãos e irmãs de Jesus”. É bom lembrar que na tradição do Oriente Médio não se define a família como o pequeno núcleo de pai, mãe e filhos mas inclui parentes próximos e distantes. A versão grega do Antigo Testamento usa a palavra: “adelfos” (irmão) nos dois sentidos, restrito e amplo (Gn 29, 12 e 24, 48). Podemos dizer que na tradição cristã, existem três tipos de interpretação para esta questão. Primeiro, entende-se o termo “irmão” no sentido do uso oriental. Segundo, usando uns documentos apócrifos (nunca foram aceitos pela Igreja como canônico, isso é, inspirado por Deus) do século IV chamado “O Proto-Evangelho de Tiago” e “A História de José o Carpinteiro”, se diz que a Maria casou com um viúvo idoso, José, que já tinha seis filhos/as: Judas, Tiago, Joset, Simão, Lídia, Lísia. Assim, os “irmãos” seriam só da parte de José e não da Maria. Parece muito pouco improvável e é mais uma tentativa de “explicar” o termo “irmãos” para salvaguardar a doutrina da virgindade perpétua de Maria d que algo com base fatual.  Terceiro, seguindo São Jerônimo, se diz que são primos de Jesus em primeiro grau. O importante é saber que a concepção virginal de Jesus está claramente ensinada na Bíblia e faz parte do Credo Apostólico. Mas, a questão da virgindade perpétua de Maria não é tratada nos Evangelhos, e não adianta buscar argumentos neles em favor ou contra. Essa doutrina faz parte da fé católica desde os primórdios.
            A disputa com os escribas também intriga umas pessoas quando fala do “pecado contra o Espírito Santo” que não tem perdão. Em que consiste? Segunda a nota do rodapé da Bíblia TEB, “este pecado consiste em negar-se a reconhecer o poder que atua por meio de Jesus, atribuindo a Satanás as obras que ele realiza pelo Espírito Santo. Tal recusa à conversão contraria o perdão”. Mas, as palavras fortes referentes a este pecado não devem tirar a nossa atenção de algo muito mais importante - que todos os outros pecados, por tão “pesados” que possam ter, têm perdão. Esse fato é um grande “Evangelho”, ou “Boa Notícia” e deve nos animar que para que sejamos portadores dessa mensagem de perdão e reconciliação a todos.
Tomaz Hughes SVD

e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br  

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Com alegria, celebramos o grande mistério de nossa fé

Com alegria, na Solenidade de Corpus Christi, celebramos o grande mistério de nossa fé. O Senhor está no meio de nós, vivo, presente, sobretudo, no Sacramento da Eucaristia.

Nós hoje celebramos a Solenidade de Corpus Christi, o Corpo de Cristo; a grande alegria de celebrarmos o mistério de nossa fé na Eucaristia, por meio da qual o próprio Senhor se dá a nós como nosso alimento, como refeição para nossa vida em Deus.
Porque, na verdade, a última refeição de Jesus, antes da Sua morte, tem uma riqueza de significados e uma relevância muito grandes. Os próprios apóstolos que dela participaram, num primeiro momento, não puderam compreender ou abraçar toda a riqueza ali celebrada. A Páscoa do Senhor começa na Eucaristia e se estende até Sua morte e depois se prolonga na Sua ressurreição. E há uma grandeza nesse lindo mistério: o Cristo, que morre na cruz e ressuscita glorioso, é o mesmo Cristo a quem nós comungamos na Eucaristia.
Veja que beleza e que riqueza: o Cristo, que está pregado na cruz, onde vemos o Seu Corpo todo dilacerado e maltratado, é o Cristo glorioso que vive, ressuscita e traz vida nova a todos nós! Esse mesmo Jesus nós recebemos sob as espécies do pão e do vinho, que se transformam no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo [na Celebração da Santa Missa].
É grande, é belo, é extraordinário e maravilhoso o que celebramos hoje – e que acontece todos os dias nas igrejas do mundo inteiro – quando o sacerdote, nas suas mãos, pega o pão e diz: “Tomai, isto é o meu corpo!”, não é o meu corpo, o corpo do padre Roger, ou o de qualquer outro sacerdote; é o próprio Corpo do Senhor! Quanta ousadia ao pegar o cálice e dizer: “Este Sangue é o de Cristo!”.
O Senhor Jesus está no meio de nós, vivo, presente e jamais ausente. Ele faz com que Sua presença seja mais intensa entre nós, sobretudo, no Sacramento da Eucaristia. Por isso hoje honras, louvores, glórias, ação de graças, adoração e prostração diante d’Aquele que é o nosso Deus!
A Jesus, o Senhor, toda a honra e toda a glória agora e para sempre! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Fonte:www.matrizsaocristovao.com.br
Imagem; Google