
FESTA DA ASCENÇÃO DO
SENHOR (08.05.15)
Lc 24,46-53
Afastou-se deles e foi levado ao céu.
Chegamos ao
último trecho do Evangelho de Lucas. Quase todo este capítulo é
encontrado somente em Lucas, e revela bem o seu pensamento. Podemos dizer
que o Evangelho todo culmina na postura dos discípulos, descrita em versículo
52: “Eles o adoraram”. Esta é a primeira e única vez
que Lucas diz que os discípulos adoraram Jesus. Aqui há uma aproximação
entre a cristologia de Lucas e a de João em Jo 20,28.
O trecho abre com uma
frase que faz lembrar os dois discípulos na estrada de Emaús: “Jesus abriu a
mente deles para entenderem as Escrituras.” ( v. 45). Vale a pena
salientar que ele fez que eles “entendessem” as Escrituras - não que as
“conhecessem”, pois estavam bem a par de tudo que as Escrituras falavam!
O problema deles - como dos dois de Emaús - era de entender como as
Escrituras podiam iluminar a sua caminhada, na sua situação concreta.
Lucas frisa que o
anúncio do Evangelho incluirá a grande Boa Nova do perdão dos pecados.
Essa Boa Notícia “será anunciada a todas as nações, começando por Jerusalém”
(v.47). Aqui explica como a salvação chegará aos outros povos -
através da pregação e testemunho das comunidades cristãs. Por isso devemos
entender a frase “E vocês são testemunhas disso” (v.48) como referente
não só aos Onze, mas a todos os discípulos e discípulas de Jesus! Podemos
lembrar-nos de Lc 24,9. 33 - onde enfatiza que além dos Onze, estavam também
presentes “os outros”. Isso é importante para que não caiamos na
cilada de achar que a missão de testemunhar os valores do Reino seja algo reservado
aos ministros ordenados. O Documento de Aparecida insiste muito que não é
possível ser discípulo/a de Jesus sem ser missionário/a. Essa incumbência, e
privilégio, vem do nosso batismo! As comunidades poderão contar com um
poderoso ajudante nesta missão gostosa, mas árdua - o Espírito Santo, prometido
pelo Pai: “Agora eu lhes enviarei aquele que meu Pai prometeu”( v.49).
O comprimento dessa promessa será graficamente descrito na continuação da
obra de Lucas, nos primeiros dois capítulos dos Atos dos Apóstolos.
O último parágrafo
contém numerosas referências a Lc 1,5 - 2,25. O texto grego usa o verbo
que no Antigo Testamento é usado para descrever o Êxodo, quando diz: “Jesus levou
os discípulos para fora da cidade” (v.50). Para Lucas, Jesus está prestes a
completar o seu Êxodo ao Pai. Mas antes, “Ergueu as mãos e os
abençoava”( v. 50b). É a única vez que no Evangelho de Lucas se diz
que Jesus abençoou alguém. No fim da liturgia da sua vida, Jesus dá a sua
benção final aos que vão continuar a sua missão! Os discípulos
sentem grande alegria - um tema destacado no início da vida de Jesus, no seu
nascimento em Belém, quando os anjos trouxeram notícias de grande alegria! A
alegria prometida no início está presente no fim! Por isso, os discípulos
se encontram no Templo, onde Jesus foi apresentado e onde Simeão louvou a Deus.
O Evangelho de Lucas conclui afirmando que eles também “Estavam sempre no
Templo, bendizendo a Deus.” ( v. 53). O autor termina enfatizando a
resposta que os seus leitores devem dar, na medida em que eles aceitam que em
Jesus chegou a nossa salvação, através da ação gratuita do Deus misericordioso!
Esta resposta de bendizer a Deus não é somente com os lábios, mas com uma
vida dedicada e missionária, no seguimento de Jesus de Nazaré e comprometida
com a construção de comunidades e sociedades alternativas, baseadas na partilha
e no solidariedade. Esse é um dos grandes temas da segunda parte do
Evangelho de Lucas, que nós conhecemos como “Atos dos Apóstolos”, um dos livros
bíblicos preferidos no estudo bíblico nas comunidades de hoje.
e-mail: thughes@netpar.com.br
Imagem: Google (arquidiocesesalvador.org.br)
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