“Muito bem, empregado bom e fiel”
O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande
discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata
do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada
pela leitura dos sinais dos tempos (24, 1-44), a parábola do empregado
responsável (24, 45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25, 1-13), e
que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o
Juízo Final (25, 31-46).
O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos -
no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no
contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de
Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em
prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus
possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao
pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois
ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos
conhecidos).
Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos
segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom
é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade
cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora
carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7), como disse São Paulo,
temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa
experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para
o encontro com o Senhor (mensagem do trecho anterior a este, o das virgens) - o
outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de
Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
Tomaz Hughes SVD
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Imagem: arquidiocesedenatal.org.br

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