“Hoje a salvação
entrou nesta casa”
De novo entra em cena a
figura de um “publicano”, desta vez de nome conhecido - Zaqueu! Os governantes
arrendavam áreas do país para publicanos ricos, que embolsavam o que
conseguiram extorquir além das taxas estabelecidas. Estes chefes dos publicanos
(p. ex . Zaqueu) empregavam outros para fazer a cobrança - e enfrentar a
celeuma do povo - sentados nos telônios nas portas das cidades e nas
encruzilhadas das rotas das caravanas (p. ex. Levi).
Zaqueu era chefe dos
cobradores de impostos da cidade de Jericó, e por isso, por causa da sua
extorsão, muito rico - e com certeza muito odiado e desprezado.
Porém, Lucas nos mostra
que ninguém é tão perdido que não possa ser salvo pela misericórdia de Deus.
Ninguém está além da possibilidade de salvação. Com umas rápidas pinceladas,
ele traça o caminho da conversão e salvação de Zaqueu.
Com certeza, Zaqueu
tinha ouvido falar da atividade e dos ensinamentos de Jesus, e tinha uma enorme
vontade de conhecer mais de perto este homem tão diferente dos outros rabinos,
ou mestres religiosos, do seu tempo. Nem levava em conta perder a sua
dignidade, subindo em uma árvore - o importante mesmo era não perder o momento
de Jesus passar. Jesus acolhe este gesto de busca - olha mais para esta chama
de bondade do que para toda a maldade praticada anteriormente por Zaqueu.
Pronuncia as palavras que iriam mudar para sempre a vida de Zaqueu: “Desça
depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa.” (v. 5)
Por causa dessa
iniciativa, o próprio mestre se torna alvo de críticas por parte dos “justos”:
“Ele foi se hospedar na casa de um pecador” (v. 7). Como sempre, a novidade do
Reino, trazida por Jesus rompe todos os esquemas sociais e religiosos
pré-concebidos!
Diante do gesto de amor
da parte de Jesus, trazendo para si o opróbrio normalmente reservado para
Zaqueu, o publicano responde com um gesto concreto de conversão: “A metade dos
meus bens, Senhor, eu dou aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro
vezes mais” (v. 8)
Não é uma conversão
teórica mas muito concreta, e passa pelo econômico - devolver o dinheiro
roubado, partilhar os bens! O amor de Jesus conseguiu o que o ódio e o desprezo
jamais conseguiriam - a conversão de um pecador - “Hoje a salvação entrou nesta
casa”. Mais uma vez Jesus ilustrou de maneira muito concreta que Ele veio
“procurar e salvar o que estava perdido”.
A
história nos convida a assumir cada vez mais as atitudes tanto de Jesus como de
Zaqueu - de um lado, compreensão, misericórdia e perdão diante dos erros
alheios; do outro, reconhecimento da nossa própria necessidade de perdão e
conversão contínua, para que se dê em nossas vidas a experiência de Zaqueu, de
que “Hoje a salvação entrou nesta casa!”
Tomaz Hughes SVD
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

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