“Começo do
Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”
O
Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser
escrito, provavelmente pelo ano 70, ou na Síria, ou em Roma (Não existe consenso
entre os peritos). Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero
literário, hoje tão conhecido, chamado “Evangelho”, o que literalmente
significa “Boa Nova” ou “Boa Notícia”. Porém, quando no primeiro versículo da
sua obra ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não se refere ao gênero
literário, mas à própria Boa Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o
Messias, o Filho de Deus”. Pois, o escrito é somente uma das maneiras viáveis
para comunicar a experiência dessa Boa Notícia, - tanto que Paulo, que nunca
leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,) pôde falar aos Gálatas
do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso, devemos sempre levar em
conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma
biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida d’Ele. Eles são a
“Boa Notícia” de Jesus. Por isso, a pergunta que devemos ter em mente em
primeiro lugar ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou
não?”; mas, “onde está a Boa Notícia de Jesus neste texto?”
Como parte
da nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e
mensagem de um dos grandes personagens da liturgia do Advento – João, o
Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do
profeta Malaquias 3, 20, de Isaías 40, 3 e Êx 23, 20, Marcos enfatiza o papel
de João como Precursor - aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João
estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do
profetismo”, na tradição judaica, Elias. Assim, João é a última voz profética
da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa Nova na pessoa e atividade de
Jesus de Nazaré.
O batismo
de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos
pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja
primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra que
não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal, sem que
passemos pelo processo de arrependimento, conversão e pela experiência da
gratuidade de Deus no perdão dos pecados.
Mas a
ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem
viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão,
que denota a dignidade de quem vem atrás, como num cortejo, põe toda a
importância na pessoa que vem - pois tirar as sandálias era serviço de um
escravo. Jesus é o mais importante, pois com a vinda d’Ele inaugura-se o tempo
de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os
Essênios) somente para o fim dos tempos.
A voz de
João ressoa de novo hoje, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade,
Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando as suas
veredas! A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos
para que os males, sejam individuais ou sociais, sejam tirados, para que o
Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha,
vazia de sentido.
Tomaz Hughes SVD
e-mail: thughes@netpar.com.br
Fonte: www.matrizsaocristovao.com.br

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